Irã viola acordo nuclear e reforça enriquecimento de urânio | Notícias internacionais e análises | DW | 07.09.2019
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Mundo

Irã viola acordo nuclear e reforça enriquecimento de urânio

Órgão nuclear iraniano anuncia dezenas de centrífugas avançadas para elevar reservas de urânio enriquecido, contrariando compromissos do pacto de 2015. Alvo de sanções dos EUA, país pressiona europeus a salvarem acordo.

Usina nuclear em Bushehr, no sudoeste do Irã

Após EUA abandonarem pacto, esta é a terceira vez que Teerã anuncia medidas que violam compromissos firmados em 2015

A Agência de Energia Atômica do Irã (AEAI) anunciou neste sábado (07/09) que ativou dezenas de centrífugas avançadas a fim de aumentar suas reservas de urânio enriquecido, reduzindo ainda mais os compromissos firmados pelo país no acordo nuclear internacional de 2015.

"Começamos a abandonar as limitações à nossa pesquisa impostas pelo acordo. Isso inclui o desenvolvimento de centrífugas mais rápidas e avançadas", informou o porta-voz da agência nuclear iraniana, Behrouz Kamalvandi.

Segundo ele, Teerã tem o direito de reduzir seus compromissos porque outros signatários do pacto nuclear não estão cumprindo suas respectivas obrigações. "O Irã só reverterá seus passos se a outra parte cumprir os seus compromissos do acordo", afirmou.

O pacto de 2015, assinado por Irã, Estados Unidos, Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia, além da União Europeia (UE), estabeleceu limites ao programa nuclear iraniano, em troca de alívios econômicos ao país. Com a saída dos EUA do acordo no ano passado, contudo, essas sanções foram reimpostas ao Irã, que também passou a reduzir seus compromissos.

Neste sábado, Kamalvandi fez um alerta a governos da Europa para que ajam rápido caso tenham interesse em salvar o acordo nuclear. "Os países europeus devem saber que não resta muito tempo. Se houver alguma ação a ser tomada, isso deve ser feito o mais rápido possível", afirmou o porta-voz. "Quanto mais progredimos, mais difícil será de reverter."

As autoridades do Irã exigem principalmente que a Europa facilite suas exportações de petróleo ou que conceda ao país islâmico uma linha de crédito para compensar as sanções reimpostas pelos Estados Unidos, sob o presidente Donald Trump.

Sob o pacto nuclear, Teerã havia se comprometido a reduzir em dois terços o número de centrífugas de enriquecimento de urânio, bem como a utilizar apenas as centrífugas de primeira geração (IR-1), que são menos avançadas.

Agora, segundo Kamalvandi, foram reativadas dezenas de novas centrífugas mais avançadas, sendo 20 do tipo IR-4 e outras 20 IR-6. O porta-voz da AEAI acrescentou que não se trata de "uma violação do acordo, mas uma retificação".

Ele ainda garantiu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) continuará a supervisionar o programa iraniano e já foi informada das novas medidas do país.

Em resposta às sanções americanas, o Irã começou, em julho, a enriquecer urânio a 4,5%, acima dos 3,67% permitidos pelo acordo de 2015. Além disso, o país superou em 60 quilos o limite de armazenamento desse material, estipulado anteriormente em 300 quilos. Assim, o anúncio deste sábado entra na lista como o terceiro passo de Teerã contrário a seus compromissos com o pacto.

Kamalvandi garantiu que as centrífugas serão desenvolvidas para satisfazer as demandas do Irã, mas que por enquanto o país não enriquecerá urânio a 20%. Segundo ele, Teerã possui "a capacidade interna de enriquecer a 20% ou mais", mas atualmente não necessita dessa pureza.

O diretor-geral da agência internacional AIEA, Cornel Feruta, viaja ao Irã neste fim de semana, quando se reunirá com altos funcionários do governo iraniano. A visita coincide com as novas medidas adotadas pelo país de redução dos compromissos no âmbito nuclear.

EK/afp/ap/efe

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