EUA apoiam ingresso do Brasil na OCDE no lugar da Argentina | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 15.01.2020
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Brasil

EUA apoiam ingresso do Brasil na OCDE no lugar da Argentina

Em aceno a Bolsonaro, Washington entrega carta à organização priorizando Brasil na fila de candidatos a vaga no seleto clube de países ricos. Apoio é descrito como "evolução natural" de compromisso entre os dois países.

Jair Bolsonaro e Donald Trump

Apoio dos EUA à entrada brasileira na OCDE foi discutida em encontro entre Bolsonaro e Trump em março de 2019

Os Estados Unidos reiteraram seu apoio ao ingresso no Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), colocando o país à frente da Argentina na fila de candidatos endossados. A decisão foi comunicada nesta terça-feira (14/01) pela embaixada americana em Brasília, através de nota, e uma carta foi entregue à OCDE, segundo apurou a Folha de S.Paulo.

O apoio à entrada brasileira no clube dos países industrializados e emergentes é vista como um aceno dos EUA ao governo do presidente Jair Bolsonaro e uma possível forma de recompensa pelo alinhamento político e econômico de Brasília em relação a Washington.

Ao mesmo tempo, a atitude americana sinaliza um afastamento político entre os EUA e a Argentina, após o país sul-americano passar a ser governado pelo peronista de centro-esquerda Alberto Fernández.

"Os Estados Unidos querem que o Brasil seja o próximo país a iniciar o processo de acessão à OCDE. O governo brasileiro está trabalhando para alinhar suas políticas econômicas ao padrão da OCDE, enquanto prioriza a adesão à organização para reforçar as reformas políticas", afirma a nota da embaixada americana.

Segundo o texto, "a decisão de priorizar a candidatura do Brasil como o próximo país a iniciar o processo é uma evolução natural do nosso compromisso, como reafirmado pelo secretário de Estado [Mike Pompeo] e pelo presidente [dos EUA, Donald] Trump em outubro de 2019".

O apoio dos EUA à candidatura brasileira na organização foi um dos primeiros pontos abordados na aproximação entre Bolsonaro e Trump. Durante uma visita a Washington, em março de 2019, o mandatário brasileiro abriu mão de receber um tratamento especial na Organização Mundial do Comércio (OMC), que inclui prazos para cumprir acordos e maior flexibilidade em negociações comerciais, em troca do lobby americano pelo Brasil na organização.

Em outubro do ano passado, a agência Bloomberg revelou uma carta enviada por Pompeo em 28 de agosto ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, na qual o secretário de Estado destacava que Washington apoiava apenas a candidatura da Argentina e da Romênia e rejeitava um pedido para incluir mais países na organização.

Segundo o documento, Pompeo afirmava que "os Estados Unidos continuam preferindo a ampliação em ritmo contido, levando em consideração a necessidade de pressionar por planos de governança e sucessão".

Pompeo tentou minimizar o conteúdo da carta, alegando que ela não representava exatamente a posição dos Estados Unidos. "Somos apoiadores entusiastas da entrada do Brasil nesta instituição e os EUA farão um forte esforço para apoiar a adesão do Brasil", afirmou à época no Twitter. Trump também reiterou o apoio ao Brasil na ocasião, sem definir prazo.

O ingresso de novos países na OCDE não deve ocorrer até o fim das negociações sobre a forma como deverá ocorrer a expansão da organização, que atualmente inclui 36 países. Novos Estados-membros não poderão ser aceitos até que se esse processo esteja encerrado.

RC/ots

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