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Militares alemães em frente a aeronaves
Para Scholz, o país deve investir mais em sua segurança para proteger a liberdade e a democraciaFoto: Martin Meissner/AP Photo/picture alliance

Alemanha investirá 100 bilhões de euros nas Forças Armadas

27 de fevereiro de 2022

Anúncio foi feito pelo chanceler federal Olaf Scholz em discurso no Bundestag, diante das ameaças russas ao Ocidente. Governo alemão também destinará mais de 2% de seu PIB, anualmente, para a defesa.

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O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, anunciou neste domingo (27/02) um investimento de 100 bilhões de euros para modernizar as Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr) e um repasse anual de mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa nacional.

Em um discurso no Bundestag (câmara baixa do Parlamento alemão), em uma sessão extraordinária para discutir a guerra na Ucrânia, Scholz enfatizou a necessidade de contar com uma Bundeswehr "eficiente, avançada e de ponta" para proteger o país, entre outras ameaças, da Rússia de Vladimir Putin.

"Melhores equipamentos, equipamentos modernos, mais pessoas, isso custa muito dinheiro", reconheceu, acrescentando, porém, que isso é algo possível para um país do tamanho e da importância da Alemanha na Europa. Para Scholz, o país deve investir mais em sua segurança para proteger a liberdade e a democracia.

Segundo o chefe de governo, diante desta "mudança de época" provocada pela agressão de Putin, "tudo o que for necessário para garantir a paz na Europa" será feito - e a Alemanha será solidária em sua contribuição. Para isso, no entanto, a Bundeswehr precisa de "novas e importantes capacidades", declarou Scholz.

Mudança de postura

A guerra na Ucrânia está levando o governo alemão a repensar sua política externa e de segurança. Scholz já havia revisado posições centrais no sábado. Depois de um logo período de negativas, a Alemanha finalmente concordou em enviar armamento letal à Ucrânia - incluindo 1.000 armas antitanque e 500 mísseis terra-ar do arsenal da Bundeswehr. "Não poderia haver outra resposta à agressão de Putin", enfatizou o chanceler federal alemão.

Além disso, Berlim permitiu neste sábado que a Holanda enviasse à Ucrânia 400 bazucas e que a Estônia fornecesse a Kiev peças de artilharia do estoque da antiga Alemanha Oriental, que por acordos contratuais, exigiam a aprovação da Alemanha antes de serem repassadas.

Berlin | Sondersitzung des Bundestags zur Ukraine Krise - Olaf Scholz
Scholz durante discurso no Bundestag neste domingoFoto: ODD ANDERSEN/AFP/Getty Images

As medidas revertem um princípio de longa data adotado pela Alemanha. Durante anos, Berlim se recusou a exportar armas para zonas de guerra ou permitir que países terceiros enviassem armas fabricadas na Alemanha para áreas de conflito. A política está enraizada na história da Alemanha como agressora durante a Segunda Guerra Mundial. 

Ao anunciar a reversão da política no sábado, Scholz disse que a "invasão russa da Ucrânia marca um ponto de virada".  

Scholz afirmou que o presidente russo quer "criar uma nova ordem na Europa e não tem escrúpulos em usar capacidades militares para alcançá-la". 

"Nunca nos resignaremos à violência como meio de política. Não descansaremos até que a paz seja assegurada na Europa", escreveu no Twitter. 

Há tempos, a Alemanha vinha sendo criticada por sua postura de não permitir o envio de armas. Outros países da OTAN, incluindo o Reino Unido e os EUA, já haviam fornecido armas à Ucrânia nas últimas semanas.

UE enviará armas à Ucrânia

Também neste domingo, a União Europeia (UE), com o apoio da Alemanha, concordou em conceder 450 milhões de euros para financiar o fornecimento de equipamento militar letal à Ucrânia, e outros 50 milhões de euros para equipamento não letal, como combustível e equipamento de proteção. O anúncio foi feito pelo alto representante de Política Externa da UE, Josep Borrell, em entrevista coletiva.

Borrell explicou que esse montante será coberto pelo Fundo Europeu para a Paz e pelo fundo intergovernamental, que dispõe de 5 bilhões de euros para usar entre 2021 e 2027 e é financiado pelos Estados-membros, não pelo orçamento da UE.

O chefe da diplomacia europeia salientou que esta é "a primeira vez na história" que a UE vai financiar conjuntamente este tipo de equipamento, para o que "todos concordaram ou, pelo menos, não obstruíram esta decisão".

Borrell também disse que a Polônia, país que faz fronteira com a Ucrânia, se ofereceu como centro logístico para montar o equipamento antes de sua entrega aos ucranianos, e acrescentou que, nesta segunda-feira, os ministros de Defesa do bloco se reunirão para discutir os detalhes.

Quando questionado se a ativação das equipes de contenção nuclear da Rússia diante das sanções que o Ocidente lhe impõe atrapalha os planos dos europeus, Borrell respondeu que "todos estão cientes dessa ameaça, mas isso não nos impede de fazer o que tem de ser feito".

"A UE é um projeto de paz e queremos continuar a lutar pela paz na Europa", completou. 

le (efe, ots)