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Há várias semanas as tropas ucranianas empregam obuseiros M777 dos EUAFoto: U.S. Marines/ZUMAPRESS/picture alliance

As novas armas enviadas pelos aliados à Ucrânia

Jan D. Walter
2 de junho de 2022

Quase todos os dias o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, pede armas mais poderosas a seus aliados. Agora alguns países anunciam que vão entregar mais sistemas armamentistas, inclusive EUA e Alemanha.

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É consenso entre os especialistas militares que a batalha por Donbass só pode ser vencida com armas pesadas. Para reduzir a superioridade numérica do exército russo, os aliados ocidentais têm fornecido milhares de armamentos e munições para a Ucrânia. Mas uma coisa é clara: o país não poderá continuar se defendendo se a entrega de armas parar.

Ao mesmo tempo, a Otan não quer arriscar uma guerra com a Rússia. Moscou tem repetidamente enfatizado que os envios de armas podem ser considerados também um ataque – especialmente se os equipamentos se prestarem a atacar o território russo. É por isso que os países que apoiam a Ucrânia avaliam com muito cuidado que armamentos fornecer a Kiev.

Estados Unidos

Isso ficou claro mais uma vez no fim de maio, quando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que atenderia ao pedido de Kiev, fornecendo sistemas lançadores de foguetes às Forças Armadas ucranianas. Em termos concretos, eles devem ser sistemas de foguetes de lançamento múltiplo do tipo MLRS (Multiple Launch Rocket System) ou a versão mais leve, Himars (High Mobility Artillery Rocket System).

Ambos são plataformas móveis que podem disparar uma variedade de mísseis. A principal diferença, porém, é que no Himars o lançador de mísseis é montado num caminhão blindado – em vez de num veículo com tração por lagartas. Embora os veículos com pneus tenham limitações de mobilidade em terrenos irregulares, eles consomem significativamente menos combustível e são mais leves, o que facilita seu transporte em aviões.   

HIMARS, Artillerie-Raketensystem M142 mit hoher Mobilität
Lançadores de foguete do tipo Himars oferecem muita mobilidadeFoto: U.S. Navy/Zumapress/picture alliance

Ambos os sistemas são capazes de disparar mísseis de médio alcance que atingem seus alvos a várias centenas de quilômetros. Porém o governo americano enviará apenas mísseis com alcance máximo de 80 quilômetros, para repelir ataques russos no território ucraniano. Um sistema de radar dos EUA para ajudar a localizar artilharia inimiga também deverá ajudar Kiev nos combates contra as forças russas. Washington diz que a Ucrânia se comprometeu a não usar as armas para atacar o território russo.

Desde o início da "operação militar especial" russa, os EUA têm sido de longe o maior fornecedor de armas para a Ucrânia. Em particular os sistemas de mísseis antitanque Javelin e antiaéreos Stinger podem ter sido fundamentais para estancar a invasão russa na fase inicial.

Para a batalha em campo aberto no Donbass, os EUA e outros países da Otan também forneceram helicópteros de combate e obuseiros de calibre 155 milímetros do padrão Otan. Agora também deverão ser entregues outras unidades desses armamentos.

Alemanha

A Ucrânia e países-membros da Otan acusam a Alemanha de hesitar na entrega de armas, enquanto o país afirma que cumpre os acordos internos da Otan. O fato é que até agora Berlim forneceu à Ucrânia milhares de armamentos menores, como fuzis e minas, e também lançadores de mísseis para destruir tanques, aviões e bunkers, além de milhões de munições. Porém nenhuma arma pesada.

Há algumas semanas, o governo prometeu entregar 50 tanques antiaéreos Gepard antes desativados e sete obuseiros autopropulsados PzH 2000. Estes podem – ao contrário dos obuseiros puxados por veículos – mudar de posição de modo autônomo após cada disparo.

O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, anunciou recentemente a entrega do sistema de defesa aérea Iris-T de última geração e de um radar de rastreamento ultramoderno que pode detectar artilharia inimiga. Além disso, a Alemanha fornecerá quatro lançadores múltiplos de foguetes dos estoques da Bundeswehr (Forças Armadas alemãs).

Luft-Rakete Iris-T des Industrie- und Rüstungskonzerns Dieh
Alemanha quer enviar foguetes Iris-T para a Ucrânia Foto: Daniel Karmann/picture alliance/dpa

A entrega de armamentos ocidentais à Ucrânia muitas vezes implica um problema: os soldados ucranianos não estão familiarizados com a maioria deles. Embora breves instruções bastem para equipamentos mais simples, o treinamento para sistemas complexos, como o tanque antiaéreo Gepard, pode levar várias semanas ou até meses, segundo especialistas.

Essa é uma das razões por que a Alemanha opta pela assim chamada entrega circular ou trocas de armamentos em três vias. Um exemplo: República Tcheca, Eslovênia e Grécia entregam para a Ucrânia tanques de origem soviética e veículos blindados; e Berlim repassa para estes países tanques Marder e Leopard 2 dos estoques de suas Forças Armadas.

Dinamarca

Os combates não ocorrem apenas na região do Donbass. A frota russa do Mar Negro também está sitiando a costa sudoeste da Ucrânia. Até agora, a Ucrânia tem protegido Odessa e outras cidades costeiras sobretudo com minas navais. Caso contrário, o litoral ficaria basicamente exposto a uma invasão a partir do mar, já que a própria Marinha ucraniana não possui uma frota significativa.

Prometidos pela Dinamarca, os mísseis antinavio Harpoon melhorariam significativamente as chances de defesa da costa ucraniana no Mar Negro e poderiam até mesmo quebrar o bloqueio naval russo que interrompe o comércio nos portos ucranianos.

Reino Unido

O governo britânico afirma ter entregado à Ucrânia uma gama de armamentos. Estes incluem vários lançadores de mísseis portáteis que, como o Javelin e o Stinger, podem ser usados ​​por soldados de infantaria contra alvos aéreos e terrestres após um breve briefing. Mas também foram enviados para o Exército ucraniano sistemas de mísseis mais pesados, ​​que podem ser lançados de veículos ou do solo.

De acordo com o ministro das Forças Armadas, James Heappey, centenas de mísseis Brimstone-1 – que podem destruir tanques, posições de artilharia, mas também barcos levemente blindados – devem ser igualmente entregues à Ucrânia.

Além disso, Londres planeja o envio de 120 veículos blindados de transporte de tropas do modelo Mastiff, com forte blindagem contra minas, bem como pequenos drones de transporte para fornecer alimentos e munições aos soldados no front de batalha.

Deutschland | Niederländische Panzerhaubitze 2000 auf der A1
Holanda promete à Ucrânia obuseiros autopropulsados PzH 2000Foto: Thomas Frey/dpa/picture alliance

República Tcheca

A República Tcheca já forneceu à Ucrânia um número desconhecido de veículos blindados de transporte de soldados, tanques, vários lançadores de mísseis e obuseiros, além de helicópteros de combate soviéticos. E aparentemente o país quer entregar mais armas pesadas às Forças Armadas ucranianas. Para a ministra da Defesa Jana Cernochova, a continuidade na entrega de armamentos é importante.

Armamentos de outros países

De acordo com especialistas, outros países – como Canadá, Itália, Grécia, Noruega e Polônia – planejam fornecer à Ucrânia sistemas de artilharia, incluindo dezenas de milhares de munições. Assim como a Alemanha, a Holanda tencionam entregar vários obuseiros autopropulsados PzH 2000.

Tanto os obuseiros M777 – que são comuns na Otan – quanto os obuseiros autopropulsados PzH 2000 disparam diversos tipos de munição, tais como de fragmentação, fumaça multiespectral ou projéteis explosivos "comuns" com o calibre adotado pela Otan. O PzH 2000 pode usar projéteis que atingem alvos a até 40 quilômetros de distância; enquanto o alcance máximo dos mísseis usados pelo M777 é de 25 quilômetros.

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