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Foto: picture alliance/Mary Evans Picture Library

Avanço da febre chikungunya deixa Brasil em alerta

Nádia Pontes
18 de dezembro de 2014

Número de casos saltou para mais de mil em três meses, atingindo sobretudo a Bahia. Doença pode ser transmitida pelo mosquito da dengue e outro do gênero Aedes. Autoridades chamam atenção para risco de epidemia.

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Desde o primeiro caso de transmissão da febre chikungunya em território nacional, no mês de setembro, o número de infectados no Brasil saltou para 1.364, segundo o Ministério da Saúde. Anteriormente, todos os casos identificados no país eram "importados", ou seja, pessoas chegaram ao país já contaminadas.

A doença, transmitida por um vírus que se hospeda em mosquitos do gênero Aedes, o mesmo que transmite a dengue, fez mais vítimas no estado da Bahia. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram registrados 952 casos, a maioria em Feira de Santana (748) e Riachão de Jacuípe (198). Até o momento, 76 municípios do estado identificaram casos suspeitos.

"Em qualquer lugar em que haja transmissão, há o risco de epidemia", disse à DW Brasil Jesuína Castro, da Vigilância Epidemiológica estadual. Desde que o vírus foi introduzido no estado, em setembro, a secretaria intensificou o combate à doença, com a meta de eliminar a transmissão autóctone – ocorrida localmente – até junho de 2015.

Além da Bahia, há registros de casos autóctones da febre chikungunya no Amapá (531), em Minas Gerais (2) e no Mato Grosso do Sul (1), segundo informações do ministério.

Pernambuco, que registra dois caos da doença, contraída fora do estado, está em alerta. "Sabemos que a possibilidade de transmissão é real e que todos os cidadãos estão suscetíveis", afirma a Secretaria de Saúde do estado.

Dengue x CHIK

A febre chikungunya é causada pelo vírus CHIK e pode ser transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti – o mesmo da dengue – e Aedes albopictus. Mas, diferentemente da dengue, a febre chikungunya só tem um sorotipo, ou seja, a pessoa pega a doença apenas uma vez.

Como os sintomas assemelham-se muito aos da dengue, o Ministério montou um plano de contingência para orientar a rede pública de saúde quanto ao diagnóstico. Além da febre alta, dores de cabeça e muscular, o CHIK provoca fortes dores nas articulações, o que o diferencia do vírus da dengue.

Devido ao ritmo acelerado dos casos de transmissão da febre chikungunya, as confirmações estão sendo feitas por critério clínico-epidemiológico, e não mais por testes laboratoriais. "No Brasil, há a indisponibilidade de kits diagnósticos validados", lembra a Secretaria Estadual de Saúde da Bahia.

Hospedeiro versátil

Em abril, um estudo publicado no Journal of Virology, feito por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz, comprovou a capacidade do mosquito da dengue de transmitir também a febre chikungunya. Na época, o grupo que participou do trabalho mencionou estar assustado diante da possibilidade de o vírus se espalhar pelo Brasil, já que a população nunca havia tido contato com ele.

Os testes mostraram que o mosquito pode transmitir a doença sete dias depois de ser contaminado. No caso do Aedes albopictus, esse prazo cai para dois dias – um tempo cinco vezes menor que o da transmissão da dengue. Esse gênero do mosquito, que nunca recebeu tanta atenção quanto o aegypti, deve ser agora combatido com maior intensidade, recomendam os autores.