Banda Brockdorff Klang Labor atualiza temática das canções de protesto | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 10.08.2011
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Cultura

Banda Brockdorff Klang Labor atualiza temática das canções de protesto

Banda de Leipzig vence concurso de canções de protesto com uma música sobre as revoltas no mundo árabe e os refugiados da ilha de Lampedusa. Para organizadores da competição, universo pop deixou de ser político.

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Brockdorff Klang Labor lança segundo álbum em breve

Os primeiros acordes de Festung Europa deixam claro: a música da Brockdorff Klang Labor, ou simplesmente BKL, é pop. Mas não se trata de um pop qualquer e sim de um inteligente electro-pop.

O som talvez não garanta o primeiro lugar no Eurovision Song Contest, famoso festival europeu, mas deu à banda o primeiro lugar num concurso de canções de protesto. Entre 120 candidatos, a banda de Leipzig, leste da Alemanha, foi a vencedora da competição proposta pela revista de cultura pop Spex, na edição de maio e junho de 2011.

Assim como nos tempos de Bob Dylan ou Joan Baez, o que conta nas canções de protesto são as letras. Para Festung Europa (Fortaleza Europa), a vocalista Nadja von Brockdorff escreveu versos como este: "O cheiro de areia, e nos olhos o velho medo. Você que luta do outro lado do mar: venha para cá, venha para a fortaleza Europa".

Nadja diz que a inspiração veio do recente colapso dos regimes árabes e das discussões em torno dos milhares de refugiados da ilha de Lampedusa, no sul da Itália. "Dizemos: 'Venham para cá!'. Essa é a única alternativa para todo esse teatro dos chefes de governo europeus", diz Nadja. Além dela, Sergej Klang e Ekki Labor formam a Brockdorff Klang Labor.

Brockdorff Klang Labor

Sergej Klang, Nadja von Brockdorff e Ekki Labor

Sergej e Nadja sabem que é ingênuo simplesmente convidar mais de 1 bilhão de potenciais refugiados da África para virem à Europa. Mas eles tematizam o problema do distanciamento europeu em relação aos refugiados e o empacotam numa música cativante: moderna, sexy, dançante e, ainda assim, sutil.

Sergej reconhece que é impossível esgotar o debate político sobre o tema numa canção pop. "Uma canção tem um número limitado de versos e palavras. Assim pode-se atribuir a ela uma certa ingenuidade." Mas ele gostaria que a música fosse entendida como uma provocação e não como um monte de palavras que as pessoas repetem sem pensar.

Guttenberg, Fukushima e o apocalipse

No concurso proposto pela revista Spex, a BKL competiu com outras 119 bandas, músicos e compositores, que interpretaram o tema "canção de protesto" das mais variadas maneiras: do clássico trovador solitário até números a capella, incluindo ainda composições de electro minimalista.

A temática incluiu as acusações de plágio contra o ex-ministro alemão Karl-Theodor zu Guttenberg, a guerra no Afeganistão, a tragédia de Fukushima, os males da juventude atual e até o apocalipse – sempre com o lema "O protesto está por toda a parte". Quatro jurados escolheram a BKL como vencedora.

Brockdorff Klang Labor

O novo álbum da BKL trará a canção "Festung Europa"

"Nosso concurso foi o resultado de uma série de reflexões sobre por que o pop é hoje pós-político", explica Ralf Krämer, editor da Spex. Para ele, a cena política de esquerda do pop – ainda muito ativa há 15 anos – quase não existe mais, apesar de haver inúmeros assuntos atuais dignos de serem tematizados.

"Nos anos 1990, músicos alemães se expressavam muito abertamente sobre temas como o nacionalismo, que ganhava força novamente na Alemanha reunificada. Hoje esse espaço foi deixado para gente como Paul Kalkbrenner [DJ alemão], que toca diante de soldados alemães no Afeganistão e, de alguma forma, consegue fazer isso de maneira totalmente apolítica", afirma Krämer.

Cultura jovem e diversão

Também a BKL era relativamente despolitizada há quatro anos, quando lançou o primeiro álbum, Mädchenmusik (música de menina). Isso deverá mudar no próximo, Die Fälschung der Welt (A falsificação do mundo), que deverá ser lançado em breve.

"Na música pop, canções de protesto têm a reputação de não serem divertidas o suficiente porque não se pode fazer festa e encher a cara ao ouvi-las", diz Klang, o que ele chama de "o fator diversão da cultura jovem atual". Essa seria a razão para existirem hoje tão poucas canções de protesto.

"Eu nunca havia descartado a ideia de que uma boa música pop, que funcione nas pistas de dança, também possa transmitir uma mensagem política", diz. Por isso Festung Europa com certeza entrará no próximo álbum da banda. A canção pode não mudar o universo da política, mas talvez mude um pouco o universo da música pop.

Autor: Ronny Arnold (lf)
Revisão: Alexandre Schossler

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