Bolsonaro volta a atacar europeus sobre questão ambiental | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 04.07.2019
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Brasil

Bolsonaro volta a atacar europeus sobre questão ambiental

Em encontro com ruralistas, presidente diz que Macron e Merkel não têm autoridade para discutir meio ambiente com Brasil, pois na Europa não há um km² de floresta. Ele ainda os desafia a achar desmatamento na Amazônia.

Emmanuel Macron e Jair Bolsonaro durante cúpula do G20 em Osaka

Macron e Bolsonaro durante cúpula do G20 em Osaka

Após entrar em atrito com europeus no início da cúpula do G20, em Osaka, na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta quinta-feira (04/07) a pressão exercida pelos governos de Alemanha e França sobre a política ambiental brasileira.

Em café da manhã no Palácio do Planalto com membros da Frente Parlamentar da Agropecuária, Bolsonaro declarou que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, não têm autoridade para discutir questão ambiental com o Brasil.

"[Em Osaka, no G20,] convidei Macron e Merkel para sobrevoar a Amazônia. Se eles encontrarem um quilômetro quadrado de desmatamento entre Boa Vista e Manaus, concordaria com eles [na questão ambiental]", disse ele, segundo a imprensa brasileira.

Bolsonaro completou que sobrevoou a Europa duas vezes e "não encontrou um quilômetro quadrado de floresta". "Então, eles [Merkel e Macron] não têm autoridade para vir discutir essa questão [ambiental] conosco", afirmou, sendo aplaudido pelos parlamentares da bancada ruralista presentes no encontro.

O presidente disse ainda que o país tem "quase tudo" para cumprir o Acordo de Paris sobre o clima: "Faremos o que for possível", garantiu. Esse não será o caso da Alemanha, alfinetou ele, dizendo que o país europeu não cumprirá o pacto devido à "energia fóssil".

Outro tema abordado foi a influência de líderes estrangeiros sobre governos brasileiros no passado. Segundo Bolsonaro, a pressão internacional levou presidentes anteriores a demarcar terras indígenas e quilombolas e a ampliar áreas de proteção ambiental, algo que dificultou o progresso do país, afirmou o líder brasileiro.

"O que senti agora, em Osaka, no Japão, por parte especial de dois chefes de Estado [Merkel e Macron], é uma coisa que confirmou o que eu pensava no passado, o que eles pensam ao nosso respeito", afirmou Bolsonaro.

"Esses dois, em especial, achavam que estavam tratando com governos anteriores, que, após reuniões como essas [G20], vinham para cá e demarcavam dezenas de áreas indígenas, demarcavam quilombolas, ampliavam área de proteção, ou seja, dificultavam cada vez mais o nosso progresso aqui no Brasil", declarou.

Bolsonaro sempre foi crítico das demarcações de terras e já disse que não pretende demarcar novas regiões. Após assumir a Presidência, ele transferiu a competência de demarcação de terras indígenas da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura, sendo alvo de contestações na Justiça.

No encontro com ruralistas no Planalto, o presidente disse não reconhecer a autoridade do líder indígena kayapó Raoni Metuktire, recebido recentemente por uma série de chefes de Estado europeus, incluindo Macron, para alertar sobre as crescentes ameaças à Amazônia e recolher fundos para a proteção da reserva do Xingu, no Mato Grosso.

Segundo Bolsonaro, o presidente francês teria pedido a ele para tratar de questões ambientais na presença de Raoni, mas acabou recebendo um "rotundo não".

"O senhor Macron queria que eu, ele, ao lado do Raoni, viesse anunciar decisões para nossa questão ambiental. Dei-lhe um rotundo não", disse. "Para estar ao meu lado para tomar uma decisão sobre o Brasil, Raoni não é autoridade."

Atritos no G20

O presidente trocou declarações atravessadas com líderes europeus no âmbito da cúpula do G20, após Merkel e Macron terem expressado preocupação com a política ambiental brasileira sob o governo de Bolsonaro.

Pouco antes de viajar ao Japão, a líder alemã declarou que via com "grande preocupação" a política do governo brasileiro em relação ao desmatamento e aos direitos humanos, e disse que desejava ter uma "conversa clara" com o brasileiro sobre esses temas.

Bolsonaro não reagiu bem à fala de Merkel e, ao chegar a Osaka, disse que não aceitará ser advertido por outros países e que os alemães têm muito "a aprender" com os brasileiros. "Nós temos exemplo para dar para a Alemanha sobre meio ambiente, a indústria deles continua sendo fóssil, em grande parte de carvão, e a nossa, não. Então eles têm a aprender muito conosco", comentou.

Mais tarde, foi a vez de o general Augusto Heleno, titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), reagir aos europeus. "O Brasil é um dos países que mais preserva meio ambiente no mundo. Quem tem moral para falar da preservação de meio ambiente do Brasil? Estes países que criticam? Vão procurar a sua turma", declarou.

Apesar dos atritos, Bolsonaro teve encontros com Merkel e Macron durante a cúpula do G20, num clima um pouco mais ameno. A ambos os líderes, o presidente disse ter dito que o Brasil é vítima de uma "psicose ambientalista".

"Conversei com ela [Merkel], foi uma conversa tranquila. Em alguns momentos, ela arregalava os olhos, de maneira bastante cordial. Mostramos que o Brasil mudou o governo, e é um país que vai ser respeitado. Falei para ela também da questão da psicose ambientalista que existe para conosco", disse ele a jornalistas.

EK/ots/dw

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