Atentado mata mais de 100 em Cabul | Notícias internacionais e análises | DW | 27.01.2018
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Mundo

Atentado mata mais de 100 em Cabul

Talibã reivindica responsabilidade por bomba colocada em ambulância. Ataque é mais um em meio a escalada de ações por parte de insurgentes e contra civis na capital afegã.

Afghanistan Explosion in Kabul (picture-alliance/dpa/Zumapress)

Governo teme que número de mortos aumente

A explosão de uma bomba escondida em uma ambulância deixou ao menos 100 mortos e mais de 150 feridos neste sábado (27/01) em Cabul. O Talibã assumiu responsabilidade pelo atentando suicida.

Em entrevista coletiva, Nasrat Rahimi, um dos porta-vozes do governo, disse que o suicida levou a ambulância até o estacionamento do hospital Jahmuriat e depois foi em direção à antiga sede do Ministério do Interior. A bomba foi detonada perto de um controle policial.

O veículo explodiu por volta das 12h50. Vários departamentos do ministério ainda funcionam na antiga sede, que fica perto de um escritório dos Diretório Nacional de Segurança, a principal agência de inteligência do Afeganistão.

A região também abriga sedes de organizações não governamentais e é repleta de lojas e mercados, que estavam lotados neste sábado, dia útil no Afeganistão.

O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, reivindicou o atentado através de uma mensagem divulgada no aplicativo de mensagens Telegram. "Um mártir com um carro-bomba atingiu o primeiro ponto de controle perto Ministério do Interior", disse.

"É desumano, cruel e um crime de guerra", disse no Twitter o primeiro-ministro do Afeganistão, Abdullah Abdullah. Ele prometeu levar os responsáveis pelo atentado à Justiça e tomar todas as medidas necessárias para evitar ações similares no futuro, uma promessa que os moradores de Cabul já cansaram de ouvir.

Além disso, o primeiro-ministro pediu que a comunidade internacional tome ações contra o "terrorismo apoiado pelo Estado", uma referência indireta ao Paquistão, acusado pelo Afeganistão de respaldar talibãs que se refugiam no país vizinho.

O ataque voltou a deixar os moradores da capital em alerta. Há oito meses, um caminhão cheio de explosivos matou 150 civis, um ataque que nenhum grupo insurgente se atreveu a reivindicar. O governo, porém, responsabiliza os talibãs.

Na época, as autoridades afirmaram que tomariam medidas para tornar Cabul mais segura. O tráfego foi limitado em algumas regiões, mais barreiras foram instaladas, sem sucesso. Os ataques estão cada vez mais habituais.

O atentado ocorre em meio a um crescente número de ataques terroristas contra alvos civis por parte dos talibãs e do grupo "Estado Islâmico" (EI) nos últimos dias.

No último fim de semana, 20 pessoas morreram no Hotel Intercontinental de Cabul durante um ataque realizado por seis terroristas. Eles enfrentaram as forças de segurança por 12 horas.

Na quarta-feira, um ataque do EI contra a sede da ONG Save the Children em Jalalabad, no leste do país, provocou a morte de quatro funcionários da organização, um civil e um membro das forças de segurança que estava no local.

A missão da ONU no Afeganistão (Unama) deve divulgar nas próximas semanas o relatório anual de vítimas civis no conflito do país. Em 2016, foram 3.498 civis mortos e 7.920 feridos. 

CA/efe/lusa

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