Alemanha tem dúvidas sobre eficácia da vacina da AstraZeneca em idosos, segundo jornais | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 25.01.2021

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Alemanha

Alemanha tem dúvidas sobre eficácia da vacina da AstraZeneca em idosos, segundo jornais

Jornais do país apontam que governo alemão teme que vacina não seja autorizada para pessoas acima de 65 anos por suposta baixa eficácia nesse grupo. Empresa classifica informações como "completamente incorretas".

Dados fornecidos para autoridades reguladoras europeias sobre a vacina desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca não mostram eficácia significativa contra a covid-19 em idosos, avaliam fontes não identificadas do governo alemão, citadas em reportagens publicadas pelos jornais Handelsblatt e Bild nesta segunda-feira (25/01).

Segundo as fontes citadas pelos jornais, o governo alemão avalia que os dados disponíveis sobre a vacina só demonstraram eficácia de 8% ou "abaixo de 10%" em pessoas acima de 65 anos, muito abaixo da eficácia global de 70,42% divulgada anteriormente pela empresa, que, de acordo com as publicações, parece se aplicar melhor a faixas mais jovens.

Os jornais, no entanto, não divulgaram detalhes sobre os dados que teriam embasado o entendimento dos membros do governo alemão ou como os alemães teriam chegado a esse suposto número abaixo de 10%.

Ainda de acordo com as publicações, o governo alemão teme que os escassos dados disponíveis ou a falta de resultados mais detalhados para idosos nos documentos fornecidos pela AstraZeneca impeçam que autoridades sanitárias da União Europeia concedam autorização para uso dessa vacina em pessoas acima de 65 anos. 

À agência de notícias Reuters, a empresa rejeitou o conteúdo das reportagens como "completamente incorretas" e que dados publicados na revista The Lancet em novembro mostram que a vacina teve resultados robustos em idosos.

No entanto, um estudo publicado em dezembro na revista admitia que "a eficácia da vacina em grupos de idade mais avançada não pôde ser avaliada, mas será determinada, se houver dados suficientes disponíveis, em uma análise futura após o surgimento de mais casos". No ano passado, a AstraZeneca e a Universidade de Oxford, sua parceria no desenvolvimento da vacina, já haviam sido criticadas por cientistas após anúncios confusos sobre a eficácia da vacina. Dados conflitantes chegaram a derrubar as ações da empresa.

Por outro lado, para adicionar mais confusão ao caso, há dez dias, o chefe do instituto que analisa vacinas na Alemanha descreveu a taxa de eficácia da vacina da AstraZeneca contra covid-19 como "excelente", depois que alguns cientistas australianos expressaram ceticismo sobre sua eficácia.

Um porta-voz da Universidade de Oxford também rejeitou o conteúdo das reportagens publicadas nesta segunda-feira.

“Não há base para as alegações de eficácia muito baixa da vacina Oxford-AstraZeneca que têm circulado na mídia. Os resultados dos ensaios clínicos já foram publicados de forma transparente em cincpo publicações científicas, mostrando respostas imunológicas semelhantes em adultos jovens e idosos e um bom perfil de segurança e alta eficácia em adultos jovens. Além disso, os dados preliminares de eficácia em adultos mais velhos apoiam a importância desta vacina para uso nesta população", disse.

A avaliação da vacina pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) está prevista para esta semana e deve ajudar a elucidar as dúvidas sobre a eficácia da vacina e as informações conflitantes que foram publicadas.

A vacina da Astrazeneca foi aprovada pelo Reino Unido em dezembro, sem imposição de um limite de idade.

Se a EMA eventualmente não aprovar o uso para idosos na UE, o resultado representará um revés para os planos de vacinação da Alemanha, que esperava aumentar o leque de vacinas disponíveis. O governo planejava aplicar doses do imunizante da AstraZeneca em moradores de lares de idosos, por causa das condições mais simples de armazenamento, em contraste com a vacina da Pfizer/BioNTech, que necessita de uma operação mais complexa.

Diante da repercussão do caso, o editor do jornal Handelsblat, Gregor Waschinski, disse no Twitter que os dados analisados pela EMA não são os mesmos que embasaram a decisão dos reguladores britânicos para aprovar a vacina no mês passado. Ele também se negou a identificar as fontes da matéria, mas disse que elas são membros do governo alemão e pessoas familiarizadas com a política de vacinação do país.

De acordo com o Handelsblatt, nos estudos clínicos da AstraZeneca, idosos estavam subrepresentados. Os testes conduzidos pela AstraZeneca no Reino Unido começaram com adultos com até 55 anos, porque inicialmente a empresa focou em pessoal de saúde e trabalhadores da linha de frente na ativa. Os participantes idosos do teste foram recrutados mais tarde.

No final de dezembro, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido (MHRA) havia apontando que não havia dados suficientes sobre os efeitos da vacina em pessoas acima de 65 anos. 

Na semana passada, o jornal austríaco Der Standard já havia publicado uma reportagem apontando que a vacina da AstraZeneca corria o risco de não ser aprovada para idosos na UE por causa da falta de dados sobre a eficácia em pessoas com mais de 65 anos.

A divulgação da suposta baixa eficácia em idosos por dois jornais alemães que atendem segmentos bem diferentes também sugere que membros do governo alemão queriam realmente queriam divulgar seus temores publicamente.

A divulgação também ocorre num momento em que a AstraZeneca está sob pressão da União Europeia por causa de atrasos em cumprir a entrega de vacinas acordadas contratualmente com o bloco. O grupo anglo-sueco anunciou na última sexta-feira que após a aprovação de sua vacina espera entregar apenas 31 milhões de doses, em vez de 80 milhões, até o final de março. A UE disse que recebeu uma "resposta insatisfatória" sobre os atrasos.

A vacina da AstraZeneca também é a principal aposta do governo de Jair Bolsonaro. O Brasil fechou uma parceria com a empresa para a fabricação de doses em território nacional, por meio da Fiocruz. No entanto, a produção, inicialmente prevista para começar em fevereiro, deve ficar para março, devido a problemas na obtenção de insumos. Na semana passada, o país importou 2 milhões de doses prontas dessa vacina.

JPS/ots