Janaina Paschoal defende afastamento de Bolsonaro | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 16.03.2020
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Brasil

Janaina Paschoal defende afastamento de Bolsonaro

"Como um homem que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão?”, questiona deputada. Outro coautor do pedido de impeachment de Dilma, Miguel Reale Jr., levanta dúvidas sobre a sanidade mental do presidente.

Brasilien Senat - Amts­ent­he­bungs­ver­fah­ren Dilma Rousseff Janaina Paschoal (Reuters/A. Machado)

Deputada chegou a ser cotada em 2018 para ser candidata a vice de Bolsonaro.

A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) defendeu nesta segunda-feira (16/03) em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que o presidente Jair Bolsonaro seja afastado do cargo.

Segundo a deputada, que ganhou notoriedade em 2015 ao figurar como uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro cometeu crime contra a saúde pública ao estimular e participar de manifestações de apoio no último domingo.

 "Não tem mais justificativa. Como um homem que está possivelmente infectado vai para o meio da multidão. Como um homem que faz uma live na quinta e diz para não haver protestos vai participar desses mesmos protestos? (...) Eu me arrependi do meu voto”, disse a deputada, que chegou a ser cotada em 2018 para ser candidata a vice de Bolsonaro.

Paschoal também defendeu que o vice-presidente, Hamilton Mourão, assuma a Presidência e que as lideranças política pressionem Bolsonaro para exigir sua renúncia. Segundo ela, não há tempo pra um processo de impeachment. "Esse senhor (Bolsonaro) tem que sair da Presidência. Deixa o Mourão, que entende de defesa. Nosso país está entrando em guerra contra um inimigo invisível”, disse, em referência à pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 200 pessoas no Brasil.

"As autoridades têm que se unir e pedir para ele se afastar. Não temos tempo para um processo de impeachment”, completou.

A deputada também dirigiu críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Segundo ela, Doria não tem tomado  medidas suficientes para conter o coronavírus. "Se houver um colapso no sistema de saúde em São Paulo, o governador deve perder o cargo", completou.

Janaina não foi a única autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff que criticou Bolsonaro. No mesmo dia, o jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. levantou dúvidas sobre a sanidade do presidente em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo.

De acordo com Reale Jr., o presidente deveria ser submetido a uma junta médica para a realização de um exame sobre seu estado de saúde mental.

"Seria o caso de submetê-lo a uma junta médica para saber onde o está o juízo dele. O Ministério Publico pode requerer um exame de sanidade mental para o exercício da profissão. Bolsonaro também está sujeito a medidas administrativas e eventualmente criminais. Assumir o risco de expor pessoas a contágio é crime", disse o jurista, em referência às manifestações.

A participação de Bolsonaro na manifestação de domingo ocorreu dois dias depois de o próprio presidente ter figurado entre casos de suspeita da doença após mais de uma dezena de pessoas, entre elas membros da comitiva que recentemente o acompanhou em viagem aos EUA, ter testado positivo para o vírus Sars-Cov-2.

Na última sexta-feira, o Planalto informou que o teste de Bolsonaro havia dado negativo, mas ainda persistem dúvidas sobre o resultado, já que o presidente não apresentou nenhuma comprovação e anunciou logo depois que seria submetido a um terceiro teste nesta semana. Nesta segunda-feira, Bolsonaro tossiu várias durante uma entrevista ao apresentado Luiz Datena. Questionado sobre a tosse, o presidente afirmou que tinha refluxo.

Além de ter estimulado aglomerações no último domingo, contrariando recomendações do próprio Ministério da Saúde, Bolsonaro também vem minimizando a pandemia. Nesta segunda-feira, ele disse que a crise "não é tudo isso que dizem” e que a epidemia da doença na China, país que registrou os primeiros casos, está "praticamente acabando”.

"Foi surpreendente o que aconteceu na rua. Até com esse superdimensionamento. Tudo bem que vai ter problema. Vai ter. Quem é idoso e está com problema ou deficiência. Mas não é isso tudo que dizem. Até que na China já está praticamente acabando”, afirmou Bolsonaro nesta segunda, um dia após os protestos, que difundiram mensagens anticonstitucionais contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

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