Dinamarca abandona uso da vacina de Oxford | Notícias internacionais e análises | DW | 14.04.2021

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Coronavírus

Dinamarca abandona uso da vacina de Oxford

País é o primeiro da Europa a retirar de seu programa de vacinação o imunizante contra a covid-19 da AstraZeneca, devido a possível ligação com formação de coágulos sanguíneos.

Mãos com luvas seguram frascos da vacina contra covid-19 da AstraZeneca-Oxford

Segundo a Dinamarca, pesou o fato de o país ter outras vacinas disponíveis e a epidemia estar sob controle

A Dinamarca decidiu nesta quarta-feira (14/04) suspender o uso da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, devido a uma possível ligação entre o imunizante e a formação de coágulos sanguíneos em vacinados.

Vários países já restringiram o uso da chamada vacina de Oxford a certas faixas etárias devido ao possível efeito colateral raro, mas a Dinamarca é a primeira nação europeia a interromper por completo a imunização com a droga.

Estudos sobre a possível ligação entre a vacina e a formação de coágulos no sangue "mostraram efeitos colaterais reais e sérios", disse o chefe da agência de saúde da Dinamarca, Soren Brostrom, em coletiva de imprensa. "Portanto, optamos por continuar o programa de vacinação para todos os grupos-alvo sem esta vacina."

Segundo ele, tratou-se de uma "decisão difícil", mas foi tomada levando em conta que a pandemia está atualmente sob controle no país, além de grande parte dos idosos estar vacinada e de haver outros imunizantes disponíveis para dar continuidade ao programa nacional de imunização.

Com a decisão, a campanha de vacinação dinamarquesa, prevista para ser concluída em 25 de julho, deverá se arrastar até o início de agosto, afirmaram autoridades de saúde do país.

Em resposta nesta quarta-feira, a AstraZeneca afirmou que respeita a escolha da Dinamarca e que vai continuar a fornecer dados para embasar decisões futuras. "A implementação do programa de vacinação é um assunto para cada país decidir, baseado em condições locais", disse a empresa anglo-sueca.

Na semana passada, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) confirmou que existe uma possível ligação entre o imunizante da AstraZeneca-Oxford e o surgimento de coágulos sanguíneos em vacinados, mas disse se tratar de um efeito colateral muito raro. Por isso, a entidade manteve sua recomendação de uso para todas as pessoas, argumentando que os benefícios superam em muito as possíveis reações adversas.

Contudo, a decisão final sobre o uso cabe a cada Estado-membro, e não à União Europeia (UE), e vários países acabaram restringindo a aplicação do imunizante a certas faixas etárias. A França e a Bélgica, por exemplo, decidiram aplicar a droga apenas em pessoas maiores de 55 anos, e a Alemanha, em maiores de 60 anos. Outros mantiveram o uso em toda a população.

Até 4 de abril, a EMA havia recebido relatos de 169 casos da chamada trombose venosa cerebral, após 34 milhões de doses terem sido aplicadas na União Europeia. A maioria dos casos ocorreu em mulheres com menos de 60 anos, por isso a restrição da vacina a certas idades.

Nesta quarta-feira, logo após a decisão da Dinamarca, a República Tcheca disse que estaria disposta a adquirir qualquer quantidade de doses da vacina de Oxford que tenha sobrado dos estoques dinamarqueses. "Estamos prontos para comprar AstraZeneca da Dinamarca", escreveu no Twitter o ministro tcheco do Interior, Jan Hamacek.

Não está claro, contudo, se a venda de vacinas entre os dois países seria permitida sob as regras da UE, que tomou a frente da aquisição e distribuição de doses para seus Estados-membros.

"Contexto dinamarquês"

O chefe da agência de saúde dinamarquesa informou que estudos baseados em dados de saúde da Dinamarca e da Noruega estimaram que uma em cada 40 mil pessoas vacinadas com o imunizante da AstraZeneca-Oxford poderia esperar ser vítima desse efeito colateral, com nenhum resultado conclusivo relacionado a idade ou gênero.

Brostrom justificou que a Dinamarca já avançou muito na imunização da população idosa, que tem maior risco de desenvolver um estado grave da covid-19 caso seja infectada, e por isso o país poderia se dar ao luxo de suspender a vacinação com doses da vacina de Oxford.

Os próximos grupos a serem vacinados têm risco menor de ficarem gravemente doentes, afirmou ele. "Isso deve ser pesado contra o fato de que agora temos um risco conhecido de efeitos prejudiciais graves [...] com a vacina contra covid-19 da AstraZeneca, mesmo que o risco em números absolutos seja pequeno."

Portanto, a decisão da Dinamarca deve ser vista apenas no contexto dinamarquês, e "eu entendo muito bem por que outros países continuarão a usar" a vacina, disse Brostrom.

Quase 1 milhão de pessoas receberam a primeira dose de imunizantes contra a covid-19 no país escandinavo, que possui uma população de 5,8 milhões. A maioria, 77%, foi imunizado com a vacina da Pfizer-Biontech, outros 15,3% com a da AstraZeneca-Oxford, e 7,8% com a da Moderna.

A Dinamarca está agora no processo de flexibilizar suas restrições contra o coronavírus, após sua taxa de infecções diárias cair para entre 500 e 600 casos, em comparação com os vários milhares de casos registrados por dia em dezembro. Ao todo, o país soma cerca de 240 mil infectados desde o início da pandemia, entre os quais cerca de 2.500 mortos.

A vacina no Brasil

No Brasil, a Anvisa emitiu um comunicado na semana passada afirmando que mantém a recomendação de continuidade da vacinação com o imunizante de Oxford, mas pediu à fabricante que a bula da vacina seja alterada para incluir a possível ocorrência dos coágulos sanguíneos.

A Anvisa destacou que, com mais de 4 milhões de doses da vacina administradas no Brasil até aquele momento, haviam sido registrados 47 casos suspeitos de eventos tromboembólicos.

"Apesar disso, até o momento não foi possível estabelecer causalidade, ou seja, a relação direta entre a vacina e os eventos tromboembólicos relatados", diz o comunicado. "Até o momento, os benefícios da vacina superam os riscos."

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem um acordo com a AstraZeneca para produzir no Brasil a vacina contra o coronavírus desenvolvida pela Universidade de Oxford. O imunizante é um dos dois que já estão em uso no país, ao lado da Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

ek/ (Reuters, DPA, AP)

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