Dados mostram explosão do desmatamento na Amazônia | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 06.08.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Meio ambiente

Dados mostram explosão do desmatamento na Amazônia

Devastação da floresta em julho cresce 278% em relação ao mesmo mês de 2018, segundo monitoramento do Inpe. Este é o maior aumento do desmatamento já registrado desde 2014.

Foto mostra árvores cortadas na Amazônia

Em julho, 2.254,9 quilômetros quadrados de floresta foram devastados

Novos dados divulgados terça-feira (06/08) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmaram o aumento significativo no desmatamento da Floresta Amazônica. Em julho deste ano, a devastação do bioma cresceu 278% em relação ao mesmo mês de 2018.

Segundo o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), em julho, 2.254,9 quilômetros quadrados de floresta foram devastados. Em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento do corte raso foi de 278%. Este foi o maior crescimento nas taxas de desmatamento desde que o Inpe adotou sua atual metodologia em 2014.

Um grande aumento do desmatamento já havia sido apontado em junho, quando a devastação da floresta cresceu 88% em relação ao mesmo mês de 2018. A divulgação destes dados causou uma crise entre o Inpe e o governo de Jair Bolsonaro, que culminou com a demissão do presidente do instituto.

Logo após a divulgação dos dados que revelaram o aumento do desmatamento em junho, Bolsonaro contestou a informação e acusou o então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, de mentir e de agir "a serviço de uma ONG". Em resposta, Galvão rebateu as críticas, defendendo o trabalho do instituto.

"Ele [Bolsonaro] tem um comportamento como se tivesse falando num botequim. Isso me assustou muito. Ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, e não foi só eu", disse Galvão em entrevista ao Jornal Nacional.

Bolsonaro voltou então a atacar Galvão na última quinta-feira e ameaçá-lo de demissão durante uma coletiva de imprensa, que foi convocada pelo Ministério do Meio Ambiente para contestar novamente a metodologia do Inpe. O presidente disse que os números teriam sido "espancados" para atingir o país e chamou de "irresponsabilidade" a divulgação dos dados.

Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apresentou mapas para supostamente mostrar que os dados do Inpe seriam "sensacionalistas" e "não condizentes com a realidade", alegando que 31% dos registros das maiores áreas desmatadas contabilizadas em junho último teriam ocorrido, na verdade, em meses passados.

Diante da crise, Galvão acabou sendo exonerado. O afastamento do diretor foi criticado por ambientalistas. Na segunda-feira, o ministro de Ciência e Tecnologia, que é responsável pelo Inpe, nomeou o oficial da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião, que é formado em Ciências Aeronáuticas e tem doutorado em desenvolvimento sustentável, para assumir o comando do instituto interinamente.

Em entrevista ao jornal O Globo, Damião garantiu que o instituto continuará divulgando dados sobre o desmatamento, porém, afirmou que isso ocorrerá apenas em situações alarmantes e após o presidente e os ministros do Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia terem sido informados. O diretor interino disse ainda que não está convencido que o aquecimento global seja causado pela ação humana.

Já Pontes afirmou a jornalistas nesta segunda-feira que os dados do Inpe não passaram por filtros antes de serem divulgados. "A entrega dos dados será feita com transparência. Isso é importante. Precisamos trabalhar na solução do problema que é reduzir esse desmatamento", disse.

O Brasil abriga 60% da Floresta Amazônica, que é um regulador chave para os sistemas vivos do planeta e também para o índice de chuvas no país. Suas árvores absorvem cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano e liberam 20% do oxigênio do planeta.

Depois de ter sido considerado uma história de sucesso ambiental, o Brasil vem perdendo esse espaço, principalmente, desde a eleição de Bolsonaro, que já declarou várias vezes a intenção de explorar a floresta e negou a existência das mudanças climáticas. Devido ao discurso do presidente e à agenda ambiental do governo, especialistas temem que o desmatamento atinja níveis alarmantes nos próximos anos.

Nos últimos meses, o governo brasileiro reduziu a composição do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), além de tentar transferir a demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura. O ministro Ricardo Salles questionou publicamente a eficiência do Fundo Amazônia, que aloca dinheiro para projetos voltados a diminuir o desmatamento.

CN/ap/ots

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | App | Instagram | Newsletter

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados