Após confusão na agenda, Bolsonaro se reúne com Macron no G20 | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 28.06.2019
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Mundo

Após confusão na agenda, Bolsonaro se reúne com Macron no G20

Após governo brasileiro anunciar cancelamento de encontro, presidente tem conversa informal com líder francês e o convida a visitar a Amazônia. Reunião bilateral aparentemente não constava na agenda da comitiva francesa.

Bolsonaro observa Macron (c.) e outros líderes enquanto aguardavam para foto oficial do G20

Bolsonaro observa Macron (c.) e outros líderes enquanto aguardavam para foto oficial do G20

O presidente Jair Bolsonaro e seu homólogo francês, Emmanuel Macron, tiveram um breve encontro nesta sexta feira (28/06) durante a cúpula do G20 em Osaka, após uma série de informações desencontradas em relação à agenda dos dois líderes, inclusive com o anúncio de uma reunião bilateral que, aparentemente, segundo a comitiva francesa, sequer estava planejada.

Segundo o portal de notícias G1, os dois tiveram um encontro de 20 minutos, pouco antes de Bolsonaro discursar na cúpula. O jornal Folha de S. Paulo também noticiou o encontro, citando o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. 

Os líderes teriam discutido questões relacionadas ao meio ambiente, à fronteira do Brasil com a Guiana Francesa, ao comércio internacional e a um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Ao final, o brasileiro teria convidado o francês a conhecer a Amazônia.

Inicialmente, foram divulgadas informações de que o gabinete de Macron teria cancelado um encontro marcado entre os dois líderes, o que gerou especulações de que a decisão teria relação com a dura resposta das autoridades brasileiras a críticas do francês ao governo brasileiro.

Segundo a BBC Brasil, membros da delegação francesa afirmaram que estava planejada somente uma conversa informal entre os dois chefes de Estado, e não um encontro reservado. Apenas na agenda do Itamaraty constava uma reunião bilateral entre Bolsonaro e Macron, que havia sido divulgada para a imprensa.

A Presidência e o Itamaraty anunciaram pela manhã o cancelamento do encontro. Pouco depois, o francês e o brasileiro posaram lado a lado para a foto oficial do G20. Macron cumprimentou Bolsonaro um tanto friamente. O brasileiro se voltou para a frente enquanto outros líderes conversavam, antes de a fotografia ser registrada.

Na quinta feira, já em Osaka, Macron havia afirmado que a França não assinará qualquer acordo comercial com o Mercosul caso o Brasil se retire do Acordo de Paris sobre o clima, como já ameaçou Bolsonaro.

"Se o Brasil deixar o Acordo de Paris, até onde nos diz respeito, não poderemos assinar o acordo comercial com eles", disse o líder francês. A declaração gerou incômodos à comitiva brasileira em Osaka.

Contudo, no encontro desta sexta-feira, o brasileiro teria dito a Macron que está interessado na permanência do país no tratado, após o francês insistir na questão, informou a agência de notícias francesa RFI.

Também durante reunião dos Brics – o grêmio formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – o governo brasileiro assumiu o compromisso de manter o país no acordo.

"Continuamos comprometidos com a plena implementação do Acordo de Paris, adotado sob os princípios da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), inclusive os princípios das responsabilidades comuns porém diferenciadas e respectivas capacidades, à luz de diferentes circunstâncias nacionais", diz a declaração conjunta dos cinco países, assinada também por Bolsonaro.

Atrito com europeus

Logo após chagar ao Japão para a cúpula do G20, Bolsonaro rebateu duramente algumas declarações da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, sobre seu governo. Na quarta-feira, em sessão no Bundestag (Parlamento alemão), ela disse ver com "grande preocupação" a situação no Brasil, que descreveu como "dramática" sob a tutela de Bolsonaro nas questões ambientais e de direitos humanos.

Merkel também reiterou seu apoio a um desfecho rápido para as negociações de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul e disse que, em sua visão, a resposta para a situação no Brasil hoje não está em abrir mão de um acordo com o bloco sul-americano.

"Vejo com grande preocupação a questão da atuação do novo presidente brasileiro. E a oportunidade será utilizada, durante a cúpula do G20, para falar diretamente sobre o tema, porque eu vejo como dramático o que está acontecendo no Brasil", disse a chanceler.

Pouco depois de chegarem ao Japão para a cúpula do G20, Bolsonaro e sua comitiva rebateram as declarações dos líderes europeus. O principal alvo dos brasileiros foi Merkel, que dissera também desejar ter uma discussão com Bolsonaro sobre o desmatamento.

"O presidente do Brasil que está aqui não é como alguns anteriores que vieram para serem advertidos por outros países", disse Bolsonaro. Ele ainda afirmou que os alemães têm muito "a aprender" com os brasileiros. "Nós temos exemplo para dar para a Alemanha sobre meio ambiente, a indústria deles continua sendo fóssil, em grande parte de carvão, e a nossa não. Então eles têm a aprender muito conosco", comentou o brasileiro.

O general Augusto Heleno, titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), reagiu – de maneira mais exaltada – não só à fala de Merkel, mas também à declaração de Macron sobre o Mercosul.

Ele disse que os europeus não têm moral para criticar a política ambiental do Brasil. "A política de meio ambiente é totalmente injusta ao Brasil. O Brasil é um dos países que mais preserva meio ambiente no mundo. Quem tem moral para falar da preservação de meio ambiente do Brasil?", disse o ministro. "Estes países que criticam? Vão procurar a sua turma."

RC/ots

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