1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Brasilien | Elon Musk trifft Jair Bolsonaro
Foto: Kenny Oliveira/BRAZIL'S MINISTRY OF COMMUNICATION/AFP

Bolsonaro e Musk se reúnem para tratar da Amazônia

20 de maio de 2022

No Brasil, bilionário lança rede de satélites que conecta lugares remotos. Ignorando sistema de controle já existente, que indicou explosão de desmatamento, governo diz que Musk pode ajudar no monitoramento da floresta.

https://www.dw.com/pt-br/bolsonaro-e-musk-se-re%C3%BAnem-para-tratar-da-amaz%C3%B4nia/a-61883084

O fundador da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira (20/05) para discutir conectividade e outros projetos na Amazônia.

O encontro foi organizado pelo ministro das Comunicações, Fabio Faria, que disse que o governo está buscando parcerias com o homem mais rico do mundo para levar ou melhorar a internet em escolas e unidades de saúde da zona rural da região amazônica, usando tecnologias desenvolvidas pela SpaceX e pela rede de satélites de Musk, a Starlink. A preservação da maior floresta tropical do mundo também seria tema do encontro.

Apesar do encontro com Bolsonaro, o objetivo principal da visita de Musk ao Brasil é manter contato com empresários, visando acordos comerciais. Por essa razão, Musk e Bolsonaro se encontraram em um luxuoso resort no interior de São Paulo – e não no Palácio do Planalto, em Brasília, como é de praxe em encontros oficiais.

Nesta sexta-feira, Musk anunciou o lançamento da rede Starlink para conectar 19 mil escolas em áreas rurais e monitorar a Amazônia.

"Super empolgado por estar no Brasil para o lançamento do Starlink para 19 mil escolas não conectadas em áreas rurais e monitoramento ambiental da Amazônia", escreveu Musk no Twitter.

No encontro, não foram dados detalhes desta parceria e nem divulgados valores e prazos para o sistema entrar em funcionamento.

Bolsonaro quer ajuda para acabar com "mentiras"

Durante a conversa com Musk, Bolsonaro disse que a região amazônica é "muito importante" para o Brasil e que espera que o bilionário ajude a acabar com supostas "mentiras" sobre sua gestão da Amazônia, que é amplamente criticada internacionalmente. Durante o governo Bolsonaro, o desmatamento na região bateu recordes.

"Contamos com Elon Musk para que a Amazônia seja conhecida por todos no Brasil e no mundo, para mostrar a exuberância desta região, como a estamos preservando e o quanto nos prejudicam aqueles que espalham mentiras sobre esta região", disse o presidente.

A afirmação vem após Bolsonaro ser condenado globalmente por defender mais mineração e agricultura na Amazônia e pelo retrocesso ambiental do Brasil. 

Vários órgãos de pesquisa, apoiados por inúmeras imagens de satélite, afirmam que o desmatamento na Amazônia aumentou sob a gestão de Bolsonaro. Em dezembro de 2021, um levantamento divulgado pelo Instituto Socioambiental (ISA) revelou que o desmatamento em áreas que deviam estar protegidas aumentou 79% nos três anos do governo de Bolsonaro, em comparação com período de 2016 a 2018.

Críticos apontam que o presidente é o principal culpado, tendo encorajado e apoiado madeireiros e grileiros a se apoderaram da região, sob a bandeira do "desenvolvimento".

Embora o governo argumente que na agenda de discussões com Musk estavam formas de monitorar a Amazônia, as atividades ilegais na vasta floresta já são acompanhadas por diversas instituições brasileiras, entre elas, a Polícia Federal, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e, sobretudo, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), alvo frequente de críticas e ataques de Bolsonaro.

Elogios pela possível compra do Twitter

Bolsonaro e Musk apareceram juntos em uma transmissão ao vivo na conta do presidente no Facebook, respondendo perguntas de um grupo de estudantes. "Muito pode ser feito para melhorar a qualidade de vida por meio da tecnologia", disse o bilionário.

Embora nenhum dos alunos tenha perguntado sobre a possível compra do Twitter por Musk, Bolsonaro disse que o negócio representava um "sopro de esperança". "A liberdade é o cimento para o futuro", disse o presidente, chamando o bilionário de "lenda da liberdade".

Assim como Musk, Bolsonaro procurou se posicionar como defensor da liberdade de expressão e se opôs ao banimento de membros da plataforma, incluindo do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Bolsonaro criticou as principais plataformas de mídia social por seus esforços para combater a desinformação, incluindo a eliminação de seus comentários infundados ligando as vacinas contra covid-19 ao desenvolvimento de aids.

Musk se ofereceu para comprar o Twitter por 44 bilhões de dólares, mas, nesta semana, disse que o acordo não poderá ir adiante até que a empresa forneça informações sobre quantas contas na plataforma são spam ou robôs.

Uso político do encontro

O encontro de Bolsonaro com Musk ocorre apenas cinco meses antes das eleições presidenciais de 2022, que tem como líder nas pesquisas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A reunião de última hora de Bolsonaro com o bilionário é vista pelos responsáveis por sua campanha de reeleição como uma oportunidade positiva de promovê-lo, após uma semana de ataques do presidente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora agora, com Musk, Bolsonaro fale em monitorar a Amazônia, o presidente se mostrou contra isso ao longo de seu mandato.

Em agosto de 2019, em meio à crise gerada pela contrariedade do governo com a divulgação de dados do desmatamento da Floresta Amazônica, o diretor do Inpe Ricardo Galvão foi exonerado.

Depois, em julho de 2020, Bolsonaro exonerou a coordenadora-geral de Observação da Terra do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), departamento responsável pelos sistemas Deter e Prodes, que monitoram o avanço do desmatamento da Amazônia. A exoneração ocorreu pouco menos de uma semana depois que o Inpe divulgou um número negativo sobre a devastação da Amazônia, apontando que em junho daquele ano o bioma registrou o maior número de alertas de desmatamento desde 2015.

le/cn (AFP, reuters, ots)