Campanha de Trump obteve dados de 50 milhões de usuários do Facebook | Notícias internacionais e análises | DW | 17.03.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

EUA

Campanha de Trump obteve dados de 50 milhões de usuários do Facebook

Após revelação do caso, rede social suspendeu conta da empresa, que abriu escritório no Brasil em novembro e pretende atuar nas eleições deste ano.

A empresa de análise de dados Cambridge Analytica colheu informações privadas de mais de 50 milhões de usuários do Facebook no desenvolvimento de técnicas para beneficiar a campanha eleitoral do presidente Donald Trump em 2016, informaram os jornais New York Times e o The Observer, de Londres, neste sábado (17/03).

Após a revelação, o Facebook suspendeu a conta da Cambridge Analytica. O caso também teve consequências no Brasil. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a empresa brasileira Ponte Estratégia, que se associou com Cambridge Analytica para atuar nas eleições deste ano, decidiu cancelar a parceria com a empresa britânica, que abriu um escritório em São Paulo em 2017.

As reportagens dos jornais, que citaram ex-funcionários, associados e documentos da Cambridge, apontam que a violação de dados foi uma das maiores da história do Facebook.

O The Observer publicou que a Cambridge Analytica usou os dados, colhidos sem autorização no início de 2014, para construir um programa de software capaz de prever e influenciar as escolhas nas urnas.

O artigo citou o delator Christopher Wylie da Cambridge Analytica, que trabalhou com um acadêmico na Universidade de Cambridge para obter os dados, dizendo que o sistema poderia avaliar eleitores de modo a direcionar anúncios políticos personalizados.

Os mais de 50 milhões de perfis representavam cerca de um terço dos usuários ativos da América do Norte e cerca de um quarto dos eleitores em potencial dos EUA na época, disse o jornal. "Exploramos o Facebook para colher perfis de milhões de pessoas e construímos modelos para explorar o que sabíamos sobre eles e atacar seus medos internos. Essa foi a base sobre a qual toda a empresa foi construída", disse Wylie segundo citação do The Observer.

O New York Times acrescenta que entrevistas com ex-funcionários da Cambridge Analytica e uma revisão dos emails e documentos revelaram que a empresa não só explorava os dados privados do Facebook, como ainda mantinha a maior parte ou a totalidade das informações.

O The Observer disse que os dados foram coletados através de um aplicativo chamado Thisisyourdigitallife, criado pelo acadêmico Aleksandr Kogan, à parte de seu trabalho na Universidade de Cambridge.

Por meio da empresa de Kogan Global Science Research (GSR), em colaboração com a Cambridge Analytica, centenas de milhares de usuários foram pagos para fazer um teste de personalidade e concordaram em ter seus dados coletados para uso acadêmico, afirmou o The Observer.

No entanto, o aplicativo também coletou a informação dos amigos de Facebook daqueles que fizeram os testes, levando ao acúmulo de dados de dezenas de milhões de usuários, disse o jornal. A reportagem ainda esclareceu que a "política de plataforma" do Facebook só permitiu a coleta de dados dos amigos dos que concordaram em fazer o teste para melhorar a experiência do usuário no aplicativo, impedindo que os dados fossem vendidos ou usados para propaganda.

Repercussão

Um porta-voz da Cambridge Analytica declarou que a GSR "estava contratualmente comprometida por nós a obter apenas dados de acordo com a Lei de Proteção de Dados do Reino Unido e buscar o consentimento informado de cada respondente".

"Quando posteriormente ficou claro que os dados não foram obtidos pela GSR de acordo com os termos de serviço do Facebook, a Cambridge Analytica eliminou todos os dados recebidos da GSR", disse ele.

O Strategic Communication Laboratories e a campanha de Trump não foram encontrados para comentar as acusações.

O Facebook não mencionou a campanha de Trump ou qualquer outra campanha em sua declaração sobre a suspensão da empresa, que foi atribuída ao vice-conselheiro geral da rede social, Paul Grewal.

"Adotaremos ações legais, se necessário, para responsabilizá-los e responder por qualquer comportamento ilegal", disse o Facebook, acrescentando que continua investigando o caso.

A campanha de Trump contratou a Cambridge Analytica em junho de 2016 e pagou mais de 6,2 milhões de dólares, de acordo com os registros da Comissão Eleitoral Federal.

Em seu site, Cambridge Analytica diz que "forneceu a campanha Donald J. Trump para a presidência experiência e ideias que o ajudaram a chegar na Casa Branca".

Uma fonte próxima às investigações do Congresso americano sobre a intromissão russa na campanha de 2016 disse que a campanha Trump provavelmente precisará dizer se estava ciente dos métodos da Cambridge Analytica para obter seus dados ou se os dados foram utilizados durante a eleição.

O Facebook disse na sexta-feira disse que Kogan apresentou seu aplicativo no Facebook como "um aplicativo de pesquisa usado por psicólogos". Cerca de 270 mil pessoas baixaram o aplicativo e, ao fazê-lo, deram seu consentimento para que Kogan acessasse informações como a cidade que definiram em seu perfil ou conteúdo que gostaram, bem como informações mais limitadas sobre amigos.

Segundo o Facebook, Kogan ganhou acesso às informações "de forma legítima", pois "não seguiu na sequência nossas regras", ao dizer que ao repassar as informações para terceiros, incluindo SCL / Cambridge Analytica e Wylie da Eunoia "ele violou nossa políticas".

JPS/rt

----------------

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | WhatsApp | App

Leia mais