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FutebolAlemanha

Borussia Dortmund busca nova personalidade com Edin Terzić

Gerd Wenzel
Gerd Wenzel
13 de setembro de 2022

Ainda se adaptando ao técnico teuto-croata, time aurinegro atravessa fase turbulenta, dando vitórias de mão beijada a adversários e fracassando em partidas tidas como imperdíveis. Próximos dias podem ser decisivos.

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Cena de jogo de futebol
90 minutos suados para o Borussia contra o Leipzig em 10/09/2022Foto: Sebastian El-Saqqa/firo Sportphoto/picture alliance

Às vésperas da 60ª temporada da Bundesliga era dado como certo que três grandes clubes – a saber, Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen e RB Leipzig – desempenhariam o papel de maiores caçadores ao decacampeão Bayern Munique para que finalmente o título de campeão alemão mudasse de mãos. Entretanto todos eles fraquejaram neste início de temporada – uns mais, outros menos.

O Bayer Leverkusen, por exemplo, a esta altura do campeonato está em 17º lugar, na zona de rebaixamento, com apenas uma vitória, um empate e quatro derrotas.  O Leipzig, especialmente depois da vitória sobre o Borussia Dortmund no último fim de semana, melhorou um pouco a sua posição. Está na parte intermediária da tabela, em 10º lugar, a seis pontos do atual líder Union Berlin e com atuações irregulares acumula duas derrotas, duas vitórias e dois empates.

Resta avaliar o desempenho do Borussia Dortmund, que deu sinais de fraquejar vez por outra já na terceira rodada da competição, ao entregar de mão beijada uma vitória que parecia certa. Na sua própria casa, faltando alguns minutos para o fim do jogo, o placar lhe era favorável 2x0 sobre o Werder Bremen, recém-chegado da segunda divisão. Por incrível que pareça, o Dortmund sofreu três gols nos últimos seis minutos de jogo para desencanto da torcida aurinegra que lotava completamente o seu Westfalenstadion.

Depois dessa inesperada derrota, vieram duas vitórias do tipo "venceu, mas não convenceu" sobre Hertha Berlin e Hoffenheim, ambas por magros 1x0. E mesmo antes, nas duas primeiras rodadas, quando ganhou de Leverkusen (1x0) e Freiburg (3x1), o Borussia deixou a desejar e, de quebra, deixou seus torcedores preocupados com justas razões.

Desastre contra o RB Leipzig

É importante destacar que até então a equipe comandada pelo técnico Edin Terzić não tinha enfrentado nenhum time, considerado grande, capaz de encarar de igual para igual o atual vice-campeão alemão e campeão do DFB Pokal.

Neste último fim de semana, na 6ª rodada, sobreveio a ducha de água fria. O RB Leipzig tinha acabado de demitir o técnico Domenico Tedesco e contratou às pressas Marco Rose, defenestrado do Borussia Dortmund há apenas três meses. O Leipzig, em crise e de treinador novo, com apenas dois dias no cargo, parecia presa relativamente fácil. Uma vitória aurinegra representaria a liderança na tabela.

Para tristeza da massa torcedora do Dortmund porém, tudo deu errado. Apenas algumas investidas nos primeiros cinco minutos da partida, e a partir daí era o Leipzig que dava as cartas em campo. Já aos 6 minutos de jogo, o zagueiro Orban se livrou com facilidade da marcação de Nico Schlotterbeck para, completamente livre, cabecear com êxito – 1x0.

Os comandados de Terzić cometiam um erro atrás do outro.  Não foi apenas o zagueiro Nico Schlotterbeck, mas também os laterais Thomas Meunier e Raphael Guerreiro estiveram num mau dia. Julian Brandt, Jude Bellingham e Reus, apesar de esforçados, em praticamente nenhum momento dos 90 minutos conseguiram armar jogadas eficazes. Anthony Modeste mais uma vez desempenhou o papel do atacante de triste figura.

Também coletivamente o time não apresentou coisa alguma digna de nota. Tanto o segundo gol do Leipzig, com um tiro dos sonhos de longa distância de Szoboslai, quanto o terceiro de Amadou Haidara, foram decorrentes de bolas perdidas pelos aurinegros na tentativa de construir jogadas ofensivas.

O que se viu foi um Leipzig intenso e dominador, contra um Borussia cada vez mais frustrado e cada vez menos capacitado. O jogo dos aurinegros parecia um déjà vu de tempos julgados ultrapassados.

A transição entre defesa-meio campo-ataque é lenta e imprecisa. O ataque está longe de alcançar o nível de temporadas anteriores. Apenas cinco chutes ao gol do Leipzig – todos para fora - e oito gols em seis partidas é o atestado de sua incompetência. Modeste ainda não está integrado no jogo, além de revelar flagrantes fraquezas técnicas.

Muito em jogo ao enfrentar o Schalke 04

A construção de jogadas depende muito da improvisação e da qualidade individual de alguns jogadores. Acrescentem-se ainda os problemas na escalação do time titular por inúmeros jogadores contundidos como Dahoud, Malen e Adeyemi. É um prato cheio que tenta explicar a falta de um padrão de jogo do Borussia Dortmund, padrão esse que o técnico Edin Terzić não conseguiu imprimir à sua equipe até agora.

De todo modo, o diretor de esportes Sebastian Kehl continua confiante: "Estou otimista que possamos contar com algumas novas opções ofensivas para o jogo de quarta-feira contra o Manchester City. Se pudermos contar com Malen e Adeyemi no ataque, seria ótimo”.

Uma derrota frente ao time comandado por Pep Guardiola certamente não será o fim do mundo para o Dortmund. O problema mesmo pode tomar dimensões maiores caso os aurinegros fracassem frente ao seu maior arquirrival, o Schalke 04, no próximo fim de semana. Ainda bem que a partida se realizará no Signal Iduna Park onde a equipe poderá contar com o apoio maciço da "Muralha Amarela" e do estádio lotado, cantando: "You'll never walk alone”.

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Atuou nos canais ESPN como especialista em futebol alemão de 2002 a 2020, quando passou a comentar os jogos da Bundesliga para a OneFootball de Berlim. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit é publicada às terças-feiras. 

O texto reflete a opinião do autor, não necessariamente a da DW.

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Halbzeit

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Na coluna Halbzeit, ele comenta os desafios, conquistas e novidades do futebol alemão.

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