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Avião e veículo militar na base de Catar
Base americana no Catar chegou ao limite para receber pessoas retiradas do AfeganistãoFoto: A1c Kylie Barrow/U.S. Army/Planet Pix/ZUMA Wire/picture alliance
PolíticaAfeganistão

EUA terão 18 aviões comerciais para mover retirados de Cabul

22 de agosto de 2021

Objetivo é liberar Forças Armadas para se concentrarem nas operações no aeroporto de Cabul. É a terceira vez na história que americanos ativam a sua frota aérea civil da reserva.

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O governo dos Estados Unidos informou neste domingo (22/08) que usará 18 aviões de carreira para ampliar os esforços de transporte de pessoas que já foram retiradas de Cabul e estão em bases militares e centros de acolhida fora do Afeganistão.

A empresa aérea United Airlines fornecerá quatro aeronaves Boeing 777-300, que podem transportar até 400 passageiros cada uma, dependendo da configuração dos assentos. A American Airlines, Atlas Air, Delta Air Lines e Omni Air fornecerão três aviões cada uma e a Hawaiian Airlines, dois aviões.

É a terceira vez na história que os Estados Unidos ativam a chamada frota aérea civil da reserva, o que obriga as companhias a cederem as aeronaves. A primeira foi na Guerra do Golfo, de agosto de 1990 a maio de 1991, e a segunda durante a invasão do Iraque, de fevereiro de 2002 a junho de 2003.

As aeronaves não irão voar até o aeroporto de Cabul, mas serão usadas para transportar pessoas que já estão fora do Afeganistão, afirmou John Kirby, porta-voz Pentágono. Ele disse se tratar da primeira fase da iniciativa, sugerindo que mais aviões comerciais podem ser usados para esse fim.

A operação permitirá que as Forças Armadas americanas se concentrem na retirada de pessoas do Afeganistão. Kirby afirmou, em comunicado, que o Departamento de Defesa "não prevê um grande impacto dessa ativação [da frota aérea] nos voos comerciais".

Cenário complexo no entorno do aeroporto

A decisão é reflexo da dificuldade enfrentada pelos Estados Unidos e por outros países para realizar a retirada de cidadãos estrangeiros e afegãos que estão em risco em Cabul, após a tomada do poder pelo Talibã.

O número limitado de aviões disponíveis é apenas um dos problemas enfrentados nos esforços de retirada. O aeroporto de Cabul se tornou o ponto de encontro de milhares de pessoas que tentam fugir dos talibãs, e há casos de tumultos e de crianças que acabaram se perdendo de seus pais.

No sábado, sete civis morreram em meio a uma confusão do lado de fora do aeroporto, o que eleva a 20 o número de pessoas mortas no terminal aéreo e em seu entorno.

No mesmo dia, a embaixada dos Estados Unidos no Afeganistão pediu aos cidadãos americanos no país que evitem se deslocar rumo ao aeroporto de Cabul, devido a "potenciais ameaças à segurança".

Na última semana, militares americanos usaram três helicópteros militares para transportar 169 americanos até o aeroporto de Cabul, a partir de um edifício a apenas 200 metros de distância. Autoridades afirmam que essas operações devem continuar.

A embaixada da Alemanha em Cabul também recomendou que as pessoas não devem ir ao aeroporto, e que é mais seguro neste momento permanecer em casa ou em um local protegido.

O Ministério da Defesa alemão enviou dois helicópteros militares a Cabul para apoiar os resgates, que chegaram à cidade no sábado. 

Distribuição das pessoas

Na sexta-feira, os Estados Unidos ampliaram o número de destinos para onde as pessoas retiradas do Afeganistão estão sendo levadas.

Um dos locais é a base militar americana Ramstein, localizada no estado alemão da Renânia-Palatinado. Até o meio-dia de domingo, 30 aviões tinham pousado na base, trazendo cerca de 5 mil pessoas do Afeganistão.

O local passou a ser usado como importante ponto de trânsito para resgatados do Afeganistão devido ao esgotamento das capacidades de uma base aérea no Catar, que vem recebendo muitos voos diretamente de Cabul.

Outro destino para pessoas retiradas do Afeganistão é a base militar de Torrejon, na Espanha, que no sábado recebeu a visita da líder da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez. 

bl (Reuters, ots)