Governo federal proíbe queimadas por 120 dias | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 16.07.2020

Conheça a nova DW

Dê uma olhada exclusiva na versão beta da nova DW. Sua opinião nos ajudará a torná-la ainda melhor.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Brasil

Governo federal proíbe queimadas por 120 dias

Decreto vale sem exceções para Amazônia Legal e Pantanal. Após pressão de investidores estrangeiros preocupados com política ambiental, medida é mais uma tentativa do governo de melhorar imagem do país no exterior.

Queimadas na Floresta Amazônica

Junho teve o maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos

Como anunciado na semana passada, o governo federal proibiu nesta quinta-feira (16/07) as queimadas para fins agrícolas em todo o país por 120 dias, em especial na Amazônia Legal e no Pantanal, em mais uma tentativa de conter os impactos negativos à imagem do Brasil no exterior.

O decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro foi publicado no Diário Oficial da União. Ficam de fora da proibição as queimadas controladas em áreas não localizadas na Amazônia Legal e no Pantanal "quando imprescindíveis à realização de práticas agrícolas, desde que autorizadas previamente pelo órgão ambiental estadual", diz o texto.

Em reunião com fundos de investimento estrangeiros na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, havia prometido que o governo editaria o decreto até esta semana.

"Neste ano o presidente determinou que se fizesse um estudo de viabilidade para a suspensão por 120 dias das queimadas: na Amazônia e no Pantanal sem exceções, e nos demais biomas com as exceções previstas em lei. O texto deve estar pronto para assinatura na próxima semana", afirmou Salles na ocasião.

Na mesma reunião, o vice-presidente Hamilton Mourão, que preside o Conselho da Amazônia, afirmou que os investidores estrangeiros esperam ver resultados da política ambiental brasileira antes de retomar os investimentos.

"É óbvio: eles querem ver resultado. E qual é o resultado que podemos apresentar? É que haja efetivamente uma redução do desmatamento", disse Mourão após a reunião, que reuniu fundos da Holanda, Japão, Noruega, Reino Unido e Suécia.

O encontro foi motivado por uma carta que o governo recebera de executivos de grandes empresas brasileiras e estrangeiras, que cobraram ações concretas de combate ao desmatamento no país.

Nesta quarta-feira, Mourão voltou ao tema e prometeu adotar as "medidas possíveis" para conter a desmatamento na Amazônia. "Seremos avaliados pela eficácia de nossas ações e não pela nobreza de nossas intenções", disse.

Ele disse que, se necessário, o governo pode manter as Forças Armadas em operação contra o desmatamento e as queimadas na Amazônia até o fim de 2022, quando termina o atual mandato presidencial. "A operação é uma medida urgente, mas não é um esforço isolado. As ações estão sendo ampliadas para evitar as queimadas durante o verão amazônico, que já começou e se estende até setembro", afirmou.

A política ambiental do governo de Jair Bolsonaro tem recebido críticas constantes de atores internacionais, especialmente após as queimadas na Floresta Amazônica no ano passado. Segundo a imprensa brasileira, a imagem deteriorada do Brasil no exterior passou a preocupar o Planalto, que teme uma fuga de investimentos no país.

Na cúpula do Mercosul no início do mês, Bolsonaro disse que o governo está dialogando com diversos interlocutores "para desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil e expor as ações que tem tomado em favor da proteção da Floresta Amazônica e do bem-estar da população indígena".

Diante das críticas, o governo brasileiro tenta melhorar sua imagem no exterior em relação à proteção da Amazônia e dos povos indígenas.

O desmatamento na Amazônia brasileira aumentou pelo 14º mês consecutivo em junhoe foi o maior registrado para o mês nos últimos cinco anos, segundo dados do Inpe.

A destruição da floresta aumentou 10,6% em relação a junho de 2019, atingindo 1.034 km². Em relação a junho de 2018, a alta foi de 112%, e a junho de 2017, de 70%.

Quando considerados os seis primeiros meses de 2020, o desmatamento aumentou 25% em relação ao mesmo período do ano passado, para 3.069 km².

O Brasil também encerrou o mês de junho com o maior número de focos de queimadas na Amazônia dos últimos 13 anos

AS/ots
______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube 
App | Instagram | Newsletter

Leia mais