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Em busca das origens do universoFoto: ESA/ AOES Medialab; background: Hubble Space Telescope image (NASA/ESA/STScI)

Pesquisa espacial

14 de maio de 2009

Agência Espacial Europeia lança ao espaço os telescópios Herschel, para estudar a formação de planetas, estrelas e galáxias, além do Planck, que tem a missão de procurar vestígios do "big bang".

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A Agência Espacial Europeia (ESA) lançou na manhã desta quinta-feira (14/05), a bordo de um foguete Ariane 5, na Guiana Francesa, dois satélites que, juntos, custaram mais de um bilhão de euros: Herschel e Planck, em homenagem ao astrofísico William Herschel (1738-1822, descobridor da radiação infravermelha) e Max Planck (1858-1947, que formulou a lei sobre a intensidade da radiação emitida por um corpo negro).

Com o satélite Herschel, a Europa literalmente se aproxima das estrelas, assegura Frank Helmich, do centro de pesquisas espaciais da Holanda SRON. "Com um espelho de 3,5 metros de diâmetro, ele é o maior telescópio já enviado ao espaço, maior até do que o Hubble", explica.

Este superlativo está garantido pelo menos até 2013, ano a partir do qual deverá ser lançado o telescópio James Webb, sucessor do Hubble, cujo desenvolvimento também tem participação europeia.

Herschel "vê" infravermelho

Ao contrário do telescópio Hubble, o Herschel não vê através da luz "normal" visível no universo, mas através da radiação térmica ou infravermelha. Uma das câmeras a bordo do Herschel, ou seja, o "olho" do satélite, foi desenvolvida pela equipe coordenada por Albrecht Poglitsch, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, de Garching, próximo a Munique.

Ver o "invisível"

ESA Bildergalerie
Espelho primário do Herschel tem 3,5m de diâmetroFoto: ESA

Se até agora os astrônomos podiam apenas supor o que acontece por trás das nuvens de gás frio e da poeira cósmica, o telescópio Herschel lhes poderá fornecer informações precisas, pois a radiação infravermelha penetra através das massas de poeira. "Queremos saber primordialmente como se formam estrelas a partir de nuvens de gás e poeira, como a matéria se choca com um buraco negro e quais os processos daí decorrentes."

O telescópio poderá observar regiões do cosmos nunca vistas pelos pesquisadores até agora. Sejam as primeiras galáxias formadas após o big bang ou as densas nuvens de gás e poeira na nossa Via Láctea. "Por incrível que pareça, o surgimento das estrelas continua sendo um mistério da astronomia até hoje", diz Frank Helmich.

Hélio superfluido para esfriar equipamentos

O satélite Herschel foi construído pela empresa EADS Astrium em Friedrichshafen, no sul da Alemanha. Ele só pode registrar a radiação infravermelha se seus instrumentos de medição forem mais frios do que os objetos a serem observados.

Astronomie Doppelmission Herschel / Planck
Planck: 600 milhões de euros distribuídos em 1.800 quilos e 1,5 ano de missãoFoto: ESA

Por isso, para esfriar os equipamentos a 270ºC negativos, foram levados a bordo milhares de litros de hélio superfluido, o que garantirá o funcionamento do telescópio por cerca de quatro anos.

O Herschel não ficará em órbita ao redor da Terra. Ele será posicionado no espaço, a 1,5 milhão de quilômetros do nosso planeta, no chamado Ponto de Lagrange 2. Consertos, como os que estão sendo feitos no Hubble, serão impossíveis. Mas a posição, longe da órbita lunar, é ideal para observações astronômicas.

Planck vai de carona

Já o telescópio Planck, de 4,2m de altura e um diâmetro de 1,5m, deverá medir com precisão os ecos do big bang. Tais informações ajudarão os cientistas a reconstruir o surgimento do universo. Além disso, revelarão que papel desempenham a matéria escura e a energia escura no cosmos.

Os cientistas esperam que o Planck possa fornecer informações 15 vezes mais precisas do que os dados registrados pelo satélite WMAP da NASA há alguns anos.

Autor: Dirk Lorenzen

Revisão: Soraia Vilela