Inteligência alemã classifica Pegida como extremista e inconstitucional | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 07.05.2021

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Alemanha

Inteligência alemã classifica Pegida como extremista e inconstitucional

Movimento xenófobo e anti-islã será vigiado na Saxônia por representar ameaça à democracia e dar voz a extremistas. Grupo conhecido pelos protestos em massa durante a crise dos refugiados vem perdendo popularidade.

Bandeiras da Alemanha e de grupos de extrema direita em protesto do Pegida em Dresden. O Pegida realizar protestos contra a imigração e o Islã desde 2014.

O Pegida realizar protestos contra a imigração e o Islã desde 2014.

Os serviços de inteligência do estado da Saxônia, na Alemanha, informaram nesta sexta-feira (07/05) que será ampliada a vigilância sobre o movimento xenófobo e anti-islã Pegida. As autoridades consideram que o grupo se tornou anticonstitucional e extremista.

O Departamento Estadual para de Proteção à Constituição (LfV) da Saxônia, estado onde o Pegida surgiu, afirma ter provas suficientes de que, nos últimos anos, o grupo se tornou um "movimento comprovadamente extremista”. Essas classificações permitem aos serviços de inteligência monitorar as atividades de seus integrantes. 

O Pegida – sigla em alemão para "Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente" – se tornou conhecido por realizar semanalmente protestos contra a imigração e o Islã em Dresden e, posteriormente, em outras cidades do país, desde 2014.

As manifestações ganharam impulso durante a crise dos refugiados de 2015, quando o governo da chanceler federal Angela Merkel permitiu a chegada ao país de centenas de milhares de pessoas em busca de refúgio, muitas das quais fugiam de conflitos em países como Síria e Iraque.

No auge de sua popularidade, o movimento reunia dezenas de milhares de pessoas, mas vinha perdendo público nos últimos anos.

O surgimento do Pegida coincidiu com a ascensão do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que conseguiu eleger representantes para o Bundestag (Parlamento alemão) em 2017, ao priomover uma plataforma anti-imigração.

 Os serviços de inteligência afirmam que o Pegida fornece a extremistas de direita meios de disseminar propaganda antidemocrática para o cerne da sociedade o que, no longo prazo, pode constituir uma séria ameaça à ordem social democrática.   

"Ao oferecer regularmente para os extremistas de direita uma plataforma de propagação de ideologias ainticonstitucionais, esse movimento age como articulação entre extremistas e não extremistas”, afirmou o presidente do LfV, Dirk-Martin Christian.

Ele afirma que "todas as pessoas e atividades” do grupo serão colocadas sob vigilância, com a exceção daqueles que participam de manifestações pacíficas. O Pegida já foi declarado como extremista e colocado sob vigilância em outros estados alemães, como a Baviera.

A inteligência alemã monitora diversos grupos e indivíduos de correntes políticas diferentes, suspeitos de manter posições extremistas. O Departamento de Proteção à Constituição (BfV), que atua em nível federal, chegou a colocar a AfD sob monitoramento por representar ameaças à democracia. 

Há duas semanas, O BfV colocou o movimento de negacionistas do coronavírus Querdenker  ("pensamento lateral”) sob vigilância. As autoridades consideram que partes do grupo constituem ameaça por questionarem a legitimidade do Estado alemão.

O movimento é um dos principais responsáveis por uma série de protestos ocorridos nos últimos meses no país contra as medidas de restrição social na pandemia.

rc (AFP, DPA)

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