Israelenses, palestinos e a busca por um mediador | Notícias internacionais e análises | DW | 08.12.2017
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Oriente Médio

Israelenses, palestinos e a busca por um mediador

Após decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, processo de paz é visto como "enterrado". Caso seja reiniciado, ainda não se sabe quem poderá mediá-lo. Os EUA continuam sendo candidatos.

Protesto em Gaza contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel por Trump

Protesto em Gaza contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Na semana passada, uma delegação enviada pelo líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, já havia advertido Jared Kushner, cunhado e assessor de Donald Trump, de que a decisão do presidente americano dereconhecer Jerusalém como capital israelenseiria minar as negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Abbas alertou que, se a transferência da embaixada americana de Tel Aviv para a cidade disputada se concretizasse, os palestinos não veriam mais Washington como um "mediador honesto".

Leia também:Perguntas e respostas sobre o status de Jerusalém

Trump oficializou sua decisão na última quarta-feira (06/12). Com isso, os americanos "enterraram" o processo de paz, disse o líder do movimento palestino Hamas, Ismail Haniyeh, durante um discurso em Gaza, acrescentando que a decisão foi uma "declaração de guerra" contra os palestinos.

A ativista palestina Hanan Ashrwai afirmou que a decisão de Trump "acaba com a farsa de que os EUA podem ser um mediador imparcial".

Influência necessária

"O processo de paz realmente fracassou? Que processo de paz?", indagou o jornal israelense The Jerusalem Post em editorial. O periódico aponta que, de qualquer forma, nos últimos três anos não houve mais nenhuma negociação e que a decisão de Trump não somente não melhoraria as negociações de paz, mas também prejudicaria os interesses estratégicos e diplomáticos dos Estados Unidos. 

Mas tudo isso não muda nada no fato de os EUA continuarem a ser mediadores indispensáveis na região, acrescentou The Jerusalem Post. "Se um dia houver negociações sérias, os palestinos precisarão dos EUA, porque nenhum outro país tem a influência necessária sobre Israel para apoiar a conclusão de um acordo", escreveu o diário.

Ismail Haniyeh, líder do Hamas

Decisão de Trump é "declaração de guerra a palestinos", disse Ismail Haniyeh, líder do Hamas

O poder político e militar é o fator mais importante nas negociações de paz. O cientista político Gil Murciano ressalta que, tanto no passado quanto no presente, houve iniciativas sérias e bem-sucedidas que não partiram dos EUA. Isso inclui a visita do então presidente egípcio, Anwar al-Saddat, a Jerusalém, em 1977, e os Acordos de Oslo de 1993, por exemplo.

De acordo com Murciano, os EUA são, no entanto, indispensáveis ​​para futuras iniciativas. "Porque, infelizmente, os americanos ainda são os únicos que têm poder suficiente para adotar a política de punição e recompensa. Somente eles são capazes de fornecer as necessárias garantias de segurança."

Apesar da retirada da região, os EUA continuam a ser um parceiro importante – especialmente para Israel e, assim, indiretamente também para os palestinos. Pelo simples motivo de que não existem outros potenciais mediadores.

A Rússia, um dos novos atores-chave na região desde a guerra da Síria, está fora de questão para o papel, disse Murciano, explicando que falta ao país outra condição indispensável: confiabilidade.

De acordo com o cientista político, para conduzir as negociações, o mediador precisa ter a confiança de ambas as partes. Murciano disse acreditar que, no entanto, Moscou não preenche esse pré-requisito, pois especialmente os últimos meses fizeram com que Israel ficasse bastante cético em relação à Rússia. Isso porque, durante a guerra na Síria, os russos não puderam reduzir de forma convincente a influência do Irã no país em conflito – e assim junto à fronteira com Israel.

O movimento xiita Hisbolá se encontra nas Colinas de Golã, ao lado do território israelense, "e isso abalou fortemente a confiança dos israelenses", apontou Murciano.

UE irrelevante

E a Europa ou a União Europeia (UE)? Para o cientista político, o bloco europeu também está fora de questão, observando que certamente a UE apoia o processo de paz – mas ela não dá nenhum impulso significativo.

Assistir ao vídeo 01:16

Cisjordânia vive dia de protestos contra decisão de Trump

Quando John Kerry, então secretário de Estado dos EUA, quis reiniciar as conversas entre israelenses e palestinos em 2011, cogitando também um congelamento dos assentamentos de Israel na Cisjordânia, a UE realmente apoiou esse processo. O bloco europeu prometeu aos dois parceiros de negociação uma parceria privilegiada, caso chegassem a um acordo.

Murciano ressaltou, porém, que nesse contexto a União Europeia nunca foi um ator independente, nunca mostrou motivação ou poder de negociação, nem qualquer posição própria ou cenário em que as conversas poderiam ter ocorrido. "É por isso que a UE não é relevante para o processo de paz", avaliou o cientista político.

A hora dos demagogos

É claro que, se o processo de paz se reiniciar, ele deverá ser mais difícil do que nunca. Pois devido à guerra na Síria, a situação estratégica de Israel tornou-se consideravelmente mais difícil. O país vê-se mais do que nunca ameaçado pelo Irã.

Teerã percebeu logo que o uso propagandístico que poderia ser feito da decisão do presidente dos Estados Unidos. "Os muçulmanos devem permanecer unidos contra essa grande conspiração", declarou o presidente iraniano, Hassan Rohani, ainda antes da respectiva declaração de Trump. Suas palavras devem ter encontrado ouvidos, mesmo no mundo sunita.

Como a situação vai se desenvolver, se vai se acirrar ou se acalmar, irá depender muito das declarações dos responsáveis ​​nos próximos dias. Parece estar claro que as conversações de paz devem ser retomadas. A questão é quem será capaz de mediá-las. Apesar de todo o desagrado, no final, essa escolha poderá recair mais uma vez sobre os EUA.

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