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Brasilien Trauer  Marielle Franco
Foto: picture-alliance/AP/

Efeito Marielle consolida voto em causas feministas

10 de outubro de 2018

Candidatas que trabalharam com Marielle no Rio ou que se inspiraram nas causas da vereadora assassinada conseguem votação expressiva nestas eleições.

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Executada em março em um crime ainda não elucidado, a vereadora Marielle Franco (PSol) tinha entre suas bandeiras o fim da violência contra a mulher e o combate ao racismo. No domingo passado (07/10), inspiradas pelo símbolo que a vereadora carioca se tornou após a sua morte, muitas candidatas foram eleitas com projetos parecidos.

No Rio de Janeiro, mulheres que conviveram e trabalharam diretamente com Marielle conquistaram vagas importantes na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

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Em 2014, o partido de Marielle elegeu cinco deputados estaduais, todos homens. Quatro anos depois, o PSol continua com cinco cadeiras, mas desta vez três serão ocupadas por mulheres. Renata Souza, Mônica Francisco e Dani Monteiro serão deputadas da Alerj a partir de 2019 e conquistaram juntas mais de 130 mil votos. Em comum, além das bandeiras de Marielle, todas trabalharam com a vereadora carioca. Além delas, Talíria Petrone (PSol), atualmente vereadora, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 107 mil votos.

"O caso da Marielle jogou luz sobre uma série de lutas que ela tinha. Outras mulheres também tinham histórias parecidas e se sentiram representadas. Mesmo que muitas candidatas não tenham conseguido se eleger agora, acredito que estamos no caminho certo", afirmou Mônica Francisco, ex-assessora de Marielle.

A Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas estaduais experimentaram um aumento na representação feminina nestas eleições. Grupos de apoios a candidaturas com pautas feministas, como o Vote Nelas e o Mapa das Mina, citam a influência de Marielle na busca por espaço, que resultou em mais representatividade em outros estados.

Em Roraima, pela primeira vez uma mulher indígena foi eleita deputada federal: Joenia Wapichana (Rede). São Paulo passa a ter a primeira mulher trans numa Assembleia Legislativa com a eleição de Erica Malunguinho (PSol). A Bahia elegeu a primeira mulher negra para a Assembleia Legislativa, Olivia Santana (PCdoB). Em São Paulo e Pernambuco foram eleitas candidaturas coletivas que têm em sua composição mulheres negras, trans e lésbicas, e também candidatas que trazem as pautas de Marielle Franco, destacou a ONG Vote Nelas.

As candidaturas que se identificaram com Marielle e foram bem-sucedidas nesta eleição servem de exemplo, afirmou a socióloga e deputada federal recém-eleita por Minas Gerais Áurea Carolina (PSol). Depois de conseguir 17 mil votos para a Câmara Municipal em 2016, Áurea Carolina teve 162 mil votos no último domingo.

Para ela, o legado de Marielle vai além do número de candidatas, está na força dos movimentos sociais que ela representava. "Mesmo que muitas mulheres tenham conquistado espaços importantes de poder, a grande diferença não é quantitativa, mas qualitativa. Os discursos defendidos por Marielle ganharam mais espaço. Acho que, por tudo isso, a nossa responsabilidade é ainda maior", diz Áurea Carolina.

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