Líder indígena é assassinado a tiros no Maranhão | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 01.04.2020
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Brasil

Líder indígena é assassinado a tiros no Maranhão

Zezico Rodrigues Guajajara era um dos líderes da terra indígena Arariboia e professor. Ele é a quinta liderança da etnia Guajajara a ser morta desde novembro de 2019.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) confirmou na noite de terça-feira (31/03) que o líder indígena Zezico Rodrigues, do povo Guajajara, foi assassinado a tiros no município de Arame, no Maranhão. O assassinato foi informado ao governo do estado pela Funai.

Zezico era um dos líderes da terra indígena Arariboia, professor há mais de 20 anos e diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru. Seu corpo foi encontrado perto de sua aldeia, Zutiwa, numa estrada que dá acesso ao povoado onde vivem cerca de mil indígenas.

Segundo o Cimi, "apenas nos dois últimos meses de 2019, quatro indígenas Guajajara foram assassinados". No início de novembro, Paulo Paulino Guajajara, integrante de um grupo de agentes florestais autodenominados "guardiões da floresta", foi vítima de tiros por um grupo de caçadores ilegais dentro da terra indígena Arariboia, segundo conclusões da Polícia Federal.

Segundo o colunista Rubens Valente, do portal UOL, a Funai teria recebido informações sobre um conflito em janeiro – Zezico teria sido ameaçado de morte por outros indígenas da mesma região. A razão das ameaças não foi esclarecida.

No Twitter, o governador Flávio Dino (PCdoB) lamentou a morte de Zezico e disse que a Secretaria de Segurança já entrou em contato com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.

A morte de Zezico Rodrigues Guajajara é a quinta de um membro da etnia desde novembro. Em dezembro, Firmino Prexede Guajajara e Raimundo Benício Guajajara morreram vítimas de um atentado a tiros no Maranhão. No mesmo mês, Erisvan Soares Guajajara, de 15 anos, foi assassinado a golpes de faca.

Os Guajajara formam um dos povos indígenas mais numerosos do Brasil e habitam várias terras indígenas na margem oriental da Amazônia, todas no Maranhão.

Em comunicado, o Cimi afirma ainda que "o número de homicídios registrados contra indígenas do povo Guajajara desde o ano 2000 chega a 49 – sendo 48 deles no Maranhão e um no Pará".

Em setembro de 2019, o conselho, ligado à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), alertou para o aumento da invasão de terras desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro do ano passado.

O Cimi declarou também, no comunicado desta terça-feira, que "a situação vivenciada pelo povo Guajajara é trágica e exemplar em relação ao contexto de vulnerabilidade a que muitas comunidades indígenas estão expostas em todo o Brasil – mesmo as que vivem em terras já demarcadas e, em tese, contam com a proteção do Estado."

Segundo o Cimi, Zezico também defendia os direitos do grupo Awá-Guajá, que vive voluntariamente isolado na Arariboia. "O assédio cotidiano de invasores numa terra com presença de indígenas isolados, grave por si só, torna-se ainda mais preocupante em meio à pandemia global do coronavírus", diz o documento do conselho.

RK/dw/ots

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