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Chamas enormes e fumaça encobrem abrigos em incêndio em campos de refugiados da etnia rohingya em Bangladesh.
Incêndio atinge campo de refugiados da etnia rohingya em BangladeshFoto: Str/REUTERS
SociedadeBangladesh

Incêndio atinge campo de refugiados rohingya em Bangladesh

22 de março de 2021

Fogo destrói centenas de abrigos, e pelo menos 20 mil migrantes são forçados a fugir às pressas do local. Há relatos de várias mortes, ainda não confirmadas pelas autoridades.

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Um incêndio de grandes proporções devastou um campo de refugiados da etnia rohingya em Bangladesh nesta segunda-feira (22/03), resultando na destruição de vários abrigos e na possível morte de um grande número de pessoas.

As chamas se espalharam rapidamente no campo de Balukhali, na região de Cox's Bazar, destruindo moradias improvisadas e barracões. Este foi o terceiro incêndio no local em apenas quatro dias. Relatos iniciais afirmam que ao menos 20 mil pessoas tiveram de fugir do local às pressas.

O incêndio teria começado em um dos blocos do campo e depois se espalhado para outros. A causa das chamas ainda não é conhecida, segundo autoridades.

Refugiados no local disseram que muitos abrigos foram incendiados e várias pessoas morreram, mas nem as autoridades nem o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) confirmaram o número de mortes.

Uma avaliação inicial dos danos estima que mais de 900 abrigos, que acolhiam cerca de 7.400 pessoas, foram destruídos, enquanto o fogo ainda se espalhava pelo local. O governo de Bangladesh afirmou que as autoridades fazem o possível para controlar as chamas.

Mohammad Yasin, um rohingya que ajudava a conter o fogo, disse à agência de notícias AFP que esse foi o pior incêndio a assolar o local desde 2017.

Uma voluntária da ONG Save the Children, Tayeba Begum, contou que "as pessoas gritavam e corriam de um lado para outro, e crianças também corriam e choravam por suas famílias".

Perseguição e violência

O campo de Balukhali abriga quase 1 milhão de membros da minoria étnica muçulmana. Desde agosto de 2017, centenas de milhares de rohingyas deixaram Mianmar e se refugiaram no país vizinho Bangladesh, fugindo da perseguição de militares e de milícias budistas.

Suspeita-se que milhares de pessoas tenham sido mortas, e milhares de casas, queimadas. Membros da minoria relatam ainda uma série de estupros e outras atrocidades contra civis.

O governo democraticamente eleito de Mianmar nega as acusações e afirma que suas forças de segurança estavam apenas se defendendo de um ataque cometido por um grupo insurgente rohingya no estado de Rakhine.

Atualmente, a nação do Sudeste Asiático vem sendo abalada por uma série de manifestações desde que a chefe de governo, Aung San Suu Kyi, foi deposta e presa durante um golpe militar  ocorrido em 1º de fevereiro. Centenas de milhares participam de protestos e várias centenas de pessoas foram presas.

rc/ek (AFP, Reuters)

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