Kerry continua cruzada no Oriente Médio | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 02.01.2014
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Kerry continua cruzada no Oriente Médio

Secretário de Estado americano visita pela décima vez a região com plano de paz audacioso para palestinos e israelenses. Ao desembarcar, no entanto, já começa a esbarrar em velhas resistências de ambas as partes.

default

John Kerry chega a Israel para décima visita em apenas 11 meses no cargo

Desde que assumiu a chefia da diplomacia americana, em fevereiro do ano passado, John Kerry já visitou dez vezes o Oriente Médio. Para ele, não é mistério que o caminho da paz na região é tortuoso – e que, como aconteceu com a maioria de seus antecessores, costuma levar a lugar nenhum.

Ao desembarcar nesta quinta-feira (02/01) em Israel, Kerry teve uma amostra do que o espera mais uma vez. Logo ao chegar, afirmou que sua missão "não é impossível". Mas do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com quem se reuniu em Jerusalém, ouviu uma declaração reticente.

"Sei que o senhor está comprometido com a paz. Sei que eu estou comprometido com a paz, mas, lamentavelmente, e a julgar pelos atos e declarações dos líderes palestinos, há uma crescente dúvida em Israel sobre se eles estão comprometidos também com a paz", afirmou Netanyahu.

Desafio pessoal

Kerry só deve voltar aos Estados Unidos no domingo. Na bagagem, leva uma proposta que inclui todos os principais pontos polarizadores entre israelenses e palestinos: delimitação de fronteiras, mecanismos de segurança, a divisão de Jerusalém e o futuro dos refugiados.

US-Außenminister Kerry in Israel mit Premierminister Netanjahu 02.01.2014

Kerry e Netanyahu: diferenças

O processo de paz no Oriente Médio já é tido como uma cruzada quase pessoal do secretário de Estado americano – e que ele quer completar com sucesso antes do fim do segundo mandato de Barack Obama à frente da Casa Branca.

"Logo chegará o momento em que os líderes [palestino e israelense] deverão tomar decisões", afirmou Kerry. "Pretendo trabalhar intensamente com os dois lados nos próximos dias, para diminuir as diferenças, o que levará a linhas básicas para negociações permanentes."

Segundo fontes da diplomacia americana, o veterano político, de 70 anos, tenta convencer Israel a reconhecer um Estado palestino que tenha as fronteiras como antes da Guerra de 1967, com leves modificações. Os palestinos, por sua vez, deverão admitir a existência de um Estado judeu com direito a defender seu território, além de declararem o fim definitivo do conflito.

Nos 11 meses à frente da Secretaria de Estado, Kerry já teve algumas conquistas. O governo israelense está liberando, aos poucos, mais de cem presos palestinos, em sua maioria condenados por atentados realizados antes dos acordos de Oslo, mediados em 1993 por Bill Clinton. A Autoridade Nacional Palestina (ANP), por sua vez, se comprometeu a não comparecer sozinha a instituições internacionais até 29 de abril, quando se encerra o prazo para início oficial das negociações.

Presos e colônias

Nesta sexta-feira, Kerry vai se reunir em Ramallah com o presidente da ANP, Mahmud Abbas, principal alvo das recentes críticas de Netanyahu.

Israel Entlassung palästinensischer Häftlinge 31.12.2013

Preso libertado por Israel volta para casa com a mãe: para Israel, terrorista

"Na terça-feira, em Ramallah, Abbas abraçou terroristas como se fossem heróis. É um escândalo bajular assassinos de mulheres, crianças e inocentes, e ainda chamá-los de heróis", disse o premiê israelense, em referência aos presos palestinos libertados nos últimos dias.

Em outro exemplo das dificuldades que Kerry enfrenta, o ministro israelense do Interior, Gideon Saar, reivindicou nesta quinta-feira, à frente de uma delegação de 15 parlamentares, a soberania de Israel sobre o Vale do Jordão.

Com a mediação de Kerry, israelenses e palestinos negociam neste momento os mecanismos de segurança nesse vale fronteiriço com a Jordânia, que aparentemente incluem uma redução da presença militar israelense.

RPR/afp/dpa/rtr/efe

Leia mais