Brasil adere à iniciativa global por vacinas contra covid-19 | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 19.09.2020

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Coronavírus

Brasil adere à iniciativa global por vacinas contra covid-19

Governo anuncia inclusão em programa mundial que monitora desenvolvimento de imunizantes e inclui mais de 170 países. Nações envolvidas receberão doses para cobrir ao menos 20% de suas populações.

Iniciativa visa garantir investimentos globais em pesquisa, produção e distribuição de vacina contra covid-19

Iniciativa visa garantir investimentos globais em pesquisa, produção e distribuição de vacina contra covid-19

O governo brasileiro confirmou nesta sexta-feira (18/09) a intenção de aderir à Covax Facility, o programa mundial para o desenvolvimento e o acesso a vacinas contra a covid-19.

O anúncio da decisão foi divulgado às 21h30 (horário de Brasília), pouco antes do término do prazo estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que se encerrava à meia-noite.

Segundo a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), o país havia solicitado nesta quinta feira à Aliança Global de Vacinação (Gavi, na sigla em inglês) a extensão do prazo, a fim de formalizar a adesão à iniciativa.

A Covax Facility reúne mais de 170 países que "ganharam acesso garantido ao maior portfólio mundial de vacinas candidatas", segundo informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O programa, que acompanha o desenvolvimento de nove possíveis vacinas, visa garantir os investimentos globais em pesquisa, produção e distribuição equitativa dos imunizantes contra o coronavírus Sars-Cov-2.

Uma vez comprovada a eficácia de uma dessas vacinas, os países que aderiram à Aliança receberão doses em quantidades que devem cobrir ao menos 20% de suas populações.

Uma das nove vacinas incluídas no Covax Facility é a que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, sobre a qual o Brasil já tem acordo firmado para a aquisição de 100 milhões de doses. Não está claro se a medida seria complementar à iniciativa global ou se o acordo poderá sofrer alguma interferência.

No início deste mês, o presidente Jair Bolsonaro gerou polêmica ao se posicionar contra uma possível vacinação obrigatória contra a covid-19 no país, ao afirmar que "ninguém pode obrigar ninguém a tomar a vacina".

A declaração contradisse uma lei assinada pelo próprio presidente em fevereiro deste ano, que assegura a possibilidade da imunização compulsória no país.

A Secom chegou a divulgar uma peça publicitária que incluía a frase de Bolsonaro e afirmava que "o governo do Brasil preza pela liberdade dos brasileiros".

As declarações, que se alinharam aos bordões utilizados por movimentos antivacina em várias partes do mundo, foram amplamente criticadas por várias entidades e especialistas da área de infectologia e imunização, e também pela OMS.

"Os movimentos antivacina podem criar narrativas para lutar contra a vacina, mas os números das vacinas nos contam a sua própria história. As pessoas não devem ser confundidas por movimentos antivacina, mas ver como o mundo usou vacinas para combater a mortalidade infantil e para erradicar doenças", disse Adhanom Ghebreyesus, ao ser perguntado sobre a fala de Bolsonaro.

RC/ots

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