Berlim, a cidade das bibliotecas | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 26.01.2021

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Coluna Checkpoint Berlim

Berlim, a cidade das bibliotecas

Berlim reabre Biblioteca Estatal, após 15 anos de reformas. Visitantes terão que esperar para conhecê-la devido pandemia. Enquanto isso, governo libera gratuitamente acesso a conteúdo digital de bibliotecas públicas.

Fachada da Biblioteca Estatal de Berlim, localizada na avenida Unter den Linden

Biblioteca Estatal de Berlim na Unter den Linden ficou durante 15 anos em obras

Depois de 15 anos parcialmente fechada para reformas, a sede da Biblioteca Estatal de Berlim, localizada na avenida Unter den Linden – conhecida como Stabi Ost –,  foi reaberta nesta segunda-feira (25/01) numa cerimônia online. A reinauguração do prédio, que abriga desde 1904 a biblioteca criada em 1661, foi ofuscada pela pandemia de covid-19. Os visitantes terão que esperar, pelo menos, até meados de fevereiro para visitar o local.

Uma da maiores da Europa, a biblioteca abriga uma rica coleção, incluindo partituras originais de Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart. Do lado oriental de Berlim, durante a antiga República Democrática Alemã (RDA), o prédio danificado durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial passou apenas por reformas essenciais e, por isso, essa grande obra foi necessária.

Desde que moro em Berlim, a Stabi Ost está em obras, conheci apenas a nova e impressionante sala de leitura e espero em breve ter a oportunidade de conhecer o resto do prédio, do qual já ouvi muito falar sobre os espaços incríveis para se trabalhar.

Sempre gostei muito de bibliotecas. Desde cedo fui incentivada a emprestar livros: na pré-escola, tínhamos o dia de levar um livrinho que gostávamos para trocarmos entre os colegas da turma. Depois cresci emprestando livros no colégio, onde havia um dia do mês no qual toda a turma era "obrigada” a ir na biblioteca escolher um livro. Era uma biblioteca pequena, mas na época parecia enorme e sempre havia um livro interessante para ler.

Na adolescência, passei a frequentar a Biblioteca Pública, buscando títulos nos arquivos, anotando os números daqueles que chamavam a atenção e levando o máximo possível para casa, pois, afinal, ela ficava longe de onde morava. Com o tempo, esse costume foi se perdendo um pouco: veio faculdade, estágio, trabalho e já não havia mais tanto tempo livre para simplesmente dar uma passada na biblioteca e ficar lá horas buscando títulos interessantes nos arquivos.

Quando vim para a Alemanha, o interesse por bibliotecas voltou com tudo. Fazendo mestrado, bibliotecas eram espaços fundamentais. E esses locais aqui também impressionam. Em Berlim, fica a biblioteca do Instituto Ibero-Americano, popularmente conhecido como Ibero, que possui a maior coleção da Europa de livros de língua espanhola e portuguesa. Há quase tudo ali, nunca procurei um título que eles não tinham. A possibilidade de ter acesso e poder ler a autores brasileiros no original dá uma sensação de estar mais próximo de casa.

Além das grandes bibliotecas, como as Stabi Ost e West e o Ibero, frequentadas principalmente por estudantes das universidades da cidade e pesquisadores, há várias menores distribuídas pelos bairros berlinenses. Nelas, há acesso à internet, salas de leituras, jornais e revistas. Atualmente, a carteira de leitor para essas bibliotecas públicas estaduais custa 10 euros para maiores de 18 anos. Já para menores ela é gratuita, assim como para quem depende de benefício social. Há também um desconto para estudantes.

Com a pandemia e o lockdown, o secretário de Cultura de Berlim disponibilizou a todos os moradores da cidade uma carteira de leitor digital gratuita, válida por três meses. Com ela, é possível ter acesso a todo acervo digital das bibliotecas públicas locais, que, além de livros digitais, possui álbuns de diversos artistas e vários filmes disponíveis num streaming próprio – muitos bem interessantes.

Ao anunciar a decisão na semana passada, Klaus Lederer lembrou a importância de disponibilizar o acessos ao acervo das bibliotecas em tempos de pandemia, não somente para o aprendizado, mas também para o lazer. "A carteira gratuita é um sinal importante de que nossas bibliotecas estão disponíveis para todos, inclusive agora". Ele ainda convidou os moradores a aproveitarem essa chance para conhecer o conteúdo cultural destes espaços.

Falando em leitura, aqui em Berlim, durante o lockdown apenas serviços essenciais podem permanecer abertos. E entre eles estão as livrarias.

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Clarissa Neher é jornalista da DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy. Siga-a no Twitter.

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