Música clássica para a juventude | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 16.11.2003
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Cultura

Música clássica para a juventude

Os jovens passam ao largo dos clássicos: Bach, Beethoven e companhia são considerados fora de moda. Mas as gravadoras estão tentando reverter esta situação.

Por que só aplaudir ao fim de uma obra inteira?

Por que só aplaudir ao fim de uma obra inteira?

Com a música clássica acontece o mesmo que com Robbie Williams, diz Maren Borchers, da EMI. “Ou a música comove ou ela não comove.” Para fazer com que os jovens se interessem pelo seu catálogo de clássicos, a companhia aposta em artistas como o violinista Nigel Kennedy. O britânico com cabelo punk e roupas largadas provoca alvoroço com suas apresentações nada convencionais.

Aborrecimento durante os concertos

Na opinião do presidente da Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo, Hermann Rauhe, artistas como Kennedy vem justamente ao encontro dos jovens. O pedagogo musical considera as rígidas convenções das salas de concerto alemãs – permanecer quieto, por exemplo – como antiquadas e diz não entender por que o público só pode aplaudir depois do último acorde de uma sinfonia. “Isso é um ritual burguês e ultrapassado.” Jovens são espontâneos, querem trocar impressões e se mexer durante a execução da música. Na Filarmônica de Berlim, isso não é problema.

Acompanhar a filarmônica

Simon Rattle in Berlin

Sir Simon Rattle, à frente da Filarmônia de Berlim

Simon Rattle é daquele tipo de pessoa que não gosta de agito ao seu redor. Mas o regente titular da Filarmônica de Berlim confessa que lhe agradou quando, durante um passeio no centro de Berlim, foi reconhecido por um grupo de adolescentes turcos e saudado com “Oi, senhor Simon”.

A orquestra gosta de ter ouvintes com menos de 30 anos. Durante um execução de L’Enfant el les Sortileges, de Ravel, cerca de 400 crianças dançaram e cantaram na filarmônica. “Eu tenho certeza que 95% delas nunca estiveram nesta casa antes”, disse Rattle em uma entrevista. “De repente, a filarmônica estava cheia de vida, e as apresentações foram profissionais e criativas. Nisso está o futuro.”

Também na Filarmônica de Munique os pequenos têm o direito de rufar os tambores. “Mas seria ingênuo pensar que é só fazer alguns projetos para jovens e de uma hora para a outra estão todos nas bilheterias”, diz o porta-voz Peter Meisel, diminuindo a euforia. Iniciar os jovens nos clássicos é um trabalho que exige fôlego. Ou um novo conceito de sala de concertos.

Alternativas

Ficar sentado é algo impensável no Yellow Lounge. Com esse nome, a Universal Classics - um segmento da gravadora Universal - organiza os seus concertos de música clássica em bares de badalação das maiores cidades alemãs.

Enquanto os DJs descuidadamente tocam a Nona Sinfonia de Beethoven ou Bolero, de Ravel, os convidados se afundam em um sofá e saboreiam coquetéis. Concertos clássicos mensais com cerca de 400 convidados já fazem parte da cena de Berlim, e os DJs de música clássica também se apresentam com freqüência em Hamburgo, Munique e Leipzig. “Se os jovens não vão aos concertos, nós vamos até os locais que eles freqüentam”, diz o organizador do Yellow Lounge, Per Hauber.

Desinteresse generalizado

Os estrategistas publicitários da Sony Classical observaram que a importância da música clássica na casa dos pais ou na escola está diminuindo. Para despertar o interesse dos jovens, a gravadora colocou no mercado a série Music for you, com embalagens chamativas. Fotos artísticas têm por função chamar a atenção para sinfonias de Schubert ou para As Quatro Estações, de Vivaldi.

A importância comercial dessas iniciativas é grande. Segundo estatísticas da Confederação Nacional da Indústria Fonográfica, que representa 93% do mercado alemão, o setor de música clássica está encolhendo há anos. Em 2002 as vendas do ramo foram 142 milhões de euros menores em comparação com o ano anterior – uma queda de quase 15%.

Para a formação de jovens ouvintes de música clássica é antes de mais nada necessário que as escolas tenham professores de música. Mas há um problema: nem todas podem oferecer aulas da disciplina porque faltam professores.

Além disso, para muitos, a música não tem o mesmo peso que a matemática ou o alemão. “Uma eficiente iniciação musical para o público de amanhã deve começar no jardim-de-infância ou na escola primária”, diz o diretor da Associação Alemã de Orquestras, Gerald Meters. Nesse campo ainda há muito a ser feito na Alemanha.

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