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PolíticaMéxico

México é palco de protestos violentos às vésperas da Copa

5 de junho de 2026

País registra tumultos e atos de vandalismo em manifestações de professores a poucos dias da abertura do Mundial, na Cidade do México. Adornos de rua celebrando o torneio foram depredados.

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Homens mascarados diante de fumaça branca na Cidade do México
Gás lacrimogêneo durante invasão por manifestantes da sede do Ministério da Educação do MéxicoFoto: Paola Garcia/REUTERS

A uma semana da abertura da Copa do Mundo no México, o país é abalado por uma onda de protestos que geraram tumultos e atos de vandalismo. Os atos, que culminaram com a invasão da sede do Ministério da Educação na última quarta-feira (03/06), são puxados por professores em greve.

"Se não houver solução, a bola não vai rolar", alertaram manifestantes, que prometeram escalar suas ações.

Um dia antes, foram derrubadas estátuas de jogadores de futebol na importante avenida Paseo de la Reforma, que corta o coração da Cidade do México, e bloquearam vias principais. 

Familiares de cerca de 130 mil pessoas desaparecidas no México, incluindo os 43 estudantes da escola de formação de professores de Ayotzinapa, desaparecidos em 2014, assim como agricultores e caminhoneiros, também planejam protestos e bloqueios de estradas.

Eles esperam aproveitar a atenção global gerada pela Copa do Mundo para chamar a atenção para suas reivindicações.

A Copa tem seu início programado para a próxima quinta-feira (11/06), no estádio Azteca, na Cidade do México.

O México, que divide a sede do torneio com os Estados Unidos e o Canadá, receberá 13 das 104 partidas da competição. Protestos estão sendo planejados nas imediações dos locais dos jogos na Cidade do México, em Monterrey e em Guadalajara.

Professores reivindicam melhorias

As ações se intensificaram desde segunda-feira, quando um grupo dissidente da Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) convocou uma greve por tempo indeterminado para exigir mudanças no sistema de aposentadorias, aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

A polícia utilizou gás lacrimogêneo na segunda-feira para contê-los. Dois manifestantes e pelo menos um pedestre ficaram feridos no confronto. Um professor foi retirado enquanto sangrava no rosto; segundo os grevistas, ele teria perdido um olho.

"Vamos verificar se essa atuação seguiu ou não os protocolos", explicou o secretário de Segurança da Cidade do México, Pablo Vázquez. "Em nenhum momento houve ordem para reprimir ou agir contra os manifestantes."

"Não vamos cair na provocação"

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e membros de seu governo pedem diariamente diálogo e a análise das propostas do CNTE.

"Eles querem que caiamos em uma repressão às vésperas da Copa do Mundo", disse a presidente de esquerda em coletiva de imprensa. "Não vamos cair na provocação."

O governo mexicano propôs nesta quinta-feira fortalecer o fundo existente para aposentadorias dos servidores públicos e criar uma seguradora pública para administrar os recursos. No entanto, os professores consideraram a proposta "insuficiente".

O diálogo entre o governo e os professores não tem dado resultados. "Não é a resposta que queremos ouvir", disse na quinta-feira a representante sindical Yenny Pérez, após a oferta do governo que, segundo ela, "não atende às demandas centrais" do movimento.

"É agora ou nunca”

A emblemática praça do Zócalo, onde estão o palácio presidencial e a "fan fest", permanece cercada por barreiras metálicas para impedir a passagem dos manifestantes, que costumam se instalar ali para pressionar por suas reivindicações.

Muitas lojas do comércio foram obrigadas a fechar, e o já caótico trânsito da capital só piora a cada protesto. "Por mais que nos organizemos, por mais que marchemos, por mais que gritemos, o governo simplesmente não nos escuta", afirmou Fabián Villegas em um dos protestos desta semana. "Vamos continuar! É agora ou nunca".

A Secretaria de Governança condenou a violência e o vandalismo "venham de onde vierem" e afirmou que "não concorda com os impactos na mobilidade dos moradores da Cidade do México, nem com a obstrução do livre trânsito de comerciantes, trabalhadores e visitantes do Centro Histórico devido ao bloqueio de ruas".

md/ra (EFE, AFP, DPA)

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