FMI reduz previsão de crescimento da economia mundial | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 24.01.2012
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Economia

FMI reduz previsão de crescimento da economia mundial

Fundo Monetário Internacional baixou para 3,3% a previsão de expansão da economia global em 2012. Enquanto economia da zona do euro deve recuar 1,2%, China deve liderar crescimento a taxas de 8% nos próximos anos.

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FMI vê recuperação da economia ameaçada

A recuperação da economia mundial está ameaçada, segundo a análise do Fundo Monetário Internacional, FMI. Esse é o motivo que levou a instituição a reduzir a previsão de crescimento para 3,3%, ou seja, 0,7 ponto percentual abaixo da estimativa divulgada em setembro último.

"Isso se deve principalmente ao fato de que aguardamos uma branda recessão na Europa no decorrer do ano", justificou Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, durante o anúncio feito em Washington nesta terça-feira (24/01). O rápido crescimento dos emergentes também vai desacelerar, previu Blanchard, "porque tanto as condições externas como a demanda interna devem piorar".

Ainda assim, o relatório prevê que o Brasil registre em 2012 um crescimento de 3%, um ponto percentual abaixo da projeção para 2013. A China deve liderar o crescimento econômico no mundo, com índices estimados em 8,2% e 8,8% para 2012 e 2013, respectivamente. O motor do mundo nos próximos anos serão os países emergentes – apesar de a edição revisada do World Economic Outlook ter baixado a expectativa de expansão destes de 6,75% para 5,75%.

"A recuperação global está estagnada e o risco de declínio aumenta", sublinhou o economista. Para ele, não há dúvidas sobre o motivo dessa piora no cenário: a crise da dívida na zona do euro. "Os desafios políticos imediatos para a zona do euro são recuperar novamente a confiança dos mercados e acabar com a crise na região", comentou Blanchard.

Freada na expansão

O FMI vê dois obstáculos ao crescimento na zona do euro. O primeiro deles está ligado ao fato de que muitos países são forçados a reestruturar seus orçamentos e reduzir a dívida. Mas se para isso forem adotadas medidas extremas, elas podem frear o crescimento da economia. No entanto, nem todas as nações que adotam a moeda comum estão na mesma situação: muitas ainda estão em condição mais confortável e deveriam trabalhar numa consolidação mais lenta, a fim de não colocar a economia em risco.

O segundo obstáculo diz respeito aos bancos, que deveriam se fortalecer contra a crise e se equipar com mais capital próprio. Isso, no entanto, não deveria ser alcançado com uma limitação na concessão de créditos pelos bancos. O FMI sugere o contrário: deveria ser feito de tudo para evitar consequências sobre o mercado. Por esse motivo, o Banco Central Europeu deveria assegurar liquidez suficiente e prosseguir com seu programa de compra de títulos do governo, sugere a instituição.

Perigo de contágio

Os Estados Unidos devem crescer apenas 1,8%, prevê o FMI, enquanto a economia na zona do euro deve encolher 0,5%. Esse panorama deve também impactar os emergentes, acredita Oliver Blanchard. "Eles já foram afetados. Quando a economia nos países industrializados tem problemas, o comércio com os emergentes diminui e eles exportam menos."

Essa lógica já pode ser notada. A insegurança financeira também é outro fator: "Os emergentes terão que lidar com um fluxo de caixa bastante flutuante. Isso talvez não seja catastrófico, mas o problema virá", comentou o economista.

Segundo o relatório do FMI, a economia nos países desenvolvidos deverá crescer em média 1,5% neste ano e no próximo. A taxa é considerada muito pequena para combater com eficiência o desemprego após a profunda recessão da crise de 2009. "Em última instância, precisamos de um crescimento mais forte. Sem essa expansão forte, não se pode fazer muito contra o desemprego. Pode-se atenuá-lo, e isso é importante para apoiar pessoas desempregadas por longo período. Mas precisamos ser realistas: crescimento forte é o único caminho."

Num discurso em Berlim nesta semana, a diretora do FMI, Christine Lagarde, disse que o epicentro dessa desaceleração global, ou seja, a Europa, precisa fortalecer o crescimento e aumentar a integração. E adicionou: outras economias terão um papel importante para restaurar o balanço do crescimento global. O FMI se diz pronto para ajudar os casos mais graves: a instituição planeja aumentar para 500 bilhões de dólares o valor destinado a empréstimos.

Autores: Rolf Wenkel / Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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