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Jair Bolsonaro
Na segunda-feira, Bolsonaro já havia dito que a crise do coronavírus estava sendo "superdimensionada"Foto: AFP/S. Lima

Bolsonaro nega crise e culpa imprensa por turbulência

10 de março de 2020

Presidente diz que coronavírus – que já deixou mais de 4 mil mortos no mundo – "não é isso tudo que a mídia propaga" e que "problemas na Bolsa acontecem". TSE rebate acusação sem provas de Bolsonaro sobre fraude em 2018.

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Após um dia de pânico nos mercados financeiros, o presidente Jair Bolsonaro negou que esteja ocorrendo uma crise e preferiu culpar a imprensa pela situação. Em um evento com empresários em Miami nesta terça-feira (10/03), ele disse que "problemas na Bolsa acontecem" e que o novo coronavírus, que já deixou mais de 4 mil mortos pelo mundo, "não é isso tudo que a grande mídia propaga".

Na segunda-feira, bolsas de todo o mundo registraram perdas históricas diante do temor da disseminação da covid-19 e por causa de uma disputa entre a Rússia e Arábia Saudita envolvendo o preço do petróleo. No caso brasileiro, o dólar disparou, e a Bovespa teve que interromper o pregão diante das perdas.

A turbulência também ocorreu na esteira de um momento de inquietação no Brasil. O país recentemente registrou um crescimento frustrante do PIB, e o governo Bolsonaro vem demonstrando inabilidade em apresentar reformas, além de protagonizar seguidas crises com o Congresso.

Para o presidente, os efeitos dessa turbulência, incluindo a disputa entre sauditas e russos, são culpa da imprensa.

"Alguns da imprensa conseguiram fazer de uma crise a queda do preço do petróleo […] É melhor cair 30% do que subir 30% do preço do petróleo. Mas isso não é crise. Obviamente, problemas na Bolsa, isso acontece esporadicamente. Como estamos vendo agora há pouco, as bolsas que começam a abrir hoje já começam com sinais de recuperação", afirmou o presidente nesta terça.

"Muito do que tem ali é muito mais fantasia, a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga", completou Bolsonaro.

Na segunda-feira, o presidente já havia dito que "o poder destruidor do coronavírus" estava sendo "superdimensionado". Ao todo, cerca de 114 mil pessoas no mundo já foram diagnosticadas com a covid-19 desde o início do surto da doença, na China, no fim de 2019.

Bolsonaro repetiu declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também vem minimizando o impacto do coronavírus. A Casa Branca chegou a classificar a epidemia como uma "uma temporada de gripe forte". Nesta segunda-feira, os EUA contabilizam 647 casos confirmados, incluindo 25 mortes.

Nos EUA, Bolsonaro também voltou a fazer declarações incendiárias sobre o sistema eleitoral brasileiro. Afirmou, sem apresentar qualquer prova, que houve fraude nas eleições presidenciais de 2018 e que ele teria sido eleito já no primeiro turno. "Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude", disse o presidente, nos EUA.

Ao longo da fala, Bolsonaro não especificou que provas seriam essas. O discurso de uma suposta fraude no primeiro turno já havia sido disseminado – novamente sem provas – pelos seus apoiadores logo depois do primeiro turno das eleições de 2018.

Na ocasião, tanto Bolsonaro quando seus apoiadores cobraram a instalação de um sistema de voto impresso nas urnas eletrônicas. Nesta segunda-feira, ele voltou a defender algo semelhante. "Precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos. Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes", disse.

Bolsonaro ficou em primeiro lugar no primeiro turno das eleições de 2018 e terminou o pleito acumulando mais de 57 milhões de votos. Nesta terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu às acusações do presidente.

"O TSE reafirma a absoluta confiabilidade e segurança do sistema eletrônico de votação e, sobretudo, a sua auditabilidade, a permitir a apuração de eventuais denúncias e suspeitas, sem que jamais tenha sido comprovado um caso de fraude, ao longo de mais de 20 anos de sua utilização", afirmou o tribunal.

"Cabe reiterar: o sistema brasileiro de votação e apuração é reconhecido internacionalmente por sua eficiência e confiabilidade. Embora possa ser aperfeiçoado sempre, cabe ao tribunal zelar por sua credibilidade, que até hoje não foi abalada por nenhuma impugnação consistente, baseada em evidências. Eleições sem fraudes foram uma conquista da democracia no Brasil e o TSE garantirá que continue a ser assim", ressaltou o TSE.

JPS/ots

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