Governo diz que trará de volta brasileiros em área de coronavírus na China | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 03.02.2020
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Brasil

Governo diz que trará de volta brasileiros em área de coronavírus na China

Ministérios da Defesa e Itamaraty dizem que cidadãos que estão na cidade chinesa de Wuhan, epicentro da doença, poderão voltar ao Brasil e ficarão em quarentena. Brasileiros haviam pedido ajuda para sair da China.

Brasileiros em Wuhan fazem vídeo com apelo ao governo brasileiro para retirada de cidadãos da China

Os brasileiros lembram que, diante do surto, vários países já começaram operações de retirada de seus cidadãos

Em nota expedida neste domingo (02/02), os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores do Brasil confirmaram a repatriação dos brasileiros na cidade chinesa de Wuhan, na província central de Hubei, epicentro do surto do novo coronavírus. O surto já soma mais de 17 mil infectados e 361 mortos, a grande maioria em território chinês.

"O governo brasileiro adota todas as medidas necessárias para trazer de volta ao Brasil os cidadãos brasileiros que se encontram na província de Hubei, especificamente na cidade de Wuhan, na China, região de origem da epidemia do coronavírus. Serão trazidos todos os brasileiros que se encontram naquela região e que manifestarem desejo de retornar ao Brasil", diz comunicado do Itamaraty.

"Assim que chegarem ao Brasil, eles deverão ser submetidos a quarentena, de acordo com procedimentos internacionais, sob a orientação do Ministério da Saúde", prossegue a nota assinada em conjunto pelos dois ministérios.

O presidente Jair Bolsonaro vinha rejeitando uma possível repatriação de brasileiros, nos moldes das operações implementadas por outros países, e também descartando o envio de aviões da Força Aérea à China.

Na sexta-feira, o presidente dissera que não mandaria buscar cidadãos até que o Congresso promova uma lei que garanta a proteção dos brasileiros que estão no Brasil, incluindo a garantia de que cidadãos retornados passem por uma quarentena.

"Se não tiver redondinho no Brasil, não vamos buscar ninguém. A intenção do presidente não vai buscar ninguém. Quem quer vir para cá tem que se submeter aos trâmites de proteção dos 210 milhões que estão aqui", afirmou Bolsonaro.

Apelo pelo YouTube

Antes do comunicado dos ministérios anunciando a repatriação dos brasileiros na província de Hubei que manifestarem esse desejo, um grupo de brasileiros na China gravou um vídeo para apelar ao governo de Jair Bolsonaro por auxílio na retirada de cidadãos do país em meio ao surto do novo coronavírus.

O vídeo foi publicado também neste domingo no YouTube e mostra cerca de 15 brasileiros que se dizem residentes na cidade chinesa de Wuhan. Eles garantem que nenhum deles está infectado com o vírus e se dizem dispostos a permanecer em quarentena quando retornarem ao Brasil.

Durante seis minutos, o grupo lê uma carta-aberta datada de 30 de janeiro, destinada ao presidente Bolsonaro e ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

"Escrevemos-lhes esta carta para solicitar o auxílio do governo brasileiro no retorno ao nosso país. Somos homens, mulheres e crianças de vários estados e regiões do Brasil. Estudantes e trabalhadores, indivíduos e famílias de brasileiros na China."

Os brasileiros lembram que, diante do surto, vários países já começaram operações de retirada de seus cidadãos da região de Wuhan, com cooperação do governo local. Entre eles estão Alemanha, França, Reino Unido, Coreia do Sul, Índia, Turquia, Indonésia e Arábia Saudita.

"Isso demonstra que o governo chinês está aberto a ações desse tipo, e que não há, portanto, nenhum impedimento oficial, em nível local ou nacional, à repatriação de cidadãos brasileiros", diz um homem no vídeo.

"Esperamos que, como presidente da República Federativa do Brasil e na qualidade de representante máximo da diplomacia brasileira, vossas excelências nos deem todo o apoio de que precisamos neste momento de dificuldade", afirma uma mulher, pleiteando a repatriação.

Eles ainda deixam claro que, no momento em que a carta foi escrita, não havia qualquer caso de contaminação comprovada ou sintomas de infecção por coronavírus entre os brasileiros que assinam o documento.

O grupo também se diz "plenamente disposto" a passar pelo período de quarentena e observação após a chegada ao Brasil, além de "cooperar com o governo brasileiro a fim de prevenir o avanço da doença".

"Cientes de nossos direitos e deveres como cidadãos brasileiros, aguardamos uma resposta rápida e eficiente nesse momento de urgência", conclui uma criança nas imagens. O vídeo termina com cada um deles repetindo a frase "Brasil, a casa de todos nós".

Segundo dados oficiais, cerca de 11 mil brasileiros vivem atualmente na China e aproximadamente 40 deles estão na região de Wuhan.

O Brasil ainda não registrou nenhum caso confirmado de infecção por coronavírus. Segundo informou o Ministério da Saúde neste sábado, o número de casos suspeitos aumentou de 12 para 16, enquanto outros dez foram descartados pelas autoridades de saúde.

São Paulo concentra metade dos casos suspeitos, enquanto o Rio Grande do Sul tem quatro, Santa Catarina, dois, Paraná, um, e Ceará, um.

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