Johnson adverte que Reino Unido deve se preparar para Brexit sem acordo | Notícias internacionais e análises | DW | 16.10.2020

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Europa

Johnson adverte que Reino Unido deve se preparar para Brexit sem acordo

Após alerta do premiê, porta-voz do governo britânico afirma que negociações em Bruxelas "acabaram" diante de impasse. Europeus, no entanto, encaram reação como bravata e dizem que pretendem continuar a negociar.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson

Johnson fala ao país na TV. Premiê, no entanto, não anunciou que está abandonando negociações de maneira decisiva

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse nesta sexta-feira (16/10) que seu país deve se preparar para uma ruptura sem acordo com a União Europeia (UE) no fim do ano, caso não aconteça uma "mudança fundamental" na abordagem de Bruxelas nas negociações comerciais pós-Brexit.

Segundo Johnson, os 27 países-membros "renunciaram à ideia de um acordo de livre-comércio e não há sinais de nenhum progresso por parte de Bruxelas". A afirmação foi feita num discurso exibido na TV um dia depois de uma reunião em que os líderes europeus pediram a Londres que faça concessões para evitar uma ruptura sem acordo.

"Assim, dissemos a eles: 'Venham nos encontrar, se existir uma mudança fundamental na abordagem. Caso contrário, estamos dispostos a falar sobre os aspectos práticos' de uma separação brusca", acrescentou.

Um pouco depois, um porta-voz do governo britânico reforçou a mensagem, falando que as conversas sobre um acordo "acabaram" e que "não há mais sentido" em continuar o diálogo na semana que vem, a não ser que a UE esteja disposta a discutir detalhes de uma parceria pós-Brexit com o Reino Unido.

No entanto, nem Johnson nem o porta-voz afirmaram decisivamente que o país não pretende mais continuar a negociar com a UE. Os ultimatos foram interpretados em Bruxelas como uma bravata.

Mais cedo, representantes da UE disseram que estão dispostos a "intensificar" as discussões, mas que não farão um acordo "a qualquer preço".

O presidente da França, Emmanuel Macron, foi mais duro. "Deixar o premiê britânico feliz não é o papel dos líderes soberanos dos 27 estados que decidiram ficar na UE", disse Macron. "O que quer que tenha sido dito aos britânicos durante a votação do Brexit, a realidade é que eles precisam do mercado único europeu. Eles são mais dependentes de nós do que nós somos deles", completou. 

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, foi mais conciliadora diante da pressão britânica. "Pedimos à Grã-Bretanha para que chegue a um compromisso. Isso, é claro, significa que nós também temos que fazer concessões." Ela ainda enfatizou que a UE está pronta para continuar as negociações com o Reino Unido, mesmo depois de Johnson afirmar que seu país deveria se preparar para um Brexit sem acordo.

"Estamos preparados para continuar negociando. Vimos alguma luz, mas é claro que ainda há sombras nas negociações mais recentes, e se depender da União Europeia – e de mim pessoalmente – devemos simplesmente continuar essas conversas em Bruxelas", disse Merkel. "Um acordo seria de interesse mútuo."

Após anos de atrasos e de caos político, o Reino Unido abandonou oficialmente a UE em 31 de janeiro passado, graças à esmagadora maioria parlamentar obtida pelo Partido Conservador de Johnson nas legislativas de dezembro de 2019. Até o fim de dezembro próximo, o país se encontra em um período de transição para negociar com Bruxelas um acordo de livre-comércio que determine suas futuras relações.

Apesar das nove rodadas de conversações formais realizadas desde março e das tentativas de contatos das últimas duas semanas, os dois principais pontos de divergência continuam sem resultados. Em troca de oferecer aos britânicos acesso ao mercado único, os europeus exigem que eles possam continuar pescando em suas águas e limitar os subsídios públicos a empresas privadas.

Para que seja ratificado a tempo pelos respectivos Parlamentos, as duas partes concordam que o acordo deve ser alcançado em outubro.

Johnson havia estabelecido como limite a data de 15 de outubro, dia de início da reunião de cúpula europeia, enquanto a UE defendia negociações até o fim do mês.

Apesar das dificuldades, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta que negociadores da UE visitarão Londres na segunda-feira para "intensificar as negociações" por um acordo pós-Brexit, "como estava planejado".

Em uma mensagem no Twitter, Von der Leyen destacou que a UE "continua trabalhando por um acordo, mas não a qualquer preço".

Na quinta-feira, a cúpula do Conselho Europeu insistiu que ainda não existem condições para assinar um acordo sobre como funcionará a relação pós-Brexit. Nas conclusões da reunião, porém, o organismo pediu a Londres que adote "as medidas necessárias" para que isso aconteça.

O principal negociador europeu, Michel Barnier, confirmou que viajará para Londres na próxima semana para tentar alcançar um acordo.

Alguns sinais indicaram nas últimas semanas que as posições poderiam estar mudando: Barnier pediu aos países pesqueiros da UE que fizessem concessões sobre o acesso aos barcos britânicos, e o negociador inglês David Frost sugeriu que aceitaria um mecanismo de arbitragem sobre subsídios públicos. Mas, no momento crítico das conversas, nenhuma parte quis ser a primeira a ceder.

JPS/afp/dpa

Leia mais