Empresas aderem ao ″esforço de guerra″ contra a covid-19 | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 26.03.2020
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Coronavírus

Empresas aderem ao "esforço de guerra" contra a covid-19

Do dia para noite, uma montadora de automóveis pode passar a produzir aparelhos de respiração artificial? Em meio à pandemia do novo coronavírus, grandes companhias, como Ford e 3M, vêm anunciando respostas à crise.

Máscara respiratória

A Ford é uma das empresas que anunciou que se dedicará à fabricação de aparelhos para respiração artificial e máscaras

A montadora americana Ford anunciou que, em breve, estará envolvida na fabricação de aparelhos para respiração artificial e máscaras de proteção. A empresa está respondendo assim a um apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, para mobilizar recursos no combate ao vírus da covid-19.

A Alemanha também está considerando se produtos medicinais urgentemente necessários podem ser fabricados por empresas alheias ao setor. Esse já é o caso de desinfectantes para as mãos, que são relativamente fáceis de fabricar ‒ várias empresas, como Basf e Beiersdorf, adaptaram rapidamente sua linha de produção e estão repassando o produto aos hospitais.

Com a matéria-prima etanol ameaçando se esgotar, grandes fabricantes de bioetanol, como Crop-Energies ou Verbio, podem entrar agora na produção. Companhias têxteis também estão produzindo máscaras faciais, como a Mey, uma fabricante de roupas íntimas do estado de Baden-Württemberg, e a Trigema, uma empresa de roupas esportivas e de lazer. Ambos estão agora costurando máscaras têxteis de proteção simples e laváveis e que deverão ser usadas no setor de cuidados de idosos e doentes.

"Várias vezes fomos questionados se poderíamos costurar máscaras faciais", diz Wolfgang Grupp, proprietário da Trigema. "Começamos a produção na sexta-feira da semana passada e entregamos as primeiras 10 mil máscaras na terça-feira". Em breve, 100 mil serão produzidas semanalmente.

Como as lojas de tecidos estão fechadas por causa da crise do coronavírus, a Trigema perdeu cerca de 50% de sua receita, afirmou o empresário. Assim foi possível usar muito mais da capacidade de produção para fabricar máscaras.

Trata-se de máscaras têxteis simples, laváveis e reaproveitáveis. Segundo Grupp, onde exatamente elas poderão ser utilizadas nos hospitais vai depender da certificação, que levará algumas semanas. De acordo com o empresário, foi-lhe assegurado que suas máscaras "atingem facilmente" o padrão EN14683 e podem ser usadas pela equipe hospitalar, por exemplo, para distribuir alimentos ou lavar pacientes.

"Mas é claro que não alcançaremos os níveis de proteção FFP1, 2 ou 3", afirmou o proprietário da Trigema. Para essas máscaras, que filtram o ar, são necessárias máquinas e materiais especiais. Outras empresas têxteis, como a fabricante de camisas Eterna, de Passau, ou a Bianco Evento, empresa berlinense de moda para noivas, também expandiram sua gama de produtos para incluir máscaras.

Esses exemplos mostram as possibilidades, mas também os limites da troca de produção em curto prazo. "A tecnologia medicinal não é usada para fabricar brinquedos. Existem requisitos regulatórios complexos que precisam ser cumpridos por todos", comenta Niklas Kuczaty, diretor do Grupo de Trabalho de Tecnologia Medicinal na Associação Alemã de Fabricantes de Máquinas e Instalações (VDMA). A pedido do Ministério da Saúde da Alemanha, a associação se dirigiu às empresas associadas com o apelo "Coronavírus covid-19 ‒ Procuram-se fornecedores de tecnologia médica".

A repercussão foi grande, o número de respostas até agora está "na faixa dos três dígitos", diz Kuczaty. Há também um amplo espectro de reações: uma empresa oferece a produção rápida de 500 mil máscaras de proteção respiratória através de um parceiro na China, outra é especializada na montagem e desmontagem de máquinas industriais e no transporte de um local para outro.

"Pode-se ver claramente que todo mundo quer realmente ajudar", diz Kuczaty. "Ao mesmo tempo, muitas empresas têm um interesse compreensível em usar, mesmo de forma diferente, as capacidades que foram liberadas pela crise do coronavírus." Mas também fica evidente que nem tudo é tão rápido e fácil de fabricar como desinfectantes para as mãos e máscaras de proteção.

"Não é realista a ideia de que a VW fabrique já amanhã aparelhos para respiração artificial", diz Kuczaty. "Mas é realista a ideia de que a VW produza componentes individuais impressos em 3D para esses respiradores em poucas semanas, que de outra forma não teriam como ser fornecidos."

E como justamente na tecnologia médica tantas normas e especificações devem ser observadas, também é mais provável que os especialistas em tecnologia médica convertam ou ampliem sua produção em vez de deixá-la para empresas fora do ramo, disse Kuczaty.

Segundo o especialista, mesmo antes da crise do coronavírus, empresas do setor automotivo, onde os negócios estão se tornando cada vez mais difíceis, já planejavam montar uma nova base de apoio na tecnologia médica. "Sempre dizemos a eles: leve em conta que custa anos para realmente entrar nesse setor", observa Kuczaty.

A situação parece ser semelhante nos Estados Unidos. Por exemplo, a Ford está fazendo uma incursão no ramo de tecnologia médica ao lado de dois parceiros que conhecem bem a área: General Electric e 3M.

Na Alemanha, a VDMA se vê como intermediária entre fornecedores, fabricantes e hospitais depois de seu apelo pela tecnologia médica. Ao mesmo tempo, a associação quer proporcionar uma visão geral de quem oferece e de quem precisa, afirma Kuczaty. Isso poderá ser útil para que os fabricantes possam encontrar rapidamente substituições para fornecedores. "Mas este não é o caso no momento", diz Kuczaty. "Pelo que ouvimos, as cadeias de suprimentos ainda estão funcionando bem."

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