Espanha prende dois líderes separatistas catalães | Notícias internacionais e análises | DW | 16.10.2017
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Espanha

Espanha prende dois líderes separatistas catalães

Justiça em Madri decreta prisão sem fiança de Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, presidentes de duas influentes organizações pró-independência. Eles são investigados por insubordinação em episódio envolvendo referendo.

Spanien - Separatisten Jordi Cuixart und Jordi Sanchez bleiben in Haft (picture-alliance/abaca/B. Akbulut)

Jordi Cuixart (à esq.) e Jordi Sànchez foram ouvidos em sessão da Audiência Nacional nesta segunda-feira

A Justiça da Espanha decretou nesta segunda-feira (16/10) a prisão dos líderes de duas influentes organizações catalãs pró-independência. Jordi Sànchez, presidente da Assembleia Nacional da Catalunha (ANC), e Jordi Cuixart, da Òmnium Cultural, estão sob custódia, sem direito a fiança.

A prisão foi determinada pela juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional espanhola, enquanto ambos são investigados pelo crime de insubordinação em relação a manifestações separatistas.

Sànchez e Cuixart são acusados de terem convocado e promovido uma concentração em frente a um edifício do governo catalão em Barcelona em 20 de setembro passado, quando manifestantes impediram durante horas a saída de agentes da Guarda Civil espanhola que faziam buscas no local.

Os mandados de busca e apreensão faziam parte de uma extensa operação policial ordenada pelo governo em Madri para tentar impedir a realização do referendo pela independência catalã, que acabou ocorrendo em 1º de outubro.

Na mesma data, os policiais também prenderam 14 altos funcionários catalães supostamente envolvidos na preparação do referendo, além de confiscar milhões de cédulas de votação que seriam usadas na consulta. A operação levou milhares de pessoas às ruas de Barcelona em protesto.

Sànchez, de 53 anos, e Cuixart, de 42, são as primeiras pessoas presas na esteira da realização do referendo na Catalunha, que causou uma crise sem precedentes com o governo em Madri.

Segundo afirmou a juíza Lamela em sua decisão, os dois estiveram à frente das manifestações populares "durante todo o dia" 20 de setembro, "encorajando e dirigindo a ação dos manifestantes, incitando-os a permanecer no local e lhes dando ordens".

Com isso, segundo a magistrada, eles pretendiam "estimular e garantir a realização do referendo ilegal de independência e, com isso, a proclamação de uma república catalã, independente da Espanha, transgredindo, assim, a Constituição".

Na ocasião, policiais ficaram cercados nas dependências da Secretaria de Economia do governo regional catalão por cerca de 24 horas e só conseguiram sair escoltados, tendo suas viaturas depredadas por manifestantes pró-independência.

Para decretar a prisão dos dois, a juíza apontou risco de repetição do crime, "já que operam dentro de um grupo organizado de pessoas", e também observou "alta probabilidade" de que os investigados possam ocultar, alterar ou destruir provas.

A decisão de prender os líderes separatistas foi logo criticada por autoridades catalãs. Em rede social, o chefe do governo da Catalunha, Carles Puigdemont, descreveu as prisões como "más notícias". "Eles querem aprisionar ideias, mas nos fortalecem a necessidade de liberdade", afirmou.  

Na mesma ação, são acusados também de insubordinação o chefe da polícia catalã (conhecida como Mossos d'Esquadra), Josep Lluís Trapero, e a intendente da corporação, Teresa Laplana. Segundo a acusação, eles não teriam feito o suficiente para impedir a realização do referendo.

O Ministério Público espanhol havia solicitado prisão preventiva para os quatro investigados, no entanto a juíza decidiu deixar esses dois últimos em liberdade, mas com medidas cautelares, incluindo a retenção de seus passaportes e a proibição de deixar o país.

EK/rtr/dpa/efe/lusa/afp

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