Ministro alemão defende atuação de agentes secretos no Iraque | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 18.12.2008
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

Ministro alemão defende atuação de agentes secretos no Iraque

Pela quinta vez, o ministro alemão das Relações Exteriores responde às perguntas de uma CPI sobre a participação do serviço secreto alemão na guerra do Iraque. Steinmeier revidou as acusações como "absurdas".

default

Steinmeier: na mira da comissão

A Alemanha teria participado da guerra dos Estados Unidos e seus aliados no Iraque através do envio de agentes do Serviço Federal de Informações (BND) a Bagdá? Para o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, a acusação é "absurda". O candidato do Partido Social Democrata (SPD) à chancelaria federal respondeu pela quinta vez nesta quinta-feira (18/09) às perguntas de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

Em 2003, na época em que os EUA ainda avaliavam o ataque militar, Steinmeier era chefe da Casa Civil no governo Schröder e portanto responsável pelas atividades do serviço secreto alemão. Segundo ele, o governo da coalizão entre verdes e social-democratas teve bons motivos para posicionar-se contra a guerra.

Bons motivos

"Nenhum soldado alemão participou desta guerra e nenhum morreu nela. Ao mesmo tempo, a guerra contou com a participação de nossos aliados e nossa posição não era de encerrar a parceria com os EUA e cancelar nossa presença na Otan", disse Steinmeier. Foi isso que levou a Alemanha a colocar bases militares à disposição dos EUA e a lhes conceder permissão de vôo por sobre seu território.

E também a dar prosseguimento à cooperação com o serviço secreto americano, através do envio de dois agentes do BND a Bagdá e de um terceiro funcionário do órgão ao quartel-geral em Catar, a fim de obter uma impressão da situação no Iraque, explicou o ministro.

"Tínhamos grandes preocupações quanto a uma possível guerra, receio de que não apenas o Iraque fosse destruído e toda a região se tornasse instável, mas também de que o país se tornasse um centro do terrorismo internacional", argumentou Steinmeier, lembrando que a maioria desses receios se tornaram realidade.

Oposição convencida da culpa

A oposição, no entanto, está convencida de que ao menos algumas das coordenadas fornecidas pelos agentes alemães tenham sido usadas concretamente para bombardeios por parte dos EUA. Para Steinmeier, as acusações são "absurdas".

Para o responsável do Partido Verde no grêmio parlamentar, Hans-Christian Ströbele, a culpa de Steinmeier é inquestionável: "Ele não cuidou para que informações de relevância militar vindas de Bagdá não fossem repassadas aos americanos".

Além disso, a oposição vê sua posição confirmada através de declarações feitas recentemente por militares americanos, que julgaram os dados do BND como sendo "de valor incalculável". Em entrevista ao semanário Der Spiegel, o general James Marks informou que a guerra chegou a ser antecipada devido às informações fornecidas pela Alemanha, a fim de proteger as refinarias de petróleo no Iraque.

Revange pós-frustração?

Para o social-democrata Michael Hartmann, as acusações são "nada mais, nada menos que tentativas de revanche de uma administração dispensada. Se tivermos novos fatos sobre a mesa, os discutiremos. Mas não discutiremos a propaganda política de Bush e companhia".

O secretário-geral do SPD, Hubertus Heil, caracterizou os ataques a Steinmeier – que comparece diante da comissão pela primeira vez desde sua nomeação como candidato à chancelaria federal – como "manobra translúcida", lembrando que os democratas-cristãos é que questionaram a negativa do governo alemão à guerra em 2003.

"O governo Schröder defendeu o não alemão à guerra, enquanto Angela Merkel voou a Washington para trair tal posição", lembra Heil. Na época, Merkel criticou a posição isolada da Alemanha e chegou a escrever no jornal Washington Post que "Schröder não fala por todos os alemães".

Leia mais