Joesley e Wesley Batista são indiciados pela Polícia Federal | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 21.09.2017
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Brasil

Joesley e Wesley Batista são indiciados pela Polícia Federal

Empresa JBS teria usado informação privilegiada referente a acordo de delação premiada de seus executivos para realizar operações no mercado financeiro e obter lucro, afirma PF. Irmãos estão presos.

Joesley Batista (Getty Images/AFP/S. Lima)

Joesley Batista, pivô da maior crise política do governo Michel Temer, está preso desde 10 de setembro

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quinta-feira (21/09) os empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo J&F, por uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. A ação acontece no âmbito da Operação Tendão de Aquiles. Ambos estão presos na sede da PF em São Paulo.

Os irmãos são investigados pelo uso indevido de informação privilegiada na realização de operações no mercado financeiro entre abril e 17 de maio deste ano, período imediatamente anterior à divulgação do acordo de delação premiada firmado pelos executivos.

Segundo o indiciamento, o grupo J&F teria operado nos mercados de câmbio e de ações para lucrar com os efeitos da colaboração premiada de seus empresários, sabendo que sua divulgação tinha potencial para mexer com o mercado financeiro.

No dia seguinte ao anúncio da delação, a bolsa fechou na maior queda em nove anos. O dólar, por sua vez, registrou alta de 8%, resultando em lucros milionários para o delatores, afirma a PF.

Wesley Batista

Wesley Batista, diretor-presidente da JBS

"Enquanto participavam dos procedimentos de negociação de colaboração premiada, sabendo do potencial desta delação no mercado de valores mobiliários brasileiro, [os irmãos Batista] utilizaram esta informação privilegiada, ainda sigilosa, determinando a realização de operações de compra e venda no mercado de valores mobiliários", diz o despacho da Polícia Federal.

A empresa JBS, controlada pelo grupo J&F, chegou a admitir que comprou dólares antes do anúncio da delação premiada, mas disse que o objetivo não era obter lucro, e sim proteger financeiramente seus negócios. As movimentações estavam "alinhadas à política de gestão de riscos e proteção financeira" da empresa, informou a JBS na época.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vinculada ao Ministério da Fazenda e que regula e fiscaliza o mercado de capitais, abriu processos administrativos para investigar o caso, que mais tarde foi encaminhado ao Ministério Público Federal.

Joesley foi indiciado pela PF nesta quarta-feira como possível autor dos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada em razão da venda de ações da JBS.

Já Wesley foi apontado como autor do delito de manipulação de mercado e participante no crime de uso indevido de informação privilegiada praticado pelo irmão no caso da venda de ações, e autor do crime de uso de informação privilegiada em relação à compra de dólares.

Pivô do escândalo que resultou na maior crise política do governo de Michel Temer, Joesley está preso desde o último dia 10 de setembro, após suspeitas de que ele teria omitido informações em seus depoimentos às autoridades, o que anularia o acordo de delação e a imunidade garantida por ele.

Já Wesley, diretor-presidente da JBS, foi preso preventivamente três dias mais tarde, justamente devido ao suposto uso de informações privilegiadas para obter lucros no mercado financeiro.

Na ocasião da detenção, os advogados dos irmãos Batista afirmaram, em nota, que a prisão de ambos "no inquérito de insider information é injusta, absurda e lamentável". Eles ainda acusam o Estado brasileiro de utilizar todos os meios para "promover uma vingança contra aqueles que colaboraram com a Justiça".

EK/dw/ots

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