″Acharam Novichok dentro e fora do meu corpo″, afirma Navalny | Notícias internacionais e análises | DW | 21.09.2020

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Mundo

"Acharam Novichok dentro e fora do meu corpo", afirma Navalny

No primeiro texto em seu blog após sair do coma, opositor russo diz que laboratórios ocidentais encontraram vestígios do agente nervoso também sobre seu corpo e exige que Moscou devolva sua roupa, uma "prova crucial".

Navalny em foto postada em seu Instagram nesta segunda, ao lado de sua mulher, Yulia, no hospital em Berlim

Navalny em foto postada em seu Instagram nesta segunda, ao lado de sua mulher, Yulia, no hospital em Berlim

O líder oposicionista russo Alexei Navalny declarou nesta segunda-feira (21/09) que laboratórios na Europa Ocidental encontraram vestígios do agente nervoso Novichok dentro e fora de seu corpo, e exigiu que a Rússia devolva a roupa que ele usava, que considera uma "prova crucial".

As declarações foram feitas na primeira postagem pessoal de Navalny em seu blog desde que ele saiu do coma, no início de setembro, após ter sido envenenado em território russo.

Um dos maiores críticos do governo do presidente Vladimir Putin, o ativista de 44 anos passou mal a bordo de um avião na Sibéria, onde chegou a ficar hospitalizado por dois dias antes de ser transportado em coma induzido para a Alemanha. Desde 22 de agosto, ele está sendo tratado no Hospital Universitário Charité de Berlim.

"Exatamente um mês se passou desde que eles tentaram me matar com uma arma química", escreveu Navalny em seu site pessoal. "Dois laboratórios independentes na França e na Suécia e um laboratório especial da Bundeswehr [Forças Armadas alemãs] confirmaram a presença do Novichok dentro e sobre meu corpo."

Ele então observou que, até hoje, a Rússia não abriu um inquérito criminal para investigar o envenenamento, apenas uma "checagem pré-investigação sobre a hospitalização". "Parece que eu escorreguei em um supermercado e quebrei a perna", ironizou.

"Ok, eu não esperava outra coisa. Uma coisa me interessa agora: minhas roupas. Ou seja, as roupas que eu estava usando no dia do envenenamento, 20 de agosto", acrescentou Navalny, afirmando que os 30 dias da "checagem" russa apenas serviram para "esconder essa peça crucial de evidência".

"Antes de autorizarem minha transferência para a Alemanha, eles tiraram todas as minhas roupas e me enviaram completamente nu. Considerando que Novichok foi encontrado sobre meu corpo, e que envenenamento através de contato físico é altamente provável, minhas roupas são uma prova muito importante", reiterou o oposicionista russo.

A polícia russa disse ter iniciado uma apuração preliminar – um inquérito para determinar se uma investigação criminal deve ser iniciada – após Navalny ter sido hospitalizado.

O oposicionista russo e seus aliados argumentam que, segundo a legislação do país, essa apuração deveria ter sido finalizada em 30 dias, período que chegou ao fim no último sábado.

Em seu blog, Navalny afirmou que, uma vez que esses 30 dias expiraram, "exijo que minhas roupas sejam cuidadosamente embaladas em um saco plástico e devolvidas a mim".

"E então vocês podem continuar a discutir em talk shows que eu tive um ataque de diabetes, ou que isso foi provavelmente arranjado contra mim pelos funcionários do FKB", concluiu, citando o Fundo Anticorrupção (FKB), organização fundada por ele e dissolvida em julho.

Segundo Navalny, programas de televisão na Rússia têm especulado sobre o caso, "ou afirmando que ninguém me envenenou, ou que, claro, fui envenenado, mas foram funcionários do FKB ou agentes dos serviços especiais do Ocidente que o fizeram".

Em comunicado em vídeo nesta segunda-feira, a porta-voz de Navalny, Kira Yarmysh, também mencionou o fim do período de 30 dias de investigação preliminar, afirmando que, se ela não resultou na abertura de um processo criminal, "agora pode-se argumentar que o Estado russo oficialmente decidiu ignorar o envenenamento de Navalny".

Nesta segunda-feira, a polícia russa, por sua vez, disse que o inquérito preliminar sobre o incidente não foi concluído após 30 dias e ainda está em andamento.

O governo da Rússia vem insistindo que não vê motivos para um caso criminal, uma vez que laboratórios russos e o hospital em Omsk, na Sibéria, onde Navalny ficou internado por dois dias, não encontraram indícios de envenenamento.

Por outro lado, no início de setembro o governo da Alemanha afirmou que exames comprovaram "de modo inequívoco" que o ativista russo foi envenenado com um agente químico neurotóxico do grupo Novichok, desenvolvido por cientistas soviéticos na década de 1970.

Mais tarde, laboratórios independentes da França e da Suécia confirmaram o envenenamento com a substância, a mesma usada no ataque contra o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha em Salisbury, no Reino Unido, em 2018.

O Kremlin também rejeitou as acusações feitas pelos aliados de Navalny na Rússia de que ele teria sido envenenado em um hotel na cidade de Tomsk, na Sibéria. Segundo os ativistas, análises em uma garrafa de água coletada em um hotel teriam sido analisadas por um laboratório militar alemão, que encontrou rastros do Novichok.

A Alemanha e vários governos ocidentais cobram explicações da Rússia sobre como o oposicionista teria sido envenenado, e chegaram a ameaçar impor sanções pelo incidente.

EK/ap/dpa/afp/rtr/ots

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