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Bolsonaro diz ser ligado a Trump e que houve fraude nos EUA

7 de janeiro de 2021

Brasileiro é voz dissonante entre líderes mundiais que condenam a invasão do Capitólio em Washington. Fazendo paralelo com Trump, ele volta a dizer que eleição brasileira de 2018 foi fraudada, sem mostrar provas.

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Jair Bolsonaro
"A minha eleição foi fraudada. Era para eu ter ganho no primeiro turno", disse BolsonaroFoto: Eraldo Peres/AP Photo/picture alliance

Líderes mundiais classificaram de "vergonhoso", "chocante" e "preocupante" a invasão do Capitólio em Washington na noite desta quarta-feira (06/01) por partidários de Donald Trump, denunciando um "ataque à democracia ".

No entanto, a voz do presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, destoou das condenações. Ele evitou criticar a violência provocada no Congresso americano por partidários do republicano e se mostrou compreensivo com as acusações de fraude eleitoral que motivaram os excessos, falando a apoiadores nesta quarta-feira.

"Eu acompanhei tudo. Você sabe que eu sou ligado ao Trump. Você sabe da minha resposta. Agora, muita denúncia de fraude, muita denúncia de fraude. Eu falei isso um tempo atrás", afirmou Bolsonaro, depois que um apoiador perguntou a opinião dele sobre os acontecimentos na capital americana.

O presidente brasileiro associou a situação nos EUA à sua eleição em 2018, voltando a fazer acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas. "A minha eleição foi fraudada. Eu tenho indícios de fraude na minha eleição. Era para eu ter ganho no primeiro turno."

Merkel se disse triste e furiosa

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, afirmou que a invasão do Capitólio deixou-a furiosa e também triste e atribuiu parte da responsabilidade pelos acontecimentos ao presidente Donald Trump. "Lamento profundamente que o presidente Trump não admita sua derrota desde novembro e ontem de novo", disse Merkel .

"Vencedores e perdedores têm que cumprir papel com decência"

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e o presidente do Bundestag, Wolfgang Schäuble, também condenaram os eventos violentos ocorridos em Washington e afirmaram que Trump tem parte da responsabilidade pela invasão. Steinmeier disse que se trata de um ataque à democracia liberal.

O ministro do Exterior da Alemanha, Heiko Maas, exortou os apoiadores de Donald Trump a "pararem de pisotear a democracia", acrescentando que "palavras inflamadas se transformam em ações violentas". Já o ministro das Finanças e vice-chanceler alemão, Olaf Scholz, condenou as "imagens perturbadoras" de Washington e denunciou "um ataque insuportável à democracia".

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, denunciou "cenas vergonhosas" e pediu uma transição pacífica de poder para o democrata Joe Biden. "Nada pode justificar essas tentativas violentas de inviabilizar a transição", disse o ministro do Exterior britânico, Dominic Raab.

Em vídeo, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou: "Não cederemos à violência de alguns que querem desafiar" a democracia. "Quando, em uma das mais antigas democracias do mundo, partidários de um presidente cessante questionam, pela força das armas, os resultados legítimos de uma eleição, estão destruindo uma ideia universal: uma pessoa, um voto", acrescentou. Para Macron, "o que aconteceu hoje em Washington não é, sem dúvida alguma, algo próprio dos Estados Unidos".

"Violência incompatível com democracia"

"A violência é incompatível com o exercício dos direitos e das liberdades democráticas. Confio na força e na solidez das instituições dos Estados Unidos", tuitou o chefe do governo italiano, Giuseppe Conte. Seu ministro das Relações Exteriores, Luigi di Maio, escreveu na mesma rede social: "O que está acontecendo em Washington hoje é muito sério. É uma verdadeira vergonha para a democracia e um ataque às liberdades do povo americano".

"Acredito na força das instituições americanas e da democracia. Uma transição pacífica é essencial", tuitou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, insistindo que "Joe Biden ganhou as eleições".

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, denunciou um "ataque sem precedentes à democracia nos Estados Unidos" e apelou ao respeito do resultado das eleições presidenciais.

"Ver as imagens em Washington foi um choque. Estamos confiantes de que os Estados Unidos garantirão uma transferência pacífica do poder para Joe Biden", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, no Twitter.

David Sassoli, presidente do Parlamento Europeu, afirmou que "os votos democráticos devem ser respeitados".

"Cenas chocantes"

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, tuitou que acompanha "com preocupação" as notícias vindas do Capitólio. "Estou confiante na força da democracia da América", disse. "A nova presidência de Joe Biden vai superar o estágio de tensão, unindo o povo americano".

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, tuitou que as cenas no Capitólio foram um "ataque à democracia".

"Os canadenses estão profundamente preocupados e tristes com o ataque à democracia nos Estados Unidos, nosso aliado mais próximo e vizinho", disse ele.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, denunciou "cenas chocantes" e pediu respeito pelo resultado das eleições presidenciais.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, condenou "o ataque às instituições nos Estados Unidos", exortando "a recuperar a racionalidade necessária e a encerrar o processo eleitoral de acordo com a Constituição".

MD/afp/lusa/ots