1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Brasil assina acordo para comprar mais 20 caças Gripen

4 de junho de 2026

Aeronaves suecas deverão ser produzidas em solo nacional, mirando mercado da América Latina. Governo descreve programa como chave para redução da dependência externa.

https://p.dw.com/p/5Eryx
Presidente Lula falaao lado de caça Gripen na planta da Embraer em Gavião Peixoto, interior de São Paulo
Brasil apresentou em 2026 o primeiro caça Gripen produzido em solo nacionalFoto: Andre Penner/AP Photo/picture alliance

O Brasil assinou nesta quinta-feira (04/06) um acordo de intenções com a Suécia para potencialmente comprar 20 novos caças do modelo Gripen E e F, da fabricante Saab.

O ministro da Defesa sueco, Pal Jonson, disse que as aeronaves seriam fabricadas no Brasil, durante coletiva de imprensa em Estocolmo, ao lado da sua contraparte brasileira, José Mucio.

Os dois países já haviam assinado em 2014 outro acordo, avaliado em 4,5 bilhões de dólares (o equivalente, hoje, a quase R$ 23 bilhões), para a aquisição de outros 36 caças Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB). Os primeiros jatos já foram recebidos, e a expectativa é que o restante seja entregue até 2027.

À época do primeiro acordo do Brasil com a Saab, o Gripen desbancou o F-18 Super Hornet, da americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault Aviation SA.

Lula chegou a ser acusado de favorecer a fabricante sueca anos depois, mas o processo contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF) acabou suspenso em 2022 pelo então ministro Ricardo Lewandowski.

Em 2024, o Departamento de Estado dos Estados Unidos intimou a Saab a prestar informações sobre o negócio.

Produção em solo nacional

Uma segunda fase da cooperação firmada nesta quinta envolveria ainda a transferência de tecnologia para a produção das aeronaves no Brasil, mirando o mercado da América Latina

A Embraer e a Saab lançaram, em 2023, a primeira linha de produção da aeronave no Brasil, em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, prevendo ali a fabricação de 15 das 36 aeronaves abrangidas pelo acordo inicial.

Em março deste ano, foi apresentado o primeiro caça produzido em território nacional, no que o governo brasileiro descreveu como passo importante na redução da dependência externa. Uma nova entrega está prevista para este ano.

"Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou, então, o presidente Lula.

Preço ainda desconhecido

Segundo a Folha de S.Paulo, o anúncio surpreendeu pessoas familiarizadas com o tema, em vista da redução orçamentária que afeta o Ministério da Defesa. Serão suprimidos R$ 4,3 bilhões neste ano da pasta, a mais impactada pelos cortes na Esplanada.

Por sua vez, Jonson não quis especificar o valor da operação e ressaltou que "é algo que ainda deve ser discutido" entre o Brasil e a fabricante sueca dos caças. 

Na prática, as aeronaves são usadas para o treinamento de pilotos e mecânicos, além de poderem atuar em operações aéreas. 

Segundo o governo brasileiro, o programa Gripen beneficia ainda o país com o fortalecimento da capacidade de defesa, "incremento tecnológico, geração de postos de trabalho altamente qualificados e ampliação de oportunidades econômicas". O Planalto estima que sejam gerados cerca de 13 mil empregos, incluindo 2,2 mil diretos e 10,8 mil indiretos.

A declaração conjunta assinada por Brasil e Suécia destaca ainda "o estabelecimento de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e à exploração de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, manutenção e melhoria dos caças Gripen".

ht/ra (AFP, Reuters, EFE, ots)

O Japão está se armando - e o mundo deveria se preocupar