Democracia em jogo no Peru | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 20.12.2017
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

América Latina

Democracia em jogo no Peru

Congresso peruano votará sobre destituição de Kuczynski, acusado de corrupção. Para analistas, escândalos em torno da Odebrecht e luta de poder entre presidente e oposição ameaçam estabilidade democrática no país.

Peru Pedro Pablo Kuczynski (Reuters/Peruvian Government Palace)

Presidente Pedro Pablo Kuczynski se defende em entrevista na TV

Diante das acusações de corrupção no caso Odebrecht, que estão agitando o primeiro escalão da política no Peru, o Congresso do país sul-americano, de maioria fujimorista, deve votar nesta quinta-feira (21/12) a destituição do presidente Pedro Pablo Kuczynski. A oposição procura destituir o chefe de Estado por "incapacidade moral permanente".

Embora a oposição conte com votos suficientes para destituir Kucynski, ainda não é certo que isso aconteça. "Depende do cálculo por trás desta manobra", disse à DW a cientista política Bettina Schorr, da Universidade Livre de Berlim.

Leia também:

Parlamentares entram com processo para destituir presidente do Peru

Humala é preso por escândalo da Odebrecht

"Se a bancada fujimorista estiver convencida de que a destituição lhe trará ganhos a curto prazo, ele o fará. Mas, atualmente, este não é o caso, pois [Kuczynski] seria substituído pelo vice-presidente, e não pela líder do partido oposicionista Força Popular, Keiko Fujimori, o motor por trás deste drama. Fala-se eventualmente de novas eleições. Nesse caso, a pergunta é se eles [os oposicionistas] têm possibilidades de ganhar ou não", acrescentou Schorr.

No último domingo, o presidente peruano reiterou a sua inocência numa entrevista na TV, rejeitando as acusações de corrupção pelos contratos que uma de suas empresas assinou com a construtora brasileira Odebrecht, entre 2004 e 2007, quando era ministro do ex-presidente Alejandro Toledo.

"Não cometi nenhum crime. Não pratiquei corrupção nem abri contas fictícias em paraísos fiscais. Tudo foi fiscalizado, reportado e tributado", afirmou Kuczynski. O mandatário também apontou que o empresário chileno Gerardo Sepúlveda administrava a empresa Westfield Capital, pertencente a Kuczynski, e assinou os contratos com a Odebrecht enquanto o atual presidente peruano atuava como ministro.

"Já não se pode mais confiar em político algum"

Na opinião da pesquisadora peruana Sofia Vera, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), a renúncia de Kuczynski é uma possibilidade. "Mas eu não acho que ele queira se retirar sem enfrentar o Congresso. Ele anunciou que se defenderá na quinta-feira. No entanto, não está claro que essa defesa possa mudar a opinião de um número suficiente de deputados para votar contra a destituição."

Vera ressalta que o presidente sul-americano conta com um alto nível de desaprovação. "Sua imagem está abalada, mas essa não é uma condição suficiente para destituir um presidente", ponderou.

Peru Keiko Fujimori, Oppositionspartei Fuerza Popular (Getty Images/AFP/L. Gonzales)

Keiko Fujimori é motor por trás do drama político peruano

Schorr enfatizou que o escândalo de corrupção em torno da Odebrecht no Peru levou à percepção generalizada de que "já não se pode mais confiar em ninguém". A cientista política lembrou o caso da ex-prefeita de Lima Susana Villarán, de centro-esquerda, acusada de receber financiamento ilícito das empresas brasileiras Odebrecht e OAS para sua campanha.

"Mesmo os políticos da esquerda progressista ou pessoas com uma boa reputação se envolveram em escândalos de corrupção", disse a cientista política.

"Sérias consequências para a democracia"

"Kuczynski é um presidente fraco, porque se encontra permanentemente confrontado com um Congresso determinado a tornar sua vida impossível, na realidade estamos falando de sabotagem [...] No Peru não se governa, não se faz política desde a tomada de posse em julho de 2016", afirmou Schorr.

No entanto, dado o comportamento obstrutivo dos fujimoristas, grande parte da classe média alta está ciente de que o que está em jogo é "a institucionalidade democrática". "Não se trata de defender Kuczynski, mas a democracia peruana como um todo", considerou a cientista política.

Vera adverte que a renúncia ou destituição do presidente "teria consequências muito graves para a estabilidade democrática do país". O Peru está tendo o período democrático mais longo de sua história republicana, com 17 anos de duração, desde 2001, e, portanto, "este é um momento crucial", disse.

"O vice-presidente Martín Vizcarra pode vir a ser tão ou mais fraco que Kuczynski. O precedente que deixaria uma saída presidencial acelerada como esta, sob justificativas legais duvidosas, é muito sério para a saúde democrática do país", afirmou. "Entrará para a história o papel nefasto do fujimorismo, uma oposição obstinada e com pouca maturidade política para conter suas ambições e esperar sua vez nas próximas eleições, de 2021."

Schorr não acredita que as eleições antecipadas tragam uma mudança substancial. "Estou consternada. Na última década, o Peru registrou um incrível crescimento econômico. É uma nação em expansão, mas os políticos são incapazes de fazer algo bom para o seu país", diz. "A única solução é que as pessoas tomem maciçamente as ruas e exijam instituições eficazes e políticos que respeitem as regras."

_______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

Leia mais