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Médico aplicando uma vacina contra a covid-19 em um jovem alemão
Até então, Alemanha vinha priorizando idosos, pessoas com comorbidades e certos profissionaisFoto: Hendrik Schmidt/dpa/picture alliance

Alemanha libera vacina contra covid-19 para todos

7 de junho de 2021

Com 45% da população tendo recebido ao menos uma dose, país revoga lista de grupos prioritários, e qualquer residente com mais de 12 anos já pode ser imunizado. Mas em meio à escassez de vacinas, espera pode ser grande.

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A Alemanha removeu nesta segunda-feira (07/06) a lista de grupos prioritários para a vacinação contra a covid-19. Isso significa que, a partir de agora, qualquer residente com ao menos 12 anos de idade pode, em teoria, ser imunizado, sem mais precisar preencher certos requisitos de faixa etária, ocupação profissional ou comorbidades.

Mas a espera pode ser grande, porque não há doses suficientes, e muitos idosos e pessoas com doenças preexistentes ainda não foram vacinados. Autoridades sanitárias alemãs e o ministro da Saúde, Jens Spahn, pediram paciência à população.

Ao mesmo tempo, mais de 6.000 médicos de empresas estão iniciando seus próprios programas de vacinação. O ministro da Economia, Peter Altmaier, afirmou à imprensa alemã que espera que esses médicos apliquem cerca de 3 milhões de doses por mês aos funcionários das empresas e seus familiares, o que fará uma "diferença significativa" na campanha de imunização.

Mas a revogação da lista prioritária também foi recebida com críticas. O presidente da Associação Alemã de Cidades e Municípios, Gerd Landsberg, afirmou que a medida apenas deixará muitas pessoas desiludidas. "Decepção e frustração são esperadas nesse processo, já que não há vacinas suficientes imediatamente disponíveis", disse ao jornal Rheinische Post.

Os médicos da família também estão com baixas expectativas. Ulrich Weigeldt, presidente da Associação Alemã de Clínicos Gerais, disse aos jornais do grupo midiático Funke que "o imunizante ainda é muito escasso quando comparado à alta demanda, e [o número de doses] continuará a ser distribuído de maneira muito pouco confiável" pelo país.

Segundo o Instituto Robert Koch, cerca de 37,9 milhões de pessoas já receberam ao menos uma dose da vacina contra a covid-19 na Alemanha, o que representa 45,7% da população de 80 milhões de habitantes. Desses, 17,7 milhões receberam as duas doses, ou 21,3% dos residentes.

Até então, a Alemanha vinha priorizando a vacinação de pessoas com alto risco de desenvolver sintomas sérios de covid-19. Isso inclui os idosos, além de pessoas de qualquer idade que possuem comorbidades, como câncer, pressão alta, asma, diabetes e doenças autoimunes. Profissionais de saúde e funcionários de empresas de certos segmentos também foram priorizados.

Ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn
O gerenciamento da crise da covid-19 por parte do ministro da Saúde, Jens Spahn, foi alvo de críticasFoto: picture alliance/dpa

Contudo, tem havido cada vez mais reclamações de pessoas que se enquadram em um dos grupos de priorização que ainda não conseguiram o agendamento para a vacinação.

Agora, com a suspensão da prioridade, "em princípio três grupos passariam a lutar pela vacina", alertou o especialista em saúde do Partido Social-Democrata (SPD), Karl Lauterbach. "Aqueles que ainda têm direito à priorização, depois os adultos que não são prioritários, e então as crianças."

Lauterbach se referiu aos jovens de 12 a 15 anos, para os quais a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) aprovou recentemente a vacina da Pfizer-Biontech.

Sem vacina, escolas fechadas?

Segundo pesquisas, cerca de 50% dos pais na Alemanha querem que seus filhos sejam vacinados. Estimativas sugerem que a maioria das crianças não fica gravemente doente quando infectada com o vírus causador da covid-19, mas a vacinação dessa faixa etária está diretamente ligada à reabertura das escolas e à volta às aulas de maneira presencial.

"Se não vacinarmos as crianças logo, acredito que teremos de aceitar uma nova evasão escolar significativa no outono [meados do segundo semestre]", disse Lauterbach. 

E isso é algo que os políticos querem evitar. As eleições gerais e três eleições estaduais estão agendadas para 26 de setembro. E a classe política certamente quer se esquivar de pais insatisfeitos com uma possível nova suspensão das aulas.

Em algumas regiões, o novo ano letivo começa no início de agosto. Como há um intervalo de seis semanas entre as duas doses, a imunização das crianças deverá ser iniciada muito em breve para garantir a reabertura das escolas.

Vacinas em falta

Mas atualmente não há capacidade para isso. O ministro da Saúde tem repetido continuamente que a Alemanha vai receber 50 milhões de doses do imunizante da Pfizer-Biontech ao longo dos meses de junho, julho e agosto. Recentemente, contudo, o Ministério da Saúde reduziu os envios de doses para os centros de vacinação e consultórios médicos.

Dos mais de 5 milhões de doses que a Alemanha recebeu no início de junho, um quinto foi retido como reserva. A partir de 7 de junho, médicos de empresas também competirão pelo montante de vacinas e receberão cerca de 700 mil doses na primeira semana. 

Em muitos estados, os centros de vacinação já estão lotados até setembro com a vacinação de pessoas de grupos prioritários. Em muitos lugares, as primeiras doses foram suspensas para resguardar as doses para a segunda vacinação daqueles que já receberam a primeira.

Centro de vacinação contra a covid-19 em Berlim
O movimento em muitos centros de vacinação tem sido baixo por falta de doses e rejeição à AstraZenecaFoto: Soeren Stache/dpa/picture alliance

Vacinação de crianças gera controvérsia

A presidente do Conselho de Ética da Alemanha, Alena Buyx, recomendou que se espere para priorizar a vacinação de crianças e adolescentes.

"Acho uma ideia muito boa – como já está sendo planejado em alguns estados – priorizar um pouco mais os postos de vacinação e também fazer com que os pacientes de risco consigam uma consulta o mais rápido possível com os clínicos gerais", disse à emissora estatal ARD.

Lauterbach, especialista em saúde do SPD, defendeu uma linha similar, mas insistiu que as crianças e os adolescentes sejam posteriormente levados em consideração.

Spahn também compartilha dessa opinião. No início de maio, o ministro já havia debatido com os secretários de Saúde dos estados a expectativa de aprovação de uma vacina para crianças e adolescentes. Spahn falou sobre contingentes de vacinas "adicionais" para essa faixa etária.

Até mesmo Armin Laschet, candidato da União Democrata Cristã (CDU) a chanceler federal alemão e governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália, expressou postura similar em 19 de maio perante o parlamento estadual em Düsseldorf. "Já foi acordado que a vacina que precisamos para crianças de 12 a 15 anos será disponibilizada adicionalmente", disse.

Segundo Spahn, o governo trabalha com a meta de vacinar todos os jovens de 12 a 18 anos com ao menos a primeira dose até o final de agosto.

Já em relação à população adulta, o ministro afirmou que, se a Alemanha receber todas as doses prometidas conforme planejado, entre 80% e 90% dos adultos dispostos a se vacinar deverão ter em mãos, até meados de julho, ao menos um agendamento para receber a primeira dose.

pv/ek (DPA, DW)