Mais de 20 milhões passam fome no Iêmen | Notícias internacionais e análises | DW | 11.12.2018
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Oriente Médio

Mais de 20 milhões passam fome no Iêmen

A maior crise humanitária do mundo se aprofunda, e a ONU faz um duro apelo por ajuda. Hoje, estima-se que mais de dois terços da população iemenita, assolada pela guerra, não tenha meios de se alimentar.

Mulher iemenita vestindo um niqag segura seu completamente subnutrido filho no colo

Ao menos 250 mil iemenitas estão na mais severa Fase 5 na escala global de insegurança alimentar a desnutrição

Ao menos 20 milhões de pessoas no Iêmen estão passando fome, o equivalente a 70% da população e um aumento de 15% em relação à já catastrófica situação do ano anterior, alertou nesta terça-feira (11/12)  o chefe de Assuntos Humanitários das Nações Unidas. Mark Lowcock, que retornou recentemente do país árabe assolado por três anos de guerra, afirmou que houve "uma deterioração significativa e dramática da situação humanitária".

Segundo o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, pela primeira vez 250 mil iemenitas estão listados na Fase 5 na escala global de classificação da gravidade e da magnitude de insegurança alimentar a desnutrição. A Fase 5 é o nível mais severo, em que pessoas enfrentam "fome, morte e privação".

Lowcock disse que estes cerca de 250 mil iemenitas estão esmagadoramente concentrados em quatro províncias "onde o conflito tem transcorrido intensamente" – Taiz, Saada, Hajja e Hodeida. O único outro país no mundo onde há pessoas na Fase 5 é o Sudão do Sul, com 25 mil habitantes afetados.

Lowcock também afirmou que há quase 5 milhões de iemenitas na Fase 4, que é definida como o nível "emergencial", no qual as pessoas sofrem de fome severa e "desnutrição aguda muito alta e excesso de mortalidade" ou uma perda extrema de renda que levará a escassez severa de alimentos. Ele apontou que estas pessoas vivem em 152 dos 333 distritos do Iêmen, um aumento acentuado de 107 distritos em relação ao ano passado.

Um grande número de pessoas "passou para uma pior categoria de insegurança alimentar como resultado da guerra" resumiu Lowcock.

O conflito no Iêmen começou em 2014 com a tomada da capital Sanaa pelos rebeldes houthi, apoiados pelo Irã, que derrubaram o governo de Abed Rabbo Mansour Hadi. Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, aliada ao governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, combate os houthis desde 2015.

Ataques aéreos liderados pelos sauditas atingiram escolas, hospitais e festas de casamento e mataram milhares de civis iemenitas. Os houthis dispararam mísseis de longo alcance na Arábia Saudita e atacaram embarcações no Mar Vermelho. O conflito já matou mais de 10 mil pessoas e criou a pior crise humanitária do mundo.

"Há milhões de iemenitas famintos, doentes, assustados e desesperados, mas todos têm uma única mensagem, e sua mensagem é que estão no limite de suas forças e querem que essa guerra tenha um fim", disse Lowcock. "Mas a situação seria muito, muito pior para milhões e milhões de pessoas caso não houvesse operações de socorro e ajuda humanitária", que atualmente tem chegado a oito milhões de iemenitas.

Lowcock comunicou que a ONU planeja alcançar 15 milhões de pessoas em 2019 e que a organização pedirá 4 bilhões de dólares em contribuições – em comparação com os 3 bilhões deste ano e com os 2 bilhões de dólares do ano anterior.

O representante da ONU disse que o secretário-geral António Guterres realizará uma conferência de doações em conjunto com a Suécia e a Suíça, em Genebra, em 26 de fevereiro. Lowcock também saudou uma promessa de 500 milhões de dólares da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Lowcock reiterou os cinco principais pontos necessários para colocar a situação no Iêmen sob controle: a cessação das hostilidades, especialmente em torno do porto de Hodeida, para onde 70% da ajuda alimentar e as importações são enviadas; a redução das restrições às organizações de ajuda e às importações de combustíveis; apoio ao apelo humanitário da ONU por 4 bilhões de dólares para 2019; e a estabilização da economia, que sofreu um colapso dramático como resultado da guerra; e, por fim, que sejam dados os primeiros passos para encerrar o conflito nas conversações mediadas pela ONU, que transcorrerão na Suécia, entre o governo e os houthis. 

PV/ap/lusa

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