Iraniano ″There is no evil″ é melhor filme no Festival de Berlim | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 29.02.2020

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Cinema

Iraniano "There is no evil" é melhor filme no Festival de Berlim

Urso de Ouro vai para o longa do diretor Mohammad Rasoulof, crítico do regime em Teerã e proibido de deixar o país. Com 19 filmes selecionados e presença recorde na 70ª Berlinale, Brasil é premiado em mostras paralelas.

Na ausência do diretor Mohammad Rasoulof, a atriz Baran Rasoulof recebe o Urso de Ouro neste sábado

Na ausência do diretor Mohammad Rasoulof, a atriz Baran Rasoulof recebe o Urso de Ouro neste sábado

O filme iraniano There is no evil, de Mohammad Rasoulof, foi o vencedor do cobiçado Urso de Ouro na 70ª edição do Festival de Cinema de Berlim neste sábado (29/02). O longa concorria com outras 17 produções, incluindo o brasileiro Todos os mortos, de Caetano Gotardo e Marcos Dutra.

There is no evil é um filme sobre liberdade individual num país governado por um regime autoritário e que exerce a pena de morte. Ao fazer esse longa, Rasoulof driblou uma proibição vitalícia de filmar imposta contra ele.

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Conheça os vencedores da Berlinale 2020

Crítico ferrenho do regime islâmico em Teerã, o diretor não compareceu ao festival na capital alemã. Ele é também proibido de deixar o Irã e foi condenado a um ano de prisão em 2017.

Em There is no evil, Rasoulof usa quatro histórias tragicamente conectadas para expor seu caso contra a pena de morte no país, e mostra como a vida sob regimes opressivos se resume a uma escolha entre resistir e sobreviver.

O filme foi escolhido pelo júri internacional da Berlinale, presidido pelo ator britânico Jeremy Irons e formado por seis jurados, entre eles o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, autor de filmes aclamados pela crítica como Aquarius (2016) e Bacurau (2019).

Também fizeram parte do júri a diretora palestina Annemarie Jacir, a atriz argentina Bérénice Bejo, a produtora alemã Bettina Brokemper, o cineasta americano Kenneth Lonergan e o ator italiano Luca Marinelli.

Os principais premiados:

Urso de Ouro de melhor filme: Sheytan vojud nadarad (There is no evil), de Mohammad Rasoulof.

Urso de Prata/Prêmio Especial do Júri: Never rarely sometimes always, de Eliza Hittman.

Urso de Prata/70ª Berlinale para "filme que abre novas perspectivas": Effacer l'historique (Delete history), de Benoît Delépine e Gustave Kervern.

Urso de Prata de melhor diretor: Sang-soo Hong, por Domangchin yeoja (The woman who ran).

Urso de Prata de melhor atriz: Paula Beer, em Undine, de Christian Petzold.

Urso de Prata de melhor ator:  Elio Germano, em Volevo nascondermi (Hidden away), de Giorgio Diritti.

Urso de Prata de melhor roteiro: Favolacce (Bad tales) dos irmãos D'Innocenzo.

Urso de Prata de "desempenho artístico excepcional": Jürgen Jürges, pela fotografia de DAU. Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy e Jekaterina Oertel.

Brasil premiado na Berlinale

O Brasil teve presença recorde na Berlinale deste ano, com 19 filmes selecionados e alguns prêmios. Na sexta-feira, o longa Meu nome é Bagdá ganhou o prêmio do júri de melhor filme na mostra Generation, dedicada ao público infanto-juvenil.

Dirigido por Caru Alves de Souza, a obra retrata o cotidiano da jovem skatista Bagdá, interpretada por Grace Orsato, na cidade de São Paulo. O júri afirmou que foi unânime na escolha do vencedor.

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"Meu nome é Bagdá": o cotidiano de uma adolescente skatista na periferia de São Paulo

Ao argumentar a decisão, o júri disse ser impossível "não ser conquistado pela protagonista e sua comunidade e, da mesma maneira, era impossível esquecer o auge glorioso e poderoso deste filme". "É uma prova de que a vida pode não nos proporcionar milagres, mas podemos superar todos os obstáculos se seguirmos nossa paixão", acrescentou.

Segundo Caru Alves de Souza, Meu nome é Bagdá "é um filme sobre solidariedade entre mulheres e sobre as dificuldades que elas enfrentam no dia a dia".

Neste sábado, o país também levou um prêmio, mas com uma coprodução, Chico ventana también quisiera tener un submarino, do uruguaio Alex Piperno, premiada pelo júri independente.

O primeiro longa-metragem de Piperno é uma história com um toque de realismo mágico, que conecta mundos e pessoas transgredindo as leis do tempo e do espaço. O filme estreou na seção Fórum da Berlinale e levou o prêmio do júri dos leitores do jornal Tagesspiegel.

Coproduzido entre Uruguai, Argentina, Brasil, Holanda e Filipinas, a obra conta a história de um membro da tripulação de um cruzeiro turístico na Patagônia, que descobre um portal mágico ligando o navio ao apartamento de uma mulher em Montevidéu, capital uruguaia.

Ao mesmo tempo, um grupo de homens descobre uma cabana de concreto perto de sua pequena vila nas Filipinas, o que começa a preocupar alguns dos moradores. O filme entrelaça essas duas histórias num labirinto cinematográfico e contemplativo, com um final que revela o quebra-cabeça.

"Em imagens nítidas e bonitas, o filme de Alex Piperno funde realidade e ficção de uma maneira divertida. Nas diversas paredes e fronteiras do nosso mundo, ele encontra portas e passagens meio sonhadoras, meio reflexivas e aparentemente impossíveis", disse o júri ao justificar a escolha.

"O filme combina queixa e estética de uma forma excelente, e clama por abertura: a cooperação global só será bem-sucedida se nós atravessarmos portas", completou.

Na mostra competitiva Encounters, que visa fomentar trabalhos "esteticamente ousados" e que possam trazer novas abordagens para o cinema, o Brasil concorreu ainda com Los conductos, do diretor Camilo Restrepo, feito em coprodução com França e Colômbia. A obra levou o prêmio GWFF de melhor filme de estreia.

Outros filmes selecionados

Além de Todos os mortos concorrendo ao Urso de Ouro, o país veio forte, com cinco filmes, na mostra Panorama – a segunda mais importante e a única a ter uma premiação definida pelo público. Uma das obras foi Nardjes A., do premiado cineasta Karim Aïnouz, um documentário sobre uma jovem ativista que luta pela democracia na Argélia.

O reflexo do lago, de Fernando Segtowick, mostra a vida dos que moram, sem energia elétrica, nos arredores de uma das maiores hidrelétricas da Amazônia, sob um olhar ambientalista.

Ainda na Panorama, o diretor Matias Mariani trouxe em Cidade pássaro a história de um músico que deixa a Nigéria para procurar o irmão desaparecido em São Paulo.

Completaram a seleção Vento seco, de Daniel Nolasco, e a coprodução Un crimen común, dirigida pelo argentino Francisco Márquez.

Na seção Generation, além de Meu nome é Bagdá, o Brasil apresentou outros três filmes. Entre eles, Alice Júnior, de Gil Baroni: uma ficção divertida sobre uma youtuber trans, que já passou por festivais no Brasil.

A Berlinale é um dos festivais de cinema internacionais mais importantes do mundo ao lado de Cannes e Veneza. Em 2020, foram exibidos na capital alemã 340 filmes produzidos por 71 países.

EK/ots

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