Boris Johnson vence por ampla margem no Reino Unido | Notícias internacionais e análises | DW | 12.12.2019

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Europa

Boris Johnson vence por ampla margem no Reino Unido

Conservadores conquistam vitória esmagadora no Parlamento britânico, possibilitando que o primeiro-ministro continue no posto e abrindo caminho para o Brexit. Trabalhistas de Jeremy Corbyn têm maior derrota desde 1935.

Premiê britânico Boris Johnson e a namorada Carrie Symonds chegam à sede do governo na manhã seguinte às eleições

Johnson e a namorada, Carrie Symonds, chegam à sede do governo britânico no dia seguinte às eleições

O Partido Conservador do atual primeiro-ministro, Boris Johnson, conquistou a maioria absoluta dos assentos no Parlamento do Reino Unido nas eleições realizadas nesta quinta-feira (12/12) no país. Esse resultado eleitoral garante ao premiê o número de parlamentares necessários para conduzir o Brexit em 31 de janeiro.

Os conservadores obtiveram 364 assentos dos 650 da Câmara dos Comuns, o suficiente para garantir uma maioria absoluta confortável, o que permite também que Johnson continue no posto de premiê. O Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn, elegeu 203 parlamentares, seu pior resultado desde 1935, quando conquistou 154 cadeiras.

O Partido Nacional Escocês (SNP), por sua vez, garantiu 48 do total de 59 cadeiras escocesas; os Liberais Democratas, 11; o Partido Unionista Democrático (DUP), oito; o partido irlandês Sinn Féin (SF), sete; o Plaid Cymru (nacionalistas galeses), quatro; e os Verdes, três.

Cerca de 46 milhões de britânicos foram chamados às urnas no pleito antecipado, o quarto em quatro anos, convocado pelo governo para tentar desbloquear o impasse criado no Parlamento pelo processo de saída do país da União Europeia (UE). 

O Partido Conservador obteve uma vitória mais expressiva do que a esperada, conquistando ainda sua maior bancada na Câmara dos Comuns desde 1987, na era Margaret Thatcher. Durante a campanha, Johnson reiterou diversas vezes sua promessa de executar o Brexit até 31 de janeiro de 2020.

O premiê agradeceu aos britânicos pela participação nas eleições. "Agradeço a todos em nosso grande país que votaram, aos voluntários, aos que se apresentaram como candidatos. Vivemos na melhor democracia do mundo", escreveu ele no Twitter.

A partir de agora, o primeiro-ministro poderá promover o Brexit em 31 de janeiro, dez meses depois do planejado inicialmente. O adiamento se deve a um impasse no Parlamento – que votou três vezes contra um acordo negociado pela ex-premiê Theresa May e recusou aprovar em três dias o acordo negociado por Johnson, inviabilizando assim a saída no final de outubro.

Para desbloquear esse impasse, Johnson convocou a eleição antecipada, a primeira a ser realizada em um mês de dezembro no Reino Unido desde 1923. Durante a campanha, o premiê prometeu finalizar o divórcio com a União Europeia e aumentar os gastos com saúde, educação e segurança.

Após o Brexit, o Reino Unido deverá negociar um acordo comercial com a União Europeia. Os conservadores prometeram concluir esse processo em apenas um ano. A promessa é vista como uma ilusão – a título de comparação, levou sete anos para o bloco europeu concluir um acordo comercial com o Canadá, considerado um modelo para o Reino Unido por muitos britânicos pró-Brexit. E qualquer tratado precisaria ser assentido pelos 27 Estados-membros restantes da UE antes de entrar em vigor.

Recompensa após começo caótico

Para Johnson, que baseou sua campanha na promessa de avançar o Brexit, a vitória veio como recompensa após uma série de dificuldades impostas pelos opositores que conseguiram bloquear as medidas propostas pelo premiê durante os primeiros meses de seu governo. 

"Teremos o Brexit dentro do prazo até o dia 31 de janeiro, sem 'se', sem 'mas', e sem 'talvez'", disse Johnson a seus apoiadores em Londres após a vitória. "Deixaremos a UE como um único Reino Unido, retomando o controle sobre nossas leis, fronteiras, dinheiro, comércio, sistema de imigração e entregando um mandato democrático ao povo", afirmou, repetindo os bordões da campanha vitoriosa pelo "não" no referendo sobre o Brexit em 2016.

Os trabalhistas obtiveram seu pior resultado desde 1935, perdendo 59 assentos. O líder Jeremy Corbyn afirmou que deixará a liderança do partido e não vai estar à frente da legenda nas próximas eleições, em 2024. 

Na reta final da campanha, ele havia dito que apoiaria um novo referendo para o Brexit, encerrando um longo período de hesitação e lançando um apelo à parte do eleitorado britânico que deseja a permanência do país no bloco europeu. 

Corbyn, porém, concentrou sua campanha em um programa de mudanças econômicas radicais que incluía a renacionalização de algumas indústrias consideradas essenciais, o que não agradou a maioria dos eleitores. Nesta sexta-feira, o trabalhista defendeu seu "manifesto de esperança" e insistiu que suas políticas teriam sido "extremamente populares" durante a campanha. 

Na Inglaterra, os conservadores obtiveram vitórias expressivas em redutos trabalhistas, o chamado "muro vermelho", formado por regiões que sofrem as consequências do declínio da indústria e que são normalmente hostis ao Partido Conservador. O rompimento na lealdade partidária foi impulsionado pelo Brexit, com a maioria das pessoas favoráveis à saída do país da UE, além do posicionamento ambíguo de Corbyn em relação ao tema. 

Boris Johnson estudou na escola de elite particular Eton e é conhecido por sua retórica explosiva, não parecendo um candidato que pudesse conquistar as classes trabalhadoras. Mas o Brexit contribuiu para que ele pudesse redesenhar o mapa político do país.  

Em seu discurso após a vitória, ele fez um aceno aos eleitores que desertaram o Partido Trabalhista. "Suas mãos podem ter tremido sobre a cédula eleitoral antes de marcarem uma cruz no quadrado conservador, e é possível que vocês esperem voltar aos trabalhistas da próxima vez, e, se for esse o caso, estou honrado que tenham depositado sua confiança em mim."

Desafio de manter a união do reino

A partir de agora, Johnson terá de buscar novos acordos comerciais e tentar preservar o status de Londres como uma das principais capitais financeiras do mundo, além de manter o país unido.

Este último objetivo poderá se revelar um dos mais complicados, após os escoceses votarem em peso no SNP, que defende um referendo pela independência do Reino Unido e a permanência do país na UE. "Boris Johnson pode ter um mandato para tirar a Inglaterra da UE. Ele, porém, não chega perto de ter um mandato para tirar a Escócia da UE", disse a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon. 

O apoio obtido pelos nacionalistas da Irlanda do Norte na votação também é considerado bastante significativo e poderá representar um novo desafio para o governo de Johnson. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tardou em parabenizar Johnson pela vitória. "Reino Unido e EUA irão agora acertar um acordo comercial massivo após o Brexit. Esse acordo tem potencial para ser muito maior e mais lucrativo do que qualquer outro com a UE", escreveu o americano no Twitter. "Celebrem Boris!", concluiu. 

Os líderes europeus disseram nesta sexta-feira, horas após a vitória conservadora, que estão prontos para a nova fase do Brexit. Os negociadores europeus se preocupam com a velocidade extremamente rápida desejada por Johnson para chegar a um acordo.

"Quero deixar claro: estamos prontos. Já decidimos quais são nossas prioridades", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ao chegar a uma reunião de cúpula da UE onde será discutido o resultado eleitoral no Reino Unido e a planejada saída britânica em janeiro. 

"Espero que tenhamos negociações leais", acrescentou Michel. "Esperamos que o Parlamento britânico vote tão logo quanto possível sobre o acordo de saída. É importante que haja clareza o mais rápido possível", observou.

RC/CN/rtr/lusa/efe/ap

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