Banco Central Europeu reduz taxa básica de juros | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 15.01.2009
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Economia

Banco Central Europeu reduz taxa básica de juros

Após a redução de dezembro, o Banco Central Europeu volta a baixar a taxa básica de juros, a fim de resguardar da crise os países onde circula a moeda única européia.

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Europa não deverá acompanhar política norte-americana de taxa de juros zero

O Banco Central Europeu baixou nitidamente a taxa básica de juros diante dos prognósticos de crise para a economia dos países da zona do euro. A taxa foi reduzida em 0,5 pontos percentuais para 2%, conforme o anúncio feito nesta quinta-feira (15/01).

No início de dezembro, o Banco Central já havia ditado uma redução de 0,75 ponto percentual, a mais drástica de sua história. Com a nova diminuição, a taxa básica de juros atinge o nível mais baixo desde junho de 2003.

Na semana passada, o Bank of England reduziu a taxa para o nível recorde de 1,5%. Nos Estados Unidos, os juros ficaram entre 0,0% a 0,25% após uma decisão do Banco Central. Taxas de juros baixas tornam mais baratos os empréstimos para consumidores e empresas, mas também reduzem os rendimentos de investimentos de poupança.

Euro funciona como escudo da crise

O fato de o estrago causado pela crise econômica mundial na Europa não ter sido ainda maior se deve em grande parte ao euro. As turbulências monetárias poderiam muito bem ter afetado ainda mais a Alemanha e a França, por exemplo, se o euro não existisse. Onde o euro foi adotado, ele funciona como uma espécie de escudo.

Norbert Walther, economista-chefe do Deutsche Bank, destaca o desempenho do euro e do Banco Central Europeu nesse sentido: "O euro mostrou ser a segunda principal moeda do mundo [ao lado do dólar]. E o Banco Central Europeu teve uma atuação consistente e confiável na última década e especialmente nos últimos dois anos de crise financeira".

Os exemplos da Hungria e da Letônia mostram o quão desprotegidos estão os países sem um forte vínculo com o euro. O forint húngaro se tornou objeto de especulação, o que levou o país ao limite da falência. A crise financeira aguda que assolou a Letônia só pôde ser contornada com uma injeção de bilhões de euros da UE e do Fundo Monetário Internacional.

Até o Reino Unido, onde o euro sempre foi temido, passou a cogitar uma eventual adoção da moeda única européia. O mais tardar quando a libra quase esteve em paridade com o euro, em dezembro passado, o debate foi lançado.

A Polônia, até agora também do lado dos antagonistas do euro, já estipulou o ano de 2012 como possível prazo para adoção da moeda; na Romênia, isso poderá acontecer em 2014.

Euro forte também tem desvantagens

No entanto, um euro forte demais não traz apenas vantagens. Ele torna mais caras as exportações dos países que o adotam, algo que deverá dificultar a recuperação da economia da UE. Na opinião de Norbert Walter, um câmbio justo seria 1,2 dólar e não 1,4 dólar.

"Por outro lado, também fica claro que um euro tão forte assim afeta a competitividade e, em meio a uma crise, representa uma sobrecarga adicional, mesmo para empresários fortes. Mas, como vem acontecendo há tantas décadas, os americanos não parecem ligar muito para a preocupação dos europeus."

O governo em Washington sempre reitera estar interessado em um dólar forte. Mas esse não é o caso. A política do Banco Central norte-americano por uma taxa de juros zero não é exatamente um presente para a Europa. Afinal, diferenças de taxa entre a Europa e os EUA atraem ao mercado especuladores com as arriscadas transações denominadas carry trades.

Na opinião de Norbert Walter, o Banco Central Europeu dificilmente acompanhará a política de taxa de juros zero dos americanos, mesmo que as diferenças de juros sejam um fator perturbante.

"Por outro lado", analisa Walter, "também é preciso ver que a recessão realmente está afetando a Europa. Também há dúvidas em relação à eficiência da política financeira. Afinal, existem juros suplementares para uma série de governos. A Grécia e a Irlanda, por exemplo, têm que pagar juros adicionais no financiamento de longo prazo de seus deficits orçamentários. Isso significa que não há apenas sinais positivos para o euro. E também explica por que a alta que o euro vivenciou até meados de 2008 passou a ser relativizada."

Mas, mesmo em sua cotação atual em relação ao dólar, o euro continua forte. Além disso, a crise financeira fortaleceu consideravelmente sua credibilidade e aumentou sua comunidade de adeptos.

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