Argentina pede ajuda ao FMI | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 09.05.2018
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América Latina

Argentina pede ajuda ao FMI

Anúncio de Macri desperta velhos fantasmas. Após 15 anos, é primeira vez que argentinos recorrem ao Fundo, marcado pelos embates com os Kirchner e que, para muitos, é culpado pela crise do início do século no país.

Presidente Mauricio Macri diz que o objetivo é evitar uma crise como as que tivemos em nossa história

Presidente Mauricio Macri diz que o objetivo é "evitar uma crise como as que tivemos em nossa história"

Com a Argentina em crise cambial, o presidente Mauricio Macri anunciou nesta terça-feira (08/05) ter decidido recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para tentar conter a desvalorização do peso frente ao dólar.  

É a primeira vez em 15 anos que os argentinos recorrem ao FMI, uma instituição que ficou marcada no país: muitos ainda a culpam pelas políticas que, após os sucessivos empréstimos dos anos 1980 e 90, levaram ao colapso econômico nacional entre 2001 e 2002.

O empréstimo inicial seria 30 bilhões de dólares, mas o valor não foi confirmado ainda. Primeiro presidente eleito após a era Kirchner, marcada por embates com o FMI, Macri disse que o objetivo será evitar a repetição de crises passadas.

"Implementamos uma política econômica gradual que procura equilibrar o desastre que deixaram em nossas contas públicas, cuidando dos setores vulneráveis e, ao mesmo tempo, crescendo e gerando mais empregos e desenvolvimento", disse Macri.

O presidente afirmou já ter conversado com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, e que isso permitirá fortalecer o programa de crescimento e desenvolvimento, dando "maior apoio para enfrentar este novo cenário global".

Ele disse ainda que o país está percorrendo "o único caminho possível para sair da estagnação, buscando sempre evitar uma grande crise econômica".

Para isso, Macri admitiu que o grande problema argentino é ser "um dos países que mais depende de financiamento externo". "Isso é fruto do enorme gasto público que herdamos e estamos colocando em ordem", acrescentou.

O presidente observou que, durante os dois primeiros anos de seu governo, a Argentina contava com um contexto mundial favorável, mas a situação acabaria se transformando.

"As condições mundiais estão cada dia mais complexas por vários fatores: aumentam as taxas de juros, o preço do petróleo, as moedas de países emergentes estão cada vez mais desvalorizadas, entre outras variáveis que nós não controlamos", disse Macri.

O governo argentino disse que o FMI é via de financiamento de custo mais baixo, uma vez que oferece taxas inferiores às do mercado, e assegurou que a medida não aumenta o endividamento do país, mas fortalece sua solvência.

"É o financiamento mais barato que temos disponível, o Fundo oferece crédito a taxas inferiores às do mercado, e as taxas internacionais subiram. Isso não aumenta o endividamento da Argentina porque substitui provavelmente outro financiamento que seria mais caro", argumentou o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne.

A oposição lançou fortes críticas ao pedido de ajuda ao FMI. Agustín Rossi, líder da bancada de parlamentares oposicionistas, que inclui também os kirchneristas, disse que a decisão significa um "grave retrocesso" para o país. "Nossa rejeição se baseia na história econômica argentina: os acordos com o FMI sempre foram prejudiciais para o nosso povo", afirmou.

A deputada federal Victoria Donda afirmou que os resgates do FMI "trazem as piores recordações aos argentinos". Nicolás del Caño, da Frente de Esquerda, disse que isso trará "mais endividamento em troca de piores condições de vida para a grande maioria da população".

RC/efe/dpa                                       

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