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Imunizante produzido por AstraZeneca e Oxford é a maior aposta do governo brasileiro contra a covid-19Foto: Andrew Yates/AFP/Getty Images

Aposta do Brasil, vacina de Oxford ainda não tem aval da UE

29 de dezembro de 2020

Vice-diretor da agência de medicamentos do bloco diz que faltam dados e pedido de registro. No Brasil, Fiocruz aguardará aval da Anvisa para produzir o imunizante.

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A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) provavelmente não será capaz de conceder em janeiro o registro para a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, afirmou o vice-diretor executivo do órgão, Noel Wathion.

"Eles ainda nem fizeram o pedido para nós", disse Wathion em entrevista ao jornal belga Nieuwsblad publicada nesta terça-feira (29/12).

Segundo ele, a agência responsável por aprovar medicamentos e vacinas do bloco europeu recebeu apenas algumas informações sobre a vacina.

"Não é o suficiente nem para garantir uma licença provisória", afirmou. "Precisamos de dados adicionais sobre a qualidade da vacina. E, depois disso, a empresa precisa solicitar o registro formalmente".

Isso, de acordo com Wathion, faz com que uma aprovação em janeiro seja "improvável".

Imunizante no Brasil

A vacina de Oxford/AstraZeneca é a principal aposta do governo brasileiro para imunizar a população do país, que já pagou para receber no primeiro semestre de 2021 o princípio ativo para 100 milhões de doses e transferir a tecnologia de produção para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A previsão atual da Fiocruz é entregar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o primeiro lote da vacina, com 1 milhão de doses, na semana de 8 de fevereiro. A partir da última semana de fevereiro, a entidade projeta entregar 3,5 milhões de doses semanais.

A disponibilização da vacina no Brasil depende ainda de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Fiocruz já submeteu a maior parte dos dados à agência e espera concluir o envio no início do próximo ano, com a expectativa de receber o aval do órgão no final de janeiro.

A lei 13.979, que regula o enfrentamento à pandemia no Brasil e entrou em vigor em fevereiro, estabelece que, caso a Anvisa não autorize o uso emergencial de uma vacina em 72 horas após o pedido, os gestores de saúde podem importar e usar imunizantes que já tenham sido aprovados pelas autoridades sanitárias da União Europeia, dos Estados Unidos, da China e do Japão.

Em 19 de dezembro, a Câmara aprovou mudanças na lei para autorizar também o aproveitamento de decisões tomadas por agências de outros cinco países: Canadá, Reino Unido, Coreia do Sul, Rússia e Argentina. O texto ainda precisa ser analisado pelo Senado.

Na semana passada, a AstraZenca afirmou que sua vacina deve ser efetiva também contra a nova cepa do coronavírus e que estava pesquisando o impacto da mutação.

A empresa já enviou um pacote de dados completo para pedir o registro da vacina à agência de medicamentos britânica, segundo o ministro de Saúde do Reino Unido, Matt Hancock.

BL/rts