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Jovens são mais otimistas sobre uso de IA na vida afetiva

5 de junho de 2026

Quase metade dos entrevistados com menos de 35 anos crê que "companheiros íntimos de IA" trarão mais felicidade, segundo estudo. Cenário, contudo, expõe divisões globais.

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Mulher encosta o dedo indicador em dedos de uma mão robótica gigante saindo de um teto durante visita à primeira loja 4S do mundo dedicada a robôs com IA em Pequim, China, em 4 de agosto de 2025.
Confiança nas relações sentimentais com a inteligência artificial está crescendo entre as novas gerações, aponta pesquisaFoto: Imaginechina/Sipa USA/picture alliance

Cerca de 50 % dos jovens adultos acreditam que relações sentimentais com a inteligência artificial (IA) vão melhorar a felicidade humana na próxima década, segundo os resultados de uma grande pesquisa internacional divulgados recentemente pela agência AFP.

O percentual diminui progressivamente nos grupos de idade mais avançada, chegando a apenas cerca de um quarto das pessoas com 55 anos ou mais, de acordo com o estudo.

Os avanços no desenvolvimento da IA levaram as pessoas a recorrer a chatbots como confidentes e parceiros sentimentais, enquanto os progressos na robótica têm contribuído para a fabricação de bonecas sexuais cada vez mais sofisticadas, o que levanta questionamentos sobre o impacto nas relações humanas.

A pesquisa, realizada com quase 10 mil pessoas nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Indonésia e Hong Kong, oferece um retrato desse "panorama moral em rápida evolução", segundo a empresa de pesquisas YouGov.

Ela também mostra "uma profunda divisão ideológica entre os mercados ocidentais e os asiáticos", sendo estes últimos aparentemente mais receptivos ao sexo e ao romance facilitados pela tecnologia.

No que diz respeito ao apoio emocional, 48 % de todos os entrevistados entre 18 e 24 anos e 47 % dos que têm entre 25 e 34 anos afirmaram acreditar que os "companheiros íntimos de IA" – uma categoria que engloba desde chatbots até bonecas sexuais – vão melhorar a felicidade humana na próxima década.

Quando a mesma pergunta foi feita com foco em conexão mais profunda e bem-estar sexual, os números caíram para 32 % e 38 %, respectivamente. Em ambos os aspectos, as pessoas mais velhas se mostraram menos otimistas.

O impacto psicológico dos chatbots em pessoas vulneráveis tem sido acompanhado de perto nos últimos tempos, depois que algumas famílias relacionaram a morte de vários adolescentes nos Estados Unidos ao uso de IA.

Em setembro, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) exigiu que sete empresas, incluindo gigantes da tecnologia como Alphabet, Meta, OpenAI e Snap, fornecessem informações sobre como monitoram e lidam com os impactos negativos de chatbots projetados para simular relações humanas.

Pessoa segura smartphone com logotipo do ChatGPT na tela.
À medida que cresce o uso de chatbots como companheiros emocionais, uma pesquisa mostra uma forte divisão geracional e cultural sobre o futuro das relações com máquinasFoto: Mateusz Slodkowski/SOPA Images/ZUMA/picture alliance

Divisão geográfica

A YouGov e a empresa de comunicação que encomendou o estudo, a Star X Gen, sediada em Tóquio, afirmaram à AFP que ficaram surpresas com a disparidade regional.

Na Indonésia, 50 % das pessoas – de todas as idades – disseram acreditar que a companhia de IA melhoraria a conexão e o bem-estar sexual.

O percentual foi de 34 % em Hong Kong e 24 % no Japão, caindo para 20 % nos Estados Unidos, 15 % na Alemanha e apenas 9 % no Reino Unido.

"Enquanto o público ocidental considera, em grande medida, a intimidade sintética como uma ameaça à proximidade humana autêntica, o público asiático parece cada vez mais disposto a integrar a IA em sua vida pessoal e física", afirmou Philippe Chan, da YouGov.

Embora o uso de chatbots para romance e sexo esteja se difundindo, sua materialização em robôs ou bonecos ainda está em estágio mais inicial. Dos 9.912 entrevistados, apenas 17 % disseram que considerariam usar uma "boneca íntima com IA", contra 59 % que afirmaram que não o fariam.

De modo geral, os adultos mais jovens se mostraram mais propensos do que os mais velhos a considerar o uso de uma boneca, e, no Japão e na Alemanha, o número de jovens dispostos a experimentar uma boneca foi quase o dobro da média nacional.

"Embora a população global em geral ainda se mostre cautelosa, a próxima geração está redefinindo ativamente os limites da vida sentimental", afirma o relatório.

No Japão, mais de um terço dos jovens adultos disse acreditar que bonecas com IA podem proporcionar uma sensação de amor, superando o número dos que discordam.

ee (afp, ots)

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