Alemanha quer proibir uso de ″estrela de judeu″ em protestos | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 07.05.2021

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Coronavírus

Alemanha quer proibir uso de "estrela de judeu" em protestos

Manifestantes que se opõem às medidas para conter a pandemia têm usando símbolo de perseguição da era nazista, substituindo a palavra "judeu" por "não vacinado" e fazendo falsa analogia com o Holocausto.

Na manga de uma camiseta, há uma estrela amarela de seis pontas, com a palavra ungeimpft

Manifestante usa a estrela amarela de seis pontas em protesto em Frankfurt, no ano passado

O comissário do governo alemão para o combate ao antissemitismo na Alemanha, Felix Klein, pediu que as autoridades municipais do país proíbam que manifestantes usem estrelas de Davi amarelas durante protestos contra as restrições impostas pela pandemia. 

O símbolo é associado à perseguição dos judeus durante o Holocausto, quando as autoridades nazistas obrigaram a minoria a exibir estrelas amarelas em suas roupas, como uma espécie de "distintivo de vergonha".

Em protestos contra as medidas do governo para tentar conter a disseminação do coronavírus, alguns manifestantes vêm exibindo o símbolo, substituíndo a palavra "Jude" (judeu, em alemão) no centro da estrela amarela por "ungeimpft" (não vacinado), fazendo uma falsa comparação entre as medidas do governo alemão contra a pandemia à perseguição aos judeus na época do nazismo.

"Se as pessoas atribuem as chamadas estrelas judaicas às manifestações e assim fazem comparações que relativizam o Holocausto, as possibilidades da lei regulatória devem ser usadas", disse Klein nesta sexta-feira (07/05) ao jornal alemão Tagesspiegel.

Klein pediu que as cidades sigam o exemplo de Munique, que já baniu o símbolo. Além da Alemanha, a estrela também foi vista em protestos na Inglaterra e na República Tcheca. 

Em sua origem, a estrela de Davi não representa um estigma, nem é um símbolo exclusivamente judeu. No entanto, desde a época do nazismo na Alemanha, a insígnia de seis pontas com fundo amarelo passou a ser associada ao Holocausto.

Em 1° de setembro de 1941 entrou em vigor uma portaria policial que especificava: "A estrela pintada de preto sobre um fundo de tecido amarelo, do tamanho de um pires de mão, com o dizer 'Jude' [...] deverá ser portada de forma visível, costurada sobre o peito esquerdo da vestimenta."

O uso do símbolo era uma forma de marcar os judeus como diferentes, fazendo-os se sentirem excluídos da sociedade. Os judeus que fossem flagrados sem o símbolo, poderiam enfrentar multas, prisão e até a morte. Além disso, posteriormente, as estrelas também auxiliaram os nazistas a encontrar os judeus para mandá-los aos campos de extermínio.

Os manifestantes contra as medidas impostas para conter a pandemia argumentam que o governo está violando suas liberdades ao impor restrições de circulação. No entanto, não é incomum encontrar nos protestos participantes de extrema direita e neonazistas, o que faz o uso das estrelas provocar ainda mais repúdio por parte de organizações judaicas.

No ano passado, o chefe do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, afirmou que era "indescritível" que alguns alemães estivessem comparando as medidas impostas pelo governo para evitar mortes com os abusos cometidos pelo Terceiro Reich.

Crimes antissemitas

Klein também citou os mais de 2.300 crimes antissemitas cometidos na Alemanha no ano passado. Para ele, o número "é assustador, mas não surpreendente", já que em tempos de crise as pessoas estão mais abertas a explicações irracionais, incluindo estereótipos antissemitas.

A novidade é que grupos que dificilmente ou nunca tiveram nada a ver uns com os outros agora encontraram uma causa comum nas manifestações contra as restrições impostas pelo coronavírus. "Claro, nem todos os contrários às medidas de restrição são antissemitas", disse Klein, acrescentando, porém, que essas pessoas acabam permitindo que os antissemitas "sequestrem" esses protestos.

"A indiferença é nosso maior inimigo", afirmou Klein. "Precisamos de uma sociedade civil vigilante, defensiva e corajosa", completou, ressaltando que o governo não conseguirá acabar sozinho com o problema.

Em abril, os tribunais alemães barraram manifestações de negacionistas do coronavírus planejadas em cidades como Dresden e Stuttgart. Os protestos  foram convocados pelo movimento Querdenken ("pensamento lateral"), que se opõe às atuais medidas restritivas contra o coronavírus na Alemanha.

No final do mês passado, o Ministério do Interior alemão confirmou que setores do Querdenken serão mantidos nacionalmente sob vigilância pelo Departamento de Proteção à Constituição da Alemanha (BfV), o serviço de inteligência interno do país. 

le (epa, afp, ots)